{"id":138,"date":"2010-05-08T21:30:54","date_gmt":"2010-05-09T00:30:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unitarismobiblico.com\/1\/?p=138"},"modified":"2010-05-08T21:30:54","modified_gmt":"2010-05-09T00:30:54","slug":"tt-2-13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/2010\/05\/08\/tt-2-13\/","title":{"rendered":"Tt. 2.13"},"content":{"rendered":"<p><strong> Tt. 2.13 &#8211; <\/strong>Precisamos saber porque ele foi traduzido \u201c<em>aparecimento da gl\u00f3ria do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus<\/em>,\u201d e 2 Ts.1.12, que tem igual constru\u00e7\u00e3o em l\u00edngua grega foi traduzido por \u201c<em>a gra\u00e7a de nosso Deus e <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>DO<\/strong><\/span><\/em><em> Senhor Jesus Cristo<\/em>\u201d (destaquei). O texto original de Tt. 2.13, pode tranquilamente e corretamente ser traduzido por \u201c<em>Aguardando a bem-aventurada esperan\u00e7a e o aparecimento do grande Deus e DO nosso  Salvador Jesus Cristo<\/em>&#8220;. A pr\u00f3pria vers\u00e3o cat\u00f3lica (religi\u00e3o ber\u00e7o da formula\u00e7\u00e3o do trinitarismo crist\u00e3o), conhecida como a B\u00edblia P\u00e3o Nosso, da Editora Vozes em conjunto com a Editora Santu\u00e1rio, verteu assim o verso de Tt. 2.13: \u201c<em>Aguardando nossa esperan\u00e7a feliz e a vinda gloriosa do grande Deus e do Salvador nosso, Jesus Cristo<\/em>.\u201d, e n\u00e3o foi a \u00fanica tradu\u00e7\u00e3o a fazer a distin\u00e7\u00e3o, a B\u00edblia do Peregrino, tamb\u00e9m cat\u00f3lica, verteu: \u201c<em>Esperando a promessa feliz e a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.<\/em>\u201d Ou seja, imparcialmente at\u00e9 mesmo um trinitariano traduzir\u00e1 Tt. 2.13 como se traduz II Ts. 1.12. Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o que o fato de outros versos como II Ts. 1.12 que tem a mesma constru\u00e7\u00e3o apresentarem preposi\u00e7\u00e3o na vers\u00e3o para nossa l\u00edngua \u00e9 digno de nota, por mostrar a desuniformidade das tradu\u00e7\u00f5es que, consequentemente, terminam por influenciar, de uma forma ou de outra, o entendimento dessas passagens b\u00edblica entre n\u00f3s. Talvez se pergunte: Por que n\u00e3o usar os dois sem preposi\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de ambos com preposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 que o grego permite? A resposta \u00e9 simples. Al\u00e9m do respeito ao modo de escrever de Paulo que sempre faz distin\u00e7\u00e3o clara entre Jesus e Deus como sendo seu Pai, precisamos lembrar que o uso da preposi\u00e7\u00e3o em grego \u00e9 diferente do de nossa l\u00edngua, bem como o artigo. Na verdade, quando estamos falando de aus\u00eancia da preposi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, nessas passagens, estamos falando de aus\u00eancia do artigo grego. Ambos os substantivos, \u201cDeus\u201d e \u201cJesus\u201d est\u00e3o no genitivo, mas apenas \u201cDeus\u201d est\u00e1 com artigo. Nesse caso temos \u201cdo Deus\u201d por causa do artigo e \u201cde Jesus\u201d pela aus\u00eancia do artigo, se tivesse artigo seria \u201cdo Jesus\u201d, constru\u00e7\u00e3o poss\u00edvel em grego, mas n\u00e3o usual em portugu\u00eas. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 usual dizermos, mesmo tendo o artigo \u201c<strong>do<\/strong> Deus\u201d, como n\u00e3o \u00e9 usual dizermos \u201c<strong>de<\/strong> Senhor Jesus\u201d, mesmo sem o artigo, mas \u201c<strong>de<\/strong> Deus\u201d e \u201c<strong>do<\/strong> Senhor Jesus Cristo\u201d. Assim, nas tradu\u00e7\u00f5es indicadas, nada foi acrescentado, apenas traduzido. A prova disso \u00e9 o testemunho de muitas passagens b\u00edblicas com constru\u00e7\u00f5es anartas<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>: At. 15.11, Rm. 1.7, I Co. 1.3, II Co. 1.2, Ef. 1.2, Fp. 1.2, Cl. 1.2, I Ts. 1.1, II Ts. 1.2, I Tm 1.1,2, I Tm. 5.21, Tt. 1.4, Fl. 1.1, Tg. 1.1, II Jo.1.3. Quando se usa a express\u00e3o \u201cSenhor Jesus Cristo\u201d quase sempre \u00e9 sem artigo no NT grego, e todos eles s\u00e3o traduzidos, de fato, \u201c<strong>do<\/strong> Senhor Jesus Cristo\u201d. Se compararmos esses vers\u00edculos com Tt. 2.13 a \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 o troca da palavra \u201cSenhor\u201d por \u201cSalvador\u201d que, em termos gramaticais, n\u00e3o munda absolutamente nada. Assim, ou se concorda e considera todos esses versos com mesma tradu\u00e7\u00e3o, por trato de uniformidade e \u00e9 este, realmente, o entendimento que naturalmente se tem dos textos, ou se for\u00e7a a tradu\u00e7\u00e3o em cima de Tt. 2.13 para dar margem ao dogma da trindade.<\/p>\n<p>Neste ponto, vale a pena abrir um espa\u00e7o para comentar uma regra elaborada por <strong>Granville Sharp, <\/strong> criada sobre substantivos anartros, justamente pela refer\u00eancia que muitos fazem de Tt. 2.13 com a invoca\u00e7\u00e3o dessa regra, e que termina por revelar a parcialidade de certos gram\u00e1ticos e como estes influenciam muitos estudantes da B\u00edblia.<\/p>\n<p>Granville Sharp (1735 a 1813) foi um filantropo ingl\u00eas, defensor da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, com in\u00fameros trabalhos escritos tanto crist\u00e3os como relacionados aos direitos humanos. Um homem not\u00e1vel. Sua dedica\u00e7\u00e3o e f\u00e9 o levou a estudar o grego procurando provas da deidade de Jesus. Era um te\u00f3logo n\u00e3o acad\u00eamico. Ao se deparar com Tt. 2.13, ele percebeu que na reda\u00e7\u00e3o do vers\u00edculo poderia haver um padr\u00e3o de escrita que talvez pudesse ser usado como elemento comprobat\u00f3rio de que os antigos crist\u00e3os entendessem Jesus como sendo o pr\u00f3prio Deus. O grande problema de Sharp foi o de considerar as milenares gram\u00e1ticas da l\u00edngua grega vencidas e insuficientes para satisfazer o desejo de ver na B\u00edblia alguma prova incontest\u00e1vel da deidade de Jesus, ent\u00e3o, resolveu, ele mesmo, criar regras gramaticais. O resultado foi a produ\u00e7\u00e3o de seis enunciados, envolvendo o estudo dos substantivos articulados, conhecidos como o c\u00e2non de Sharp. Embora as ideias de Sharp a esse respeito j\u00e1 sejam conhecidas a uns 200 anos, suas conclus\u00f5es n\u00e3o tem sido usadas para a produ\u00e7\u00e3o de novas tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia; atribui-se isso a influ\u00eancia de Georg Benedict Winer<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a> que discordava de suas compreens\u00f5es e foi gram\u00e1tico influente. Mas, na verdade, como veremos, Granville Sharp produziu um terreno de areias fofas e o chamaram de regra, e, foi isso percebido por in\u00fameros estudiosos do assunto que veem no enunciado do filantropo algumas dificuldades que inviabilizam sua aplica\u00e7\u00e3o sem riscos de desvio exeg\u00e9tico, mesmo que favorecendo a ortodoxia doutrin\u00e1ria, dentre eles se pode notar Calvin Winstanley que, al\u00e9m de contempor\u00e2neo de Sharp, tamb\u00e9m era ortodoxo trint\u00e1rio e, no entanto, refutou a requerida infalibilidade de regra sugerindo inclusive seu abandono para fins de prova da deidade de Cristo. Ele reconhecia que uma regra de gram\u00e1tica que era verdade, n\u00e3o dentro da l\u00edngua grega ou em toda B\u00edblia, mas somente no Novo Testamento, e ainda assim somente em determinadas circunst\u00e2ncias, era demasiado fr\u00e1gil para se tentar provar a deidade de Cristo.<\/p>\n<p>Alguns atanasianos invocam a primeira regra objetivando legitimar a cren\u00e7a trinit\u00e1ria, informando que \u00e9 uma regra b\u00e1sica usada por estudantes iniciais da l\u00edngua grega. A regra diz que: \u201c<em>Quando a copulativa KAI liga dois substantivos do mesmo caso, se o artigo HO, ou qualquer dos seus casos, precede o primeiro dos referidos substantivos ou partic\u00edpios, e n\u00e3o \u00e9 repetido antes do segundo substantivo ou partic\u00edpio, diz respeito este \u00faltimo sempre a mesma pessoa que est\u00e1 expressa ou descrita pelo primeiro substantivo ou partic\u00edpio.: isto \u00e9, denota al\u00e9m disso a descri\u00e7\u00e3o da primeira pessoa que recebeu a especifica\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/em> Ela parece se encaixar como uma luva na constru\u00e7\u00e3o gramatical de Tt. 2.13, mas voc\u00ea perceber\u00e1 que na verdade foi criada praticamente olhando somente para Tt. 2.13, ou a alguma referencia parecida e desprezou-se o restante do NT, de modo que a regra est\u00e1 mais para um artif\u00edcio gramatical.<\/p>\n<p>Observe Tt. 2.13 \u201c\u03c4\u03bf\u1fe6 \u03bc\u03b5\u03b3\u03ac\u03bb\u03bf\u03c5 \u0398\u03b5\u03bf\u1fe6 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03c3\u03c9\u03c4\u1fc6\u03c1\u03bf\u03c2 \u1f21\u03bc\u1ff6\u03bd \u1f38\u03b7\u03c3\u03bf\u1fe6 \u03a7\u03c1\u03b9\u03c3\u03c4\u03bf\u1fe6\u201d (TOU megalou Theou KAI s\u00f4t\u00earos hem\u00f4n I\u00easou Christou).<\/p>\n<p>Est\u00e3o ai presentes os pressupostos; o artigo \u201c\u03c4\u03bf\u1fe6\u201d (TOU), que \u00e9 a forma genitiva do \u201cHO\u201d, e a copulativa \u201c\u03ba\u03b1\u1f76\u201d (KAI) separando substantivos no mesmo caso grego. Por essa regra ser\u00e1 que ter\u00edamos inquestionavelmente a tradu\u00e7\u00e3o:  \u201c<em>do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo<\/em>\u201d, dando a ideia de se referir a mesma pessoa ou mesmo ser? Ser\u00e1 que essa regra \u00e9 realmente v\u00e1lida se considerarmos os textos b\u00edblicos?<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a exegese \u00e9 um campo dif\u00edcil, principalmente quando falamos em termos gramaticais gregos. Visto que os escritores do N.T eram judeus n\u00e3o podemos cobrar deles erudi\u00e7\u00e3o na escrita, mas o uso dos elementos b\u00e1sicos de comunica\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o era sua l\u00edngua p\u00e1tria ou ainda considerar que \u00e0s vezes o autor ditava e a escrita ficava a cargo de um amanuense. O enunciado de Sharp \u00e9 chamado de regra, mas penso que, REGRA significa algo que sempre acontece quando h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es semelhantes, infelizmente n\u00e3o \u00e9 o caso do enunciado do gram\u00e1tico, a n\u00e3o ser que se descarte propositalmente todas as exce\u00e7\u00f5es. O texto trazido em nossas B\u00edblias \u00e9 apenas uma possibilidade de tradu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o por causa da regra, mas por causa do texto associado a op\u00e7\u00e3o do tradutor. Ser\u00e1 mostrado, mais a frente, que n\u00e3o h\u00e1 base s\u00f3lida na Regra de Sharp.<\/p>\n<p>Como estamos falando de tradu\u00e7\u00e3o e exegese, precisamos considerar o modo de como o escritor sagrado, no caso Paulo, apresenta Deus e Jesus, e ele o faz  em abundantes passagens com distin\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso o pr\u00f3prio Paulo usa a part\u00edcula KAI entre substantivos, nas condi\u00e7\u00f5es abrangidas pela Regra, sem que esses substantivos sejam exatamente a mesma coisa ou pessoa, e, curiosamente tanto os tradutores quanto os gram\u00e1ticos, al\u00e9m de n\u00e3o tentarem justificar ou desfazer, entendem que, de fato, n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa ou pessoa, pois na realidade n\u00e3o s\u00e3o, e, o que \u00e9 melhor, essa identifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 ao alcance de todos n\u00f3s, em especial ao estudante da B\u00edblia mais atento, por exemplo: Ef. 2.20: \u201c<em>Edificados sobre o fundamento dos ap\u00f3stolos e dos profetas<\/em>\u201d &#8211; \u201c\u1f10\u03c0\u1f76 \u03c4\u1ff7 \u03b8\u03b5\u03bc\u03b5\u03bb\u03af\u1ff3 \u03c4\u1ff6\u03bd \u1f00\u03c0\u03bf\u03c3\u03c4\u03cc\u03bb\u03c9\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u03c0\u03c1\u03bf\u03c6\u03b7\u03c4\u1ff6\u03bd\u201d (epi t\u00f4[i] Themeli\u00f4[i] TON apostolon KAI prof\u00eat\u00f4n), naturalmente n\u00e3o se pode admitir iguais ap\u00f3stolos e profetas, pois muitos sequer viveram na mesma \u00e9poca. E o pr\u00f3prio NT diz que o Senhor deu: \u201c&#8230; <em>outros para pastores e mestres<\/em>\u201d (\u03c4\u03bf\u1f7a\u03c2 \u03b4\u1f72 \u03c0\u03bf\u03b9\u03bc\u03ad\u03bd\u03b1\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b4\u03b9\u03b4\u03b1\u03c3\u03ba\u03ac\u03bb\u03bf\u03c5\u03c2) &#8211; Ef. 4.11, mostrando que s\u00e3o distintos.<\/p>\n<p>At. 17.18 \u201c\u03c4\u1ff6\u03bd \u1f18\u03c0\u03b9\u03ba\u03bf\u03c5\u03c1\u03b5\u03af\u03c9\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u03a3\u03c4\u03bf\u03ca\u03ba\u1ff6\u03bd\u201d (T\u00d4N Epicurei\u00f4n KAI Stoik\u00f4n) Evidentemente Est\u00f3icos e Epicureus n\u00e3o eram os mesmos filos\u00f3fos.<\/p>\n<p>II Co. 10.1 \u201c\u03c4\u1fc6\u03c2 \u03c0\u03c1\u03b1\u03b0\u03c4\u03b7\u03c4\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f10\u03c0\u03b9\u03b5\u03b9\u03ba\u03b5\u03af\u03b1\u03c2 \u03c4\u03bf\u1fe6 \u03a7\u03c1\u03b9\u03c3\u03c4\u03bf\u1fe6\u201d (T\u00caS praut\u00eatos KAI epieike\u00edas tou Chistou), Paulo, nitidamente, n\u00e3o pretendeu dizer que mansid\u00e3o e benignidade fossem uma s\u00f3 qualidade de Cristo.<\/p>\n<p>I Ts. 2.12 \u201c\u03b5\u1f30\u03c2 \u03c4\u1f74\u03bd \u1f11\u03b1\u03c5\u03c4\u03bf\u1fe6 \u03b2\u03b1\u03c3\u03b9\u03bb\u03b5\u03af\u03b1\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b4\u03cc\u03be\u03b1\u03bd\u201d (heis TEN heautou basileian KAI doxan), tamb\u00e9m reino e gl\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o coisas iguais.<\/p>\n<p>Ef. 3.18 \u201c\u03c4\u03af \u03c4\u1f78 \u03c0\u03bb\u03ac\u03c4\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03bc\u1fc6\u03ba\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b2\u03ac\u03b8\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f55\u03c8\u03bf\u03c2\u201d (ti TO platos KAI m\u00eakos KAI bathos KAI hypsos)  n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre \u201clargura\u201d, \u201ccomprimento\u201d, \u201caltura\u201d e \u201cprofundidade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 somente em Paulo que vemos n\u00e3o ser v\u00e1lida a regra de Sharp, pois nos evangelho tamb\u00e9m encontramos situa\u00e7\u00f5es em que a \u201cregra\u201d n\u00e3o se aplica. Mt. 21.12 \u201c\u1f10\u03be\u03ad\u03b2\u03b1\u03bb\u03b5\u03bd \u03c0\u03ac\u03bd\u03c4\u03b1\u03c2 \u03c4\u03bf\u1f7a\u03c2 \u03c0\u03c9\u03bb\u03bf\u1fe6\u03bd\u03c4\u03b1\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f00\u03b3\u03bf\u03c1\u03ac\u03b6\u03bf\u03bd\u03c4\u03b1\u03c2 \u1f10\u03bd \u03c4\u1ff7 \u1f31\u03b5\u03c1\u1ff7\u201d (ekebalen pantas tous p\u00f4lountas kai agorazontas en t\u00f4 hier\u00f4), certamente \u201cvender\u201d e \u201ccomprar\u201d n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa.<\/p>\n<p>Entender Tito 2.13, como se estivesse falando da mesma pessoa (Ess\u00eancia, divindade, etc.) s\u00f3 se admite quando j\u00e1 se cr\u00ea de antem\u00e3o nisso, n\u00e3o que o texto grego, por si s\u00f3, o indique, caso contr\u00e1rio, nos exemplos citados; \u201cap\u00f3stolo\u201d e \u201cprofeta\u201d seriam a mesma coisa, de igual modo \u201creino\u201d e \u201cgl\u00f3ria\u201d, tamb\u00e9m \u201clargura\u201d, \u201ccomprimento\u201d, \u201caltura\u201d e \u201cprofundidade\u201d,  dentre outros, posto que a regra de Sharp \u201cdetermina\u201d isso.<\/p>\n<p>A regra elaborada pelo estudioso, como se v\u00ea, n\u00e3o d\u00e1 apenas uma seguran\u00e7a aparente ao estudante da l\u00edngua grega, e, embora seja trinitariano termina, tamb\u00e9m, por contrapor um outro vers\u00edculo muito usado pelos defensores dessa doutrina que \u00e9 Jo. 20.28, pois l\u00e1 lemos, em grego: \u201c\u1f41 \u03ba\u03cd\u03c1\u03b9\u03cc\u03c2 \u03bc\u03bf\u03c5 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f41 \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 \u03bc\u03bf\u03c5\u201d, a frase muito lida mas pouco estuda: \u201c<em>Senhor meu e Deus meu<\/em>\u201d \u00e9 o oposto do determinado pela regra de Sharp, ou seja, por sua regra este n\u00e3o se refere ao mesmo ente. Essa ideia est\u00e1 ratificada em sua sexta regra: \u201c<em>E, como a inser\u00e7\u00e3o da copulativa KAI entre substantivos do mesmo caso, sem artigos, indica que o segundo substantivo exprime uma outra pessoa, coisa, ou qualidade, a partir do substantivo anterior, assim, de igual modo, o mesmo efeito copulativo quando cada um dos substantivos \u00e9 precedido de artigos.<\/em>\u201d, e ele cita como apoio a essa regra as ocorr\u00eancia contidas em Jo. 1.17, Jo. 2.22, Jo. 11.44, Cl. 2.2, II Tm. 1.5, I Pd. 4.11. De modo que, tanto pela primeira regra de Granville Sharp, quanto pela sexta regra, Jo. 20.28 n\u00e3o se refere a mesma pessoa ou ser, curiosamente se coloca esse verso de Jo\u00e3o com exce\u00e7\u00e3o \u00e0s regras que definem o entendimento sobre Tt. 2.13. Mas, s\u00f3 para, humildemente, mostrar que ao menos essas duas regras de Sharp n\u00e3o servem nem para uma coisa, nem para outra, seria oportuno lermos Ap. 2.26 \u201c<em>Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras at\u00e9 o fim, eu lhe darei autoridade sobre as na\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d que apresenta \u201c\u03ba\u03b1\u1f76 \u1f41 \u03bd\u03b9\u03ba\u1ff6\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f41 \u03c4\u03b7\u03c1\u1ff6\u03bd\u201d (KAI HO nik\u00f4n KAI HO t\u00ear\u00f4n), n\u00e3o como pessoas diferentes, mas o mesmo indiv\u00edduo. Todos individualmente t\u00eam que \u201cVencer\u201d e \u201cGuardar\u201d. O mesmo precisar\u00e1 ser VENCEDOR e GUARDADOR.<\/p>\n<p>Ao que parece Sharp estava procurando um meio de legitimar sua pr\u00f3pria cren\u00e7a preexistente, e criou regras que, olhando para os vers\u00edculos citados, parecem n\u00e3o ter apoio pleno das escrituras. Assim, sugere-se ao leitor que antes de tomar como base as regras desse ilustre gram\u00e1tico, se detenha, como sempre tenho insistido e mostrado, ao contexto amplo das escrituras para poder firmar seu entendimento.<\/p>\n<p>Recentemente Sharp ganhou um defensor de peso, o Dr. James R. White. Ele escreveu um artigo<a href=\"#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a> defendendo a \u201cinfalibilidade\u201d da regra de Sharp, embora se saiba que h\u00e1 gram\u00e1ticos e estudiosos trinitaristas e  unitaristas como Calvin Winstaley, representante do primeiro grupo, e Andrews Norton, representante do segundo, que n\u00e3o concordam com infalibilidade ou mesmo validade da dita regra.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio James White registra que al\u00e9m de n\u00e3o ser aceita por todos os peritos em grego h\u00e1, ainda, gram\u00e1ticos que mesmo concordando com ele, tem defini\u00e7\u00f5es diferentes de sua regra. A esse respeito respeito ele diz: \u201c<em>&#8230; para minha surpresa, eu descobri que nenhuma destas defini\u00e7\u00f5es, mesmo a de Dana e Mantey, refletem com exatid\u00e3o o que Granville Sharp realmente disse ou quis dizer<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a>, ou seja, a regra de Sharp \u00e9 t\u00e3o pol\u00eamica e sujeita a nuances que mesmo os gram\u00e1ticos n\u00e3o captaram, conforme afirma James White, com exatid\u00e3o a ideia que se atribui ao estudioso.<\/p>\n<p>Segundo White, Sharp determinou que \u201c<em>Quando um kai copulativo conecta dois nomes do mesmo caso [ou seja nomes (tanto substantivo ou adjetivo ou partic\u00edpio) de descri\u00e7\u00e3o pessoal, a respeito de of\u00edcio, dignidade, afinidade ou conex\u00e3o e atributos, propriedades ou qualidades, bom ou mal,] se o artigo ho, ou qualquer um de seus casos, preceder o primeiro dos distos nomes ou partic\u00edpios, e n\u00e3o for repetido antes do segundo nome ou partic\u00edpio, o \u00faltimo sempre se relaciona \u00e0 mesma pessoa que \u00e9 expressa ou descrita pelo primeiro nome ou partic\u00edpio: isto \u00e9, ele denota uma maior descri\u00e7\u00e3o da primeira pessoa nomeada<\/em>\u201d (site idem). Obs.: Aqui n\u00e3o se sabe se os colchetes e par\u00eanteses, tamb\u00e9m s\u00e3o de Graville Sharp. A reda\u00e7\u00e3o indicada por White, no que difira da de Dana &amp; Mantey, n\u00e3o \u00e9 suficiente para mudar o argumento contr\u00e1rio \u00e0 regra.<\/p>\n<p>Curiosamente White diz que \u201c<em>essa regra n\u00e3o possui exce\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, mas n\u00e3o \u00e9 isso que os pr\u00f3prios textos gregos, como vimos, mostraram. Na verdade, ele mesmo se encarrega de informar as restri\u00e7\u00f5es da dita \u201cregra\u201d, pois avisa de antem\u00e3o que em uma frase toda de acordo com a \u201cregra\u201d se aparecerem nomes pr\u00f3prios, ent\u00e3o, ela n\u00e3o se aplica. Isso \u00e9 uma t\u00edpica exce\u00e7\u00e3o \u00e0 defini\u00e7\u00e3o \u201c<em>Quando um kai copulativo conecta dois nomes do mesmo caso\u201d<\/em>. Mas, n\u00e3o se aplica por uma quest\u00e3o \u00f3bvia; ela seria uma proposta esdr\u00faxula em determinadas ocorr\u00eancias! Veja um exemplo pr\u00e1tico: Se diss\u00e9ssemos levando em conta as informa\u00e7\u00f5es contidas no N.T, em grego: \u201cO Paulo e negador Pedro\u201d. A palavra \u201cnegador\u201d est\u00e1 indubitavelmente associada a Pedro e jamais inferir\u00edamos que Paulo e Pedro fossem um \u00fanico \u201cnegador\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 clara quando h\u00e1 nomes pr\u00f3prios, e, clara tamb\u00e9m \u00e9 a impossibilidade da regra, por isso, de cara, o defensor dela exclui a exce\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar a construir uma regra \u201csem\u201d exce\u00e7\u00f5es. O problema \u00e9 que se diss\u00e9ssemos \u201cO Deus e Salvador Jesus\u201d, constru\u00e7\u00e3o id\u00eantica, Sharp teria pretendido reconhecer ai uma identidade: Jesus como sendo Deus e Salvador, mas nesse caso Pedro tamb\u00e9m seria Paulo, que tamb\u00e9m seria \u201cnegador\u201d. Pela flagrante fragilidade da regra \u00e9 que se exclui os nomes pr\u00f3prios, embora que o pr\u00f3prio nome JESUS, em Tt. 2.13, \u00e9 um nome pr\u00f3prio, mas nesse caso ele seria considerado fora do escopo da regra, embora pertencente a frase em que a regra seria aplicada. Outra necessidade \u00e9 a de considerarmos \u201cDeus\u201d ali como t\u00edtulo e n\u00e3o como substituto indicativo do nome do Pai, como se v\u00ea, por exemplo, em Jo. 8.42 \u201c<em>Se Deus <\/em>(Iahweh)<em> fosse o vosso Pai<\/em>\u201d. Mas n\u00e3o para por ai. Outras exce\u00e7\u00f5es precisam ser elencadas e desconsideradas para que os ditos de Sharp, nos moldes propostos por White, possam ter \u201cvalidade\u201d.<\/p>\n<p>Outra constru\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra \u00e9 quando houver plurais, ou seja, mesmo que todos os requisitos ditos pela \u201cregra\u201d estejam presentes, se um dos nomes ou ambos forem plurais ela n\u00e3o se aplica, e, n\u00e3o s\u00f3 plurais gramaticais, mas plurais sem\u00e2nticos tamb\u00e9m, ou seja, mesmo que tenhamos palavras no singular, se elas forem semanticamente plurais a regra n\u00e3o se aplica. E por que n\u00e3o se aplicam, porque denunciaria, mais uma vez, a fragilidade da regra, pois, de cara, um plural e um singular tornar\u00e1 expl\u00edcito o n\u00e3o atendimento \u00e0 pretens\u00e3o de Sharp. Se inclui nesse grupo tamb\u00e9m os numerais.<\/p>\n<p>Mas, ainda n\u00e3o para por ai. Se forem objetos ou coisas, mesmo que estejam exatamente em uma constru\u00e7\u00e3o grega abrangida pela regra, James White diz que ela tamb\u00e9m n\u00e3o se aplica, e ele diz isso porque de igual modo revelaria falha de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Denuncia-se, ent\u00e3o, a inefic\u00e1cia da regra, para que ela seja considerada de alguma foram v\u00e1lida, ainda que nos exatos moldes requeridos por Sharp, pois despreza-se sua ocorr\u00eancia quando h\u00e1 nomes pr\u00f3prios, quando h\u00e1 plurais na constru\u00e7\u00e3o (inclusive sem\u00e2nticos e numerais), quando h\u00e1 objetos, coisas envolvidas ou substantivos abstratos, como, por exemplo: amor, \u00f3dio, etc. Quais as raz\u00f5es dessas restri\u00e7\u00f5es? Em termos gramaticais nenhuma, elas foram exclu\u00eddas, simplesmente pelo fato de, em sendo consideradas, desterra completamente a inten\u00e7\u00e3o de se ver em em Tt. 2.13 a afirma\u00e7\u00e3o de que Jesus seja o Grande Deus. Excluindo-se todas essas exce\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o, James R. White diz: \u201c<em>Essa regra n\u00e3o tem exce\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d(?). Desse jeito n\u00e3o poderia ter mesmo! Se simplesmente desconsiderarmos todas as exce\u00e7\u00f5es de todas as regras, teremos todas as regras sem exce\u00e7\u00e3o. Certo professor de matem\u00e1tica que tive na inf\u00e2ncia, brincalh\u00e3o, dizia para divertir a turma: \u201cFulana? Ah, fulana \u00e9 uma pessoa maravilhosa. Tirando todos os defeitos, ela \u00e9 uma pessoa sem defeitos\u201d. Aplicando isso \u00e0 regra de Sharp: \u201cTirando todas as exce\u00e7\u00f5es ela \u00e9 uma regra sem exce\u00e7\u00f5es\u201d. Al\u00e9m do mais quem excluiu essas exce\u00e7\u00f5es foi Sharp mesmo ou White tentando solidificar sua cren\u00e7a?<\/p>\n<p>White reivindica tamb\u00e9m o fato do verso 14 apontar para Jesus como uma suposta prova de que o verso 13 indica apenas Jesus, mas tamb\u00e9m isso n\u00e3o \u00e9 verdadeiro se olharmos para outras passagens b\u00edblicas como, por exemplo,  Gl. 1.3,4: \u201c<em>Gra\u00e7a e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, (4) o qual se deu a si mesmo por nossos pecados,&#8230;<\/em>\u201d. Perceba que o verso 4 se relaciona apenas com Jesus, embora no verso 3 fala-se de Deus e de Jesus, sem misturar ambos, pois n\u00e3o foi o Pai que morreu por nossos pecados.<\/p>\n<p>A \u201cregra\u201d de Sharp \u00e9 de tal forma prec\u00e1ria, que depois de enunci\u00e1-la n\u00e3o poderemos aplic\u00e1-la a qualquer texto grego que possivelmente seria abrangido por ela, sem antes termos que selecion\u00e1-los, escolher os textos, excluindo todos aqueles onde ela se mostra falha, chamando-os de restri\u00e7\u00f5es, para podermos dizer que ela se aplica em determinado lugar. Na verdade, ela nem deveria ser chamada de regra de gram\u00e1tica, pois \u00e9 igualmente deficiente se tentarmos aplic\u00e1-la a textos gregos fora do Novo Testamento, e n\u00e3o se pode fundamentar um regra de gram\u00e1tica de uma l\u00edngua em apenas partes selecionadas de determinada obra, no caso o Novo Testamento, visto que ele \u00e9 apenas uma pequena parte, independentemente do grau de import\u00e2ncia, da multid\u00e3o de obras escritas em Koin\u00e9<a href=\"#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a> no per\u00edodo em que esse dialeto esteve em uso no mundo grego.<\/p>\n<p>Excluindo-se as constru\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que denunciam a inexist\u00eancia ou mesmo inefic\u00e1cia da regra de Sharp, o que restou foram os pontos onde se pode ter ou n\u00e3o alguma ambiguidade. \u00c9 fazendo uso dessa possibilidade que Sharp \u201cdetermina\u201d, em Tt. 2.13, \u00e9 a mesma pessoa. No entanto, ao desconsiderar a contextualiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente local, mas a investiga\u00e7\u00e3o ampla de como o escritor sagrado percebia Pai e Filho, veremos que a sugest\u00e3o de Sharp produz leituras estranhas ao que \u00e9 ensinado na B\u00edblia de forma abrangente e consolidada. H\u00e1, por exemplo, uma reivindica\u00e7\u00e3o de Ef. 5.5 como sendo ocorr\u00eancia da regra: \u201c<em>Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual \u00e9 id\u00f3latra, <\/em><em><strong>tem heran\u00e7a no reino de Cristo e de Deus.<\/strong><\/em>\u201d Aqui a Almeida Corrigida Fiel verteu similarmente a King James Version: \u201c<em>For this ye know, that no whoremonger, nor unclean person, nor covetous man, who is an idolater, <\/em><em><strong>hath any inheritance in the kingdom of Christ and of God<\/strong><\/em><em>.<\/em>\u201d Em ambas as tradu\u00e7\u00f5es de original grego, \u201c\u03bf\u1f50\u03ba \u1f14\u03c7\u03b5\u03b9 \u03ba\u03bb\u03b7\u03c1\u03bf\u03bd\u03bf\u03bc\u03af\u03b1\u03bd \u1f10\u03bd \u03c4\u1fc7 \u03b2\u03b1\u03c3\u03b9\u03bb\u03b5\u03af\u1fb3 \u03c4\u03bf\u1fe6 \u03a7\u03c1\u03b9\u03c3\u03c4\u03bf\u1fe6 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u03bf\u1fe6\u201d, se tem o entendimento direto, comum e natural do que o verso quer dizer: \u201c<em><strong>&#8230; n\u00e3o tem heran\u00e7a no reino de Cristo e de Deus<\/strong><\/em>\u201d, dois entes distintos e separados, Pai e Filho, mas, segundo a regra em estudo dever\u00edamos entender \u201c&#8230; no reino de Cristo, [nosso] Deus.\u201d ou \u201c&#8230; no reino de Cristo e Deus\u201d (entendido como um s\u00f3 ente), ou seja, ele estaria falando de Jesus duas vezes al\u00e9m de excluir a comum identifica\u00e7\u00e3o do Pai no reino, quando isso \u00e9 abundantemente atestado nas escrituras em pelo menos <strong>70<\/strong> (<strong>setenta<\/strong>) ocorr\u00eancias da express\u00e3o \u201cReino de Deus\u201d, ao passo que \u201cReino de Cristo\u201d, temos uma \u00fanica, o pr\u00f3prio Ef. 5.5. Jesus Cristo, nas Escrituras, n\u00e3o \u00e9 identificado como o Deus que reina, mas como o Rei constitu\u00eddo por Deus e que na consuma\u00e7\u00e3o de todas as coisas entregar\u00e1 o reino a Deus, seu Pai. I Co. 15.24.<\/p>\n<p>A chamada regra de Sharp tem encolhido seu campo de abrang\u00eancia com o passar dos anos, para que alguns ainda a possam chamar de regra.  D.A Carlson, acredita que apenas \u201cesta vers\u00e3o &#8216;mais branda&#8217; da regra de Sharpe realmente se sustenta\u201d.<\/p>\n<p>Dentro da B\u00edblia mesmo, em Pv. 24.21 temos, na septuaginta \u201c\u03c6\u03bf\u03b2\u03bf\u1fe6 \u03c4\u1f78\u03bd \u03b8\u03b5\u03cc\u03bd \u03c5\u1f31\u03ad \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b2\u03b1\u03c3\u03b9\u03bb\u03ad\u03b1 &#8230; \u201d (&#8230;<em>teme ao Senhor, filho, e ao rei<\/em>), de modo que ainda que se busque atender todos os requisitos pelo Dr. James R. White para tornar a regra de Sharp plenamente v\u00e1lida, ainda assim, este verso de Prov\u00e9rbios mostra que ela \u00e9 falha.<\/p>\n<p>Agora, al\u00e9m de todos esses fatos, considere a quest\u00e3o da razoabilidade. Todos sabem que uma das coisas que difere o grego koin\u00e9 do cl\u00e1ssico \u00e9 a quebra de regras, a falta de um padr\u00e3o estrito. At\u00e9 mesmo no cl\u00e1ssico h\u00e1 quebra de regras e no koin\u00e9 isso \u00e9 muito mais acentuado. Era a l\u00edngua das massas. A proposta de Sharp, ainda que deficiente, mesmo nos moldes de White, revelaria que os escritores do Novo Testamento n\u00e3o teriam se preocupado em ensinar aberta e explicitamente o dogma trinit\u00e1rio na \u00e9poca em que viveram, eles teriam achado mais apropriado ensinar o dogma fazendo uso de uma forma meio codificada de escrita, e ainda assim, sabe-se l\u00e1 porque raz\u00e3o, tal expediente teria ficado oculto esse tempo todo, quase vinte s\u00e9culos, e somente descoberta depois de s\u00e9culos e s\u00e9culos de plena atividade tanto de hist\u00f3ria liter\u00e1ria quanto de gram\u00e1tica grega. Embora n\u00e3o haja qualquer evid\u00eancia em nenhum documento gramatical ou em qualquer fonte antiga do ensino da l\u00edngua grega que essa regra tenha existido ou mesmo que os antigos escrevessem tendo por base esse paradigma, admitamos, na remot\u00edssima hip\u00f3tese, que os escritores do Novo Testamento e somente eles em todo mundo de fala grega do primeiro s\u00e9culo tenham usado aquilo que Sharp diz ter existido, ent\u00e3o, os ap\u00f3stolos teriam preferido uma regra deficit\u00e1ria, pol\u00eamica e contest\u00e1vel, cheia de exce\u00e7\u00f5es e geradora de mais debates do que produ\u00e7\u00e3o de resultado, para que algu\u00e9m depois de excluir as exce\u00e7\u00f5es a chamasse de regra sem exce\u00e7\u00e3o, e, somente depois disso se afirmasse com ela que o grego ensina indubitavelmente a trindade, ou seja, quem ensinaria a trindade dentro da B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 explicitamente as Escrituras, mas uma \u201cregra\u201d oculta por quase 20 s\u00e9culos que teria passado despercebida por todos os peritos que debateram a quest\u00e3o cristol\u00f3gica em seu auge, essa que seria uma ferramenta \u00f3bvia para provar a deidade de Cristo. Isso equivale dizer que o pr\u00f3prio Deus teria se negado a se identificar como dois ou tr\u00eas para, ent\u00e3o, por meio de um suposta regra oculta aos olhos dos gram\u00e1ticos e dos debates teol\u00f3gicos em mil\u00eanios de hist\u00f3ria da l\u00edngua grega, passar, agora, a ensinar a seus filhos, inclu\u00eddos ai as pessoas de saber simples, que ele na verdade \u00e9, pelo menos, dois e no m\u00e1ximo tr\u00eas (?), se afastando da simplicidade que h\u00e1 em Cristo. II Co. 11.3.<\/p>\n<p>A quem reivindique a ocorr\u00eancia da palavra \u201c\u1f10\u03c0\u03b9\u03c6\u03ac\u03bd\u03b5\u03b9\u03b1\u201d (epifaneia) em Tt. 2.13 como aquela que sempre aponta para Jesus e com isso pretendem considerar o ser de \u201cDeus\u201d e o ser de \u201cJesus\u201d nesse vers\u00edculo como sendo o mesmo, mas \u00e9 de se observar que o verso de Tito, em estudo, n\u00e3o diz que Deus ir\u00e1 aparecer, nem fala da epifaneia de Deus, fala, na verdade, do \u201c<em><span style=\"text-decoration: underline;\">aparecimento da gl\u00f3ria<\/span><\/em><em> do grande Deus<\/em>\u201d, e, nesse sentido Jesus mesmo diz em Jo. 8.54 \u201d&#8230;<em><span style=\"text-decoration: underline;\">quem me glorifica \u00e9 meu Pai<\/span><\/em><em>, o qual dizeis que \u00e9 vosso Deus<\/em>\u201d e, ainda,  Mt. 16.27 que mais explicitamente diz: \u201c<em>Porque o Filho do homem <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>vir\u00e1 na gl\u00f3ria de seu Pai<\/strong><\/span><\/em><em>, com os seus anjos; e ent\u00e3o dar\u00e1 a cada um segundo as suas obras<\/em>\u201d, bem como lucas Lc. 9.26 \u201c<em>&#8230;o Filho do Homem, <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>quando vier na sua gl\u00f3ria, e na do Pai<\/strong><\/span><\/em><em> e dos santos anjos.<\/em>\u201d, Jesus Cristo vir\u00e1 na gl\u00f3ria de Deus, seu Pai. N\u00e3o \u00e9 Deus que vir\u00e1 pessoalmente com ele.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a> Sem \tartigo<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a> Georg \tBenedict Winer \u2013 Filho de um padeiro de Viena, Austria, que \ttornou-se PhD em Teologia pela Universidade de Rostock. \u00c9 escritor \tde v\u00e1rios livros na \u00e1rea e autor de  A Grammar of the idiom of the \tNew Testament (Gram\u00e1tica do Idioma do Novo Testamento), e Hebrew \tand Chaldee lexicon to the Old Testament Scriptures (L\u00e9xico \tHebraico e Caldeu para os Livros do Antigo Testamento) produzido \toriginalmente em latim.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a> <em>Apud <\/em> Dana &amp; Mantey in  <em>A Manual of The Greek New \tTestament, <\/em>p\u00e1g. \t147<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote4anc\">4<\/a> http:\/\/www.e-cristianismo.com.br\/pt\/teologia\/apologetica\/129-granville-sharp<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote5anc\">5<\/a> Idem<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote6anc\">6<\/a> Koin\u00e9 \tsignifica comum ou popular, assim era conhecido o dialeto grego \tcomumente falado na \u00e9poca de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tt. 2.13 &#8211; Precisamos saber porque ele foi traduzido \u201caparecimento da gl\u00f3ria do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,\u201d e 2 Ts.1.12, que tem igual constru\u00e7\u00e3o em l\u00edngua grega foi traduzido por \u201ca gra\u00e7a de nosso Deus e DO Senhor Jesus Cristo\u201d (destaquei). O texto original de Tt. 2.13, pode tranquilamente e corretamente ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}