{"id":47,"date":"2010-05-03T15:10:32","date_gmt":"2010-05-03T18:10:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unitarismobiblico.com\/1\/?p=47"},"modified":"2010-05-03T15:10:32","modified_gmt":"2010-05-03T18:10:32","slug":"is-96","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/2010\/05\/03\/is-96\/","title":{"rendered":"Is. 9:6"},"content":{"rendered":"<p><strong>Isa\u00edas 9.6 <\/strong>\u201c&#8230; <em>e se chamar\u00e1 o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, <\/em><em><strong>Deus Forte, Pai da Eternidade<\/strong><\/em><em>, Pr\u00edncipe da Paz.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Deve-se observar, ao lermos este verso de Isa\u00edas, que os nomes judeus trazem uma mensagem; principalmente os nomes teof\u00f3ricos, mas n\u00e3o necessariamente uma atribui\u00e7\u00e3o de identidade pessoal. \u00c9 poss\u00edvel encontramos nas Escrituras v\u00e1rios nomes significativos como, por exemplo, Je\u00fa  (Yahweh, Ele o \u00e9), mas Je\u00fa n\u00e3o era Yahweh; Eli (Meu Deus), mas certamente Eli n\u00e3o era o nosso Deus;  Jeiel (Deus Consola), mas aquele homem n\u00e3o era o Deus que consolava e etc. Vale lembrar que traduzir os nomes em Isa\u00edas 9.6, n\u00e3o est\u00e1 errado, mas para uniformizar deveriam ter traduzido todos os nomes da B\u00edblia e ent\u00e3o, se for leg\u00edtimo o crit\u00e9rio que v\u00ea em Is. 9.6 uma atribui\u00e7\u00e3o de deidade a Jesus, conhecer\u00edamos, por consequ\u00eancia um monte de candidatos a \u201cDeus encarnado\u201d, dentre eles Je\u00fa, Eli, Jeiel e etc. Destaque-se que Jr. 33.16 diz que Jerusal\u00e9m ser\u00e1 chamada de \u201cYahweh \u00e9 a nossa justi\u00e7a\u201d, mas essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o intenta dizer que a cidade de Jerusal\u00e9m \u00e9 o pr\u00f3prio Yahweh.<\/p>\n<p>O nome \u201cDeus Forte\u201d que \u00e9 um dos destaques dessa rela\u00e7\u00e3o de nomes, comumente usado para dizer que Jesus \u00e9 o pr\u00f3prio Deus, na verdade \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o de \u201c\u05d0\u05b5\u05dc \u05d2\u05b4\u05bc\u05d1\u05b9\u05bc\u05d5\u05e8\u201d (El-Gibor), mas al\u00e9m do argumento exposto acima poderemos perceber que tais palavras n\u00e3o atribuem deidade a quem lhes \u00e9 dirigida por outro motivo. Basta verificarmos Ez. 31.11 onde vemos que os tradutores n\u00e3o verteram a palavra \u201c\u05d0\u05b5\u05d9\u05dc\u201d por \u201cDeus\u201d como fazem em Is. 9.6, ao ser atribu\u00edda ao rei de Babil\u00f4nia; preferiram traduzir por \u201c<em>poderoso<\/em>\u201d. Caso semelhante tamb\u00e9m vemos em Ez. 32.21 quando lemos \u201c<em><span style=\"text-decoration: underline;\">Os poderosos<\/span><\/em><em> entre os valentes lhe falar\u00e3o desde o meio do Seol, &#8230;<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a> (ARA), \u201c<em>Os poderosos<\/em>\u201d \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o de \u201c\u05d0\u05b5\u05dc\u05b5\u05d9 \u05d2\u05b4\u05d1\u05b9\u05bc\u05d5\u05e8\u05b4\u05d9\u05dd\u201d (Elei-Giborim = Deuses Fortes), plural da mesma express\u00e3o usada em Is. 9.6. N\u00e3o precisamos dizer que essas palavras n\u00e3o s\u00e3o um atestado de deidade \u00e0queles a quem foi direcionado o vers\u00edculo de Ezequiel<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>, de igual modo n\u00e3o o \u00e9 a Nosso Senhor Jesus Cristo aquela ocorr\u00eancia em Isa\u00edas. At\u00e9 porque se o nascido menino Jesus (<em>um menino nos nasceu<\/em>) fosse literalmente o Deus Forte, por quem teria sido abandonado 33 anos depois, na cruz, quando disse em Mt. 27.46: \u201c<em>Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?<\/em>\u201d. Aqui n\u00e3o se pode alegar que ele tenha sido abandonado pela hip\u00f3stase (pessoa) Pai, pois o vers\u00edculo n\u00e3o diz \u201cPai meu\u201d, mas \u201cDeus meu\u201d (a subst\u00e2ncia<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>).<\/p>\n<p>Quanto ao nome \u201c<em>Pai da Eternidade<\/em>\u201d ou \u201c<em>Pai Eterno<\/em>\u201d como preferem outras vers\u00f5es, tamb\u00e9m precisa ser contextualizado, pois, al\u00e9m da quest\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es dos nomes j\u00e1 abordada, a B\u00edblia n\u00e3o apresenta, em sentido divino, dois \u201cpais\u201d, mas apenas um, Deus, que \u00e9 o Pai de Jesus, e, isso \u00e9 dito por Ele mesmo, Mt. 23.9 \u201c<em>E a ningu\u00e9m na terra chameis vosso pai, porque um s\u00f3 \u00e9 o vosso Pai, o qual est\u00e1 nos c\u00e9us<\/em>\u201d, e, o pr\u00f3prio credo atanasiano, trinit\u00e1rio, diz: \u201c<em><span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o confundido as pessoas<\/span><\/em><em> <\/em><em>nem dividindo a subst\u00e2ncia<\/em>\u201d. De modo que n\u00e3o pode haver dois \u201cpais\u201d. Jesus pode ser considerado como nomeado \u201cPai da Eternidade\u201d, mas n\u00e3o no sentido ontol\u00f3gico como Deus \u00e9 reconhecido como Pai, mas no sentido messi\u00e2nico, que por sinal \u00e9 o objetivo desse verso de Isa\u00edas, pois \u00e9 por Ele que obtemos a eternidade, Rm. 6.23 \u201c&#8230;<em> <\/em><em>o dom gratuito de Deus \u00e9 <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">a vida eterna, por Cristo Jesus<\/span><\/em><em> nosso Senhor<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 de se ressaltar tamb\u00e9m que o pr\u00f3prio nome <em>Jesus <\/em>(Yehweh \u00e9 salva\u00e7\u00e3o) n\u00e3o era um nome in\u00e9dito, tanto que \u00e9 uma forma do nome Josu\u00e9, e como tal \u00e9 encontrado em At. 7.45, Hb. 4.8, onde lemos Josu\u00e9, est\u00e1 no original grego Jesus (iesous). O ap\u00f3stolo Paulo mesmo teve um colaborador de nome Jesus, conhecido como o justo, Cl. 4.11. Diga-se de passagem que El-Gibbor (Deus poderoso) \u00e9, curiosamente, mais usado pelos trinitarianos para dizer que o Filho de Deus \u00e9 Deus, que seu pr\u00f3prio nome de nascimento, Jesus, mas isso sem d\u00favidas decorre do fato do nome Jesus ser mais comum na B\u00edblia que o nome \u201cEl-Gibbor\u201d, como se este \u00faltimo desse um ar de distin\u00e7\u00e3o ao argumento, no entanto est\u00e1 provado que \u201cEl-Gibbor\u201d al\u00e9m de n\u00e3o ser tamb\u00e9m in\u00e9dito, n\u00e3o \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o de deidade a quem o possui. Assim, por mais de um motivo n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para afirmar igualdade entre Jesus e Deus por conta dos nomes naquele verso de Isa\u00edas. Quando dizemos que o nome Jesus \u00e9 especial n\u00e3o estamos nos referindo ao anagrama formado pelas letras, mas o que Ele representa.<\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a> A \tvers\u00e3o da Almeida Fiel traz: \u201c<em>Os mais poderosos dos fortes lhe \tfalar\u00e3o desde o meio do inferno&#8230;<\/em>\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a> Ainda \tem Ez. 31.12 encontramos \u05d0\u05b5\u05a3\u05dc \t traduzido \tpor governante o que parece estar em harmonia com aquele contexto \tque ao se refere a um rei. Se considerarmos que o Is. 9.6 tamb\u00e9m \taponta para o futuro monarca, Jesus Cristo, ent\u00e3o, cabe ali, com \tmuita propriedade a tradu\u00e7\u00e3o \u201cgovernante forte\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a> Definir \tDeus como uma subst\u00e2ncia composta por hip\u00f3stases n\u00e3o \u00e9 uma \tdefini\u00e7\u00e3o b\u00edblica, mas uma arranjo teol\u00f3gico da era \tp\u00f3s-apost\u00f3lica para tentar justificar, ante as dificuldades que \tsurgem quando analisada mais a fundo, a doutrina da trindade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isa\u00edas 9.6 \u201c&#8230; e se chamar\u00e1 o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Pr\u00edncipe da Paz.\u201d Deve-se observar, ao lermos este verso de Isa\u00edas, que os nomes judeus trazem uma mensagem; principalmente os nomes teof\u00f3ricos, mas n\u00e3o necessariamente uma atribui\u00e7\u00e3o de identidade pessoal. \u00c9 poss\u00edvel encontramos nas Escrituras v\u00e1rios nomes significativos como, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-47","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}