{"id":54,"date":"2010-05-03T15:31:25","date_gmt":"2010-05-03T18:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unitarismobiblico.com\/1\/?p=54"},"modified":"2010-05-03T15:31:25","modified_gmt":"2010-05-03T18:31:25","slug":"jo-1-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/2010\/05\/03\/jo-1-1\/","title":{"rendered":"Jo. 1.1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo. 1.1,<\/strong> aqui seguramente o foco recai sobre o verso 1: \u201c\u1f18\u03bd \u1f00\u03c1\u03c7\u1fc7 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2 \u1f26\u03bd \u03c0\u03c1\u1f78\u03c2 \u03c4\u1f78\u03bd \u03b8\u03b5\u03cc\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2.\u201d (<em>en arche[i] \u00ean ho logos kai ho logos \u00ean pros ton theon kai theos \u00ean ro logos<\/em>). \u00c9 interessante perceber algumas constru\u00e7\u00f5es gregas que em nossa l\u00edngua n\u00e3o se permite. \u201c\u03c0\u03c1\u03cc\u03c2\u201d (pros) \u00e9 uma preposi\u00e7\u00e3o que indica dire\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o a fus\u00e3o, diferentemente de \u201c\u03b5\u1f37\u03c2\u201d (heis) que indica na dire\u00e7\u00e3o e para dentro, isso pode n\u00e3o parecer nada, mas significa que o logos estava junto, \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de Deus, de forma \u00edntima, face-a-face, mas n\u00e3o \u201cse fundia\u201d com Ele, ou seja, n\u00e3o \u00e9 algo que indique uma \u00fanica divindade absoluta com o Pai, da\u00ed decorre a segunda parte \u201c\u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2\u201d (kai Theos em ho logos). No grego existe a fun\u00e7\u00e3o atributiva e a fun\u00e7\u00e3o predicativa. Esta \u00faltima parte do verso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o predicativa, e \u00e9 importante, pois \u201cpros ton Theon kai Theos&#8230;\u201d, ao se referir \u201c<em>com Deus<\/em>\u201d, Jo\u00e3o usa \u201c\u03c4\u1f78\u03bd \u03b8\u03b5\u03cc\u03bd\u201d (O Deus), e ao falar do \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2  (logos) usa a palavra \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 (Theos) na forma predicativa, permitindo concluirmos a origem divina do Logos, mas n\u00e3o como sendo O Deus Yahweh; de modo que o texto seria melhor entendido como: \u201cO Verbo era divino\u201d, e \u00e9 exatamente dessa forma que o trinitariano Rev. Dr. Waldyr Carvalho Luz entende Jo. 1.1 e este comenta esse texto nos seguintes termos: \u201c<em>Da pr\u00f3pria fraseologia se ver\u00e1 que o substantivo anartro n\u00e3o tem acep\u00e7\u00e3o quantitativa, a individualizar, mas, ao contr\u00e1rio, qualitativa, a qualificar, exatamente o oposto do termo articulado. Logo, <\/em>\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2<em> \u00e9 o predicativo, <\/em>\u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2 <em>o sujeito; &#8211; Destarte, o predicativo <\/em>\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2<em> n\u00e3o est\u00e1 a destacar a pessoa do <\/em>\u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2<em> mas a expressar-lhe a natureza. Em outras palavras, <\/em>\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2<em> n\u00e3o est\u00e1 individualizando <\/em>\u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2<em>, dizendo-o UM DEUS, mas indicando-lhe a ess\u00eancia divinal, qualificando-o como DIVINO; &#8211; Nesta modalidade, o elemento anartro \u00e9 o predicativo, o articulado o sujeito, aquele a especificar a natureza deste<\/em>.\u201d<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a> Vale destacar dessas palavras do Dr. Waldyr a informa\u00e7\u00e3o que \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2<em> <\/em>(Theos) nessa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 quantitativo, ou seja, n\u00e3o foi inten\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o dizer que Jesus era Deus em sua completude, e embora o Dr. Waldyr  use a palavra \u201cess\u00eancia\u201d em seu coment\u00e1rio, est\u00e1 claro que o faz de forma distinta de outros trinitarianos como Agostinho, por exemplo. Definir Deus como uma subst\u00e2ncia composta por hip\u00f3stases n\u00e3o \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o b\u00edblica, mas uma arranjo teol\u00f3gico da era p\u00f3s-apost\u00f3lica para tentar justificar, ante as dificuldades que surgem quando analisada mais a fundo, a doutrina da trindadeo. Conforme vimos em \u201c\u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2\u201d se qualifica sem quantificar.<\/p>\n<p>Assim, fica claro que a fun\u00e7\u00e3o predicativa qualifica, mas n\u00e3o atribui igualdade na deidade. Para atribuir-lhe igualdade o segundo \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 (Theos) tamb\u00e9m deveria vir com \u201c\u1f41\u201d (ho), artigo grego, e com isto concorda o Dr. W. C. Taylor, outro trinitariano, ao citar I Jo. 3.4 \u201c\u03ba\u03b1\u1f76 <span style=\"text-decoration: underline;\">\u1f21<\/span> \u1f01\u03bc\u03b1\u03c1\u03c4\u03af\u03b1 \u1f10\u03c3\u03c4\u1f76\u03bd <span style=\"text-decoration: underline;\">\u1f21<\/span> \u1f00\u03bd\u03bf\u03bc\u03af\u03b1\u201d (lit: o pecado \u00e9 a iniq\u00fcidade) como exemplo de equival\u00eancia por conta da presen\u00e7a do artigo ( \u1f21 ) ante os dois substantivos<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>. A presen\u00e7a do artigo em ambos os substantivos, nesse tipo de constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em que os estudiosos veriam equival\u00eancia. Fritz Rienercker &amp; Cleon Rogers, tamb\u00e9m trinit\u00e1rios, informam sobre o Logos em Jo.1.1: \u201c<em>A palavra est\u00e1 sem o artigo e \u00e9 o predicado que enfatiza a qualidade: &#8216;o Verbo tinha a mesma natureza de Deus<\/em>&#8216;\u201d<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>, ou seja, o verbo n\u00e3o era o pr\u00f3prio Deus, mas tinha a mesma natureza dEle, portanto divino.  A pr\u00f3pria tradu\u00e7\u00e3o literal sugerida por alguns \u201ce Deus era o Verbo\u201d \u00e9 rejeitada por W. C Taylor. Embora em tempos recentes gram\u00e1ticos como Colwell, tenham produzido uma nova regra<a href=\"#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a> em cima da milenar gram\u00e1tica grega e angariado seguidores dessa regra, pela qual se alega que quando na fun\u00e7\u00e3o predicativa o substantivo n\u00e3o exige artigo para ser considerado identificativo ao inv\u00e9s de qualificativo, por\u00e9m a aus\u00eancia desse artigo n\u00e3o permite asseverar a igualdade reivindicada, a ponto do atributo, como intentam defender aqueles que acreditam na consubstancia\u00e7\u00e3o absoluta entre Deus e Jesus. A pr\u00f3pria regra de Colwell s\u00f3 \u00e9 aplic\u00e1vel em certas circunst\u00e2ncias e ainda assim n\u00e3o de forma definitiva. Estudiosos do Evangelho de Jo\u00e3o questionam sua efic\u00e1cia na aplica\u00e7\u00e3o sobre Jo. 1.1. Assim, parece haver concord\u00e2ncia entre os imparciais, mesmo entre especialistas trinitarianos, que essa passagem est\u00e1 informando a natureza do verbo e n\u00e3o afirmando que ele seja o pr\u00f3prio Deus, que abundantemente \u00e9 identificado, nas Escrituras, como sendo o seu Pai.<\/p>\n<p>Embora existam ocorr\u00eancias no NT onde o Pai \u00e9 indicado como Deus sem o artigo, tais ocorr\u00eancias n\u00e3o est\u00e3o na mesma condi\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o 1.1, dai v\u00e1rios especialistas escreverem o que escreveram.<\/p>\n<p>O testemunho da hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica talvez seja \u00fatil para, complementarmente, mostrar que a express\u00e3o \u201cO Verbo era Deus\u201d, no original grego n\u00e3o denotava a coigualdade entre Deus e seu Verbo, como facilmente parecem acreditar hoje muitos leitores e estudiosos. O conc\u00edlio de Nic\u00e9ia em 325 d.C, todos sabem, tornou-se o primeiro conc\u00edlio ecum\u00eanico na hist\u00f3ria da igreja e objetivava equacionar, dentre outras coisas, a quest\u00e3o de coigualdade ou n\u00e3o de Deus com seu Filho Jesus Cristo. Dele participaram poucos cl\u00e9rigos da fala latina: Marcos de Calabria da It\u00e1lia, Ceciliano de Cartago da \u00c1frica, o pr\u00f3prio \u00d3sio de C\u00f3rdova da Espanha, Nic\u00e1cio de Dijon da Fran\u00e7a, e Dominus de Stridon da prov\u00edncia do Dan\u00fabio, o restante era a esmagadora maioria de l\u00edngua grega, mesmo que os latinos tenham vindo com suas respectivas comitivas. A quantidade geral de participantes \u00e9 imprecisa, mas estima-se que de 150 a 300 bispos. Em especial estavam ali aqueles que viviam sob o dom\u00ednio religioso do Bispo Alexandre e simpatizantes da coigualdade, destaque-se o pr\u00f3prio ocidental \u00d3sio de C\u00f3rdoba, \u00e0quela \u00e9poca conselheiro do Imperador o que praticamente determinava qual seria o resultado do conc\u00edlio. Pois bem, todos aqueles eminentes te\u00f3logos nascidos em um ambiente de fala grega, e por consequ\u00eancia bons conhecedores de sua pr\u00f3pria l\u00edngua materna e que eram a favor da coigualdade, conclu\u00edram que n\u00e3o havia palavra ou vers\u00edculo na B\u00edblia que afirmasse cabalmente que Jesus era o pr\u00f3prio Deus, mesmo eles conhecendo a express\u00e3o \u201c\u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2\u201d (kai theos em ho logos) e, tamb\u00e9m, os outros versos costumeiramente citados. Esse fato deveria comunicar alguma coisa aos leitores e estudantes atuais do evangelho de Jo\u00e3o, ao menos que a express\u00e3o \u00e9 plenamente suficiente para dizer que o verbo \u00e9 divino, mas n\u00e3o plenamente suficiente para dizer que ele seja o pr\u00f3prio Deus. Perceba que n\u00e3o se pode ignorar o grande n\u00famero de te\u00f3logos de fala grega que estavam ali para requerer a coigualdade entre Deus e seu Filho, mas eles n\u00e3o o puderam e nem podiam fazer de forma eficaz usando s\u00f3 a B\u00edblia, pois ela n\u00e3o ensina isso. \u201c<em>Consequentemente, se se queria eliminar qualquer ambiguidade, era preciso superar os limites da linguagem b\u00edblica<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a> e foi essa a sa\u00edda nicena. Para solucionar o \u201cproblema\u201d, com o apoio e a pedido do patrono do conc\u00edlio, o Imperador Constantino, os que eram a favor da coigualdade editaram um credo que inclu\u00eda a palavra \u201chomoousios\u201d (consubstancial) para indicar a rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho numa tentativa de um suposto reconhecimento de coigualdade; s\u00f3 que o termo \u00e9 estranho \u00e0 B\u00edblia, pois n\u00e3o consta nem no Antigo Testamento, nem no Novo Testamento, mas foi essa a solu\u00e7\u00e3o encontrada por aqueles doutrinadores para satisfazer, ainda que precariamente<a href=\"#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>, a sua teologia. Tal fato termina por provar documentalmente, visto que todos eles assinaram o credo que, mesmo na vis\u00e3o deles, gregos de nascen\u00e7a e de fala, nenhum vers\u00edculo nos originais da B\u00edblia satisfaz o requerimento trinit\u00e1rio de igualdade entre Deus, o Pai, e Nosso Senhor Jesus.<\/p>\n<p>Isto prova que qualquer te\u00f3logo ou gram\u00e1tico grego da atualidade que afirmar que Jo. 1.1 \u00e9 o suficiente para provar a Deidade de Jesus est\u00e1 passando por cima da opini\u00e3o de quem falava fluentemente, conhecia as nuan\u00e7as do grego b\u00edblico e viveu o momento da discuss\u00e3o l\u00e1 nos primeiros s\u00e9culos, pessoas de quem n\u00e3o se pode alegar desconhecimento da gram\u00e1tica e dos sentidos da l\u00edngua e que acima de tudo eram a favor da coigualdade.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Or\u00edgenes parece concordar, de alguma forma, com a divindade de Cristo sem que esta signifique igualdade plena com Deus, o Pai. Embora muitas de suas posi\u00e7\u00f5es sejam extremadas, inclusive sobre isto e ainda que cat\u00f3licos e protestantes use seus escritos para dizer que ele reconhecia Jesus como Deus, ele afirmou buscando recursos de gram\u00e1tica, via pela qual seus opositores n\u00e3o o podem acusar de desvio, que \u201c<em>s\u00f3 o Pai \u00e9 autotheos; <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">de maneira que Jo\u00e3o, diz ele, descreve corretamente o Filho, chamando-o somente de theos, e n\u00e3o de ho theos<\/span><\/em><em>.<\/em>(grifei)\u201d<a href=\"#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a> provando que o uso que fazem de suas palavras est\u00e3o plenamente descontextualizadas.<\/p>\n<p>Dr. W. Barclay<a href=\"#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a>, que juntamente com Dr. F. Bruce s\u00e3o considerados os principais eruditos em grego da Gr\u00e3-Bretanha, cujas obras s\u00e3o estudadas, inclusive, em semin\u00e1rios pelo mundo todo, comenta sobre Jo\u00e3o 1.1 nos seguintes termos: \u201c<em>\u00c9 dif\u00edcil entendermos essa afirma\u00e7\u00e3o, e ela \u00e9 dif\u00edcil porque o grego, l\u00edngua na qual Jo\u00e3o escreveu, tinha uma maneira diferente de dizer as coisas.[&#8230;] Quando o grego usa um substantivo quase sempre \u00e9 com o artigo definido ho [\u201co\u201d]. Quando o grego se refere a Deus ele n\u00e3o diz simplesmente theos [\u201cdeus\u201d]; ele diz ho theos [\u201co deus\u201d]. Ent\u00e3o quando o grego n\u00e3o usa o artigo definido junto com um substantivo, o substantivo se torna mais um adjetivo. Jo\u00e3o n\u00e3o queria dizer que a palavra era ho theos [\u201co Deus\u201d]; como se dissesse que a palavra fosse id\u00eantica a Deus. Ele disse que a palavra era theos \u2013 sem o artigo definido \u2013 o que significa que a palavra tinha, por assim dizer, exatamente a mesma caracter\u00edstica e qualidade e ess\u00eancia e maneira de ser de Deus. Quando Jo\u00e3o disse a palavra era Deus ele n\u00e3o estava dizendo que Jesus era id\u00eantico a Deus.[&#8230;] Nesse caso \u00e9 melhor entendermos com o significado de que Jesus \u00e9 divino. V\u00ea-lo \u00e9 o mesmo que ver o que Deus \u00e9.\u201d<\/em><a href=\"#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O seu colega Dr. F. F. Bruce que \u00e9 trinit\u00e1rio, comenta Jo. 1.1: \u201c<em>A estrutura da terceira cl\u00e1usula no verso 1, theos en ho logos, exige a tradu\u00e7\u00e3o &#8216;O Verbo era Deus&#8217;. Desde que logos tem um artigo diante dele, \u00e9 marcado como sujeito. O fato de theos ser a primeira palavra depois da conjun\u00e7\u00e3o kai (e) mostra que a \u00eanfase principal da cl\u00e1usula est\u00e1 sob ele. Se theos tivesse assim como logos precedido de artigo o significado seria que o Verbo seria completamente id\u00eantico a Deus, o que \u00e9 imposs\u00edvel se o Verbo tamb\u00e9m estava &#8216;com Deus&#8217;.<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a> Existe uma \u201cregi\u00e3o\u201d do saber onde um erudito, por mais amante que seja de suas confic\u00e7\u00f5es de f\u00e9, n\u00e3o pode ultrapassar. F. F. Bruce \u00e9 for\u00e7ado a reconhecer que \u201cS<em>e theos tivesse assim como logos precedido de artigo o significado seria que <\/em><em><strong>o Verbo seria completamente id\u00eantico a Deus, o que \u00e9 imposs\u00edvel se o Verbo tamb\u00e9m estava &#8216;com Deus&#8217;<\/strong><\/em><em>\u201d<\/em>, perceba que pela via da gram\u00e1tica ele n\u00e3o pode afirmar algo diferente daquilo que disse o <strong>n\u00e3o<\/strong> trinit\u00e1rio Dr. William Barclay citado acima, ainda que o Dr. Bruce continue seu coment\u00e1rio e termine por defender um Deus composto, sua contribui\u00e7\u00e3o do ponto de vista estritamente gramatical nesse coment\u00e1rio \u00e9 oportuna para confirmar aquilo que j\u00e1 foi demostrado: Jo\u00e3o 1.1 n\u00e3o ensina coigualdade entre Deus e Jesus Cristo, seu Filho.<\/p>\n<p>Considerando que por consequ\u00eancia hist\u00f3rica dos conc\u00edlios cat\u00f3licos a maioria absoluta dos comentaristas ou escritores crist\u00e3os, mesmo os evang\u00e9licos, hoje, seguem a teologia do \u201chomoousios\u201d, n\u00e3o teremos abundantes informa\u00e7\u00f5es escritas sobre tradu\u00e7\u00f5es alternativas ao vers\u00edculo de Jo\u00e3o em estudo, embora se possa achar, como as cita\u00e7\u00f5es indicadas anteriormente, esporadicamente algum trinit\u00e1rio disposto a ser imparcial. De qualquer forma das poucas vers\u00f5es que entenderam que Jo\u00e3o est\u00e1 mostrando a natureza divina mas n\u00e3o o identificando como Yahweh est\u00e3o a de Moffatt \u201co Verbo era divino\u201d, A New English Bible \u201co que Deus era, o Verbo era\u201d; W.C. Taylor na p\u00e1gina 198 de sua gram\u00e1tica, prefere \u201cA Palavra era deidade\u201d, ao inv\u00e9s de \u201cA palavra era Deus\u201d, La Sainte Bible, Segond-Oltramare (1879): \u201cE a Palavra era um ser divino.\u201d, La Bible du Centenaire, Societ\u00e9 Biblique de Paris. (1928): \u201cE a Palavra era um ser divino.\u201d, Das Neve Testament (1946), de Ludwig Thimme: \u201cE a Palavra era de esp\u00e9cie divina.\u201d, The Authentic New Testament (1958), de Hugh J. Schonfield: \u201cE o Verbo era divino.\u201d<\/p>\n<p>Ainda que exista a palavra \u03b8\u03b5\u03b9\u03b1\u03c2 (theias) conforme aparece em II Pe. 1.3,4 e alguns exigiriam o uso dela em Jo\u00e3o 1.1, para poder termos uma tradu\u00e7\u00e3o \u201cE o Verbo era Divino\u201d, vale lembrar que esta n\u00e3o se refere apenas ou especificamente a \u201cnatureza divina\u201d, mas a qualquer coisa referente a divindade, com um campo sem\u00e2ntico que intercepta \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2. \u00c9 de se destacar que \u03b8\u03b5\u03b9\u03b1\u03c2 (com iota e alfa) n\u00e3o \u00e9 a palavra exigida para se ter uma tradu\u00e7\u00e3o pelo termo \u201cdivino\u201d, isto se percebe e se comprova em v\u00e1rias vers\u00f5es cat\u00f3licas, portanto trinit\u00e1rias, quando preferiram traduzir \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 por \u201cdivina\u201d em Fp. 2.6 ficando \u201ccondi\u00e7\u00e3o divina\u201d ao inv\u00e9s de \u201cforma de Deus\u201d, dentre elas a B\u00edblia de Jerusal\u00e9m que \u00e9 uma B\u00edblia traduzida por cat\u00f3licos e protestantes, portanto de dois ramos religiosos que defendem a trindade (Vide, em portugu\u00eas, tamb\u00e9m a TEB, BAM, BP e CNBB); e pode acontecer o contr\u00e1rio tamb\u00e9m, \u03b8\u03b5\u03af\u03b1\u03c2 traduzido por Deus, isto se prova na Septuaginta quando lemos, por exemplo, Pv. 2.17 \u201c<em>Que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da alian\u00e7a do seu Deus<\/em>\u201d, onde \u201calian\u00e7a do seu Deus\u201d traduz o grego \u201c\u03b4\u03b9\u03b1\u03b8\u03ae\u03ba\u03b7\u03bd \u03b8\u03b5\u03af\u03b1\u03bd\u201d, e se a exig\u00eancia for \u201c\u03b8\u03b5\u03af\u03bf\u03c2\u201d (com iota e \u00f4micron) o mesmo fen\u00f4meno ocorre quando lemos \u201cEsp\u00edrito de Deus\u201d em Ex. 31.3 e J\u00f3 33.4 leremos, em grego, \u201c\u03c0\u03bd\u03b5\u1fe6\u03bc\u03b1 \u03b8\u03b5\u1fd6\u03bf\u03bd\u201d e n\u00e3o \u201c\u03c0\u03bd\u03b5\u1fe6\u03bc\u03b1 \u03b8\u03b5\u03bf\u1fe6\u201d. Acerca do uso de \u03b8\u03b5\u03af\u03b1\u03c2 em II Pe.1.3, a Chave Lingu\u00edstica do Grego do Novo Testamento, Edi\u00e7\u00f5es Vida Nova \u2013 1988, diz: \u201c <em>O termo &#8216;poder divino&#8217; no gen. \u00e9 o sujeito do part. e era uma frase usada no lugar de &#8216;Deus&#8217;<\/em>\u201d (p\u00e1g. 570). Assim, a informa\u00e7\u00e3o trazida por Jo\u00e3o em 1.1 identifica Jesus como um ser divino e portanto participante da natureza divina, o que n\u00e3o significa igualdade absoluta com seu Pai, Deus; visto que ele pr\u00f3prio disse: \u201c<em>eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus<\/em>\u201d, se conclui que a divindade do Filho n\u00e3o o elevava ao mesmo \u201cstatus\u201d do Pai na Deidade, tendo Ele mesmo a Deus como seu Deus. A n\u00e3o ser que haja uma hierarquia de \u201cdeuses\u201d, Jesus j\u00e1 ressuscitado estava dizendo que tinha um Deus, isto, sem d\u00favida, n\u00e3o parece uma consubstancia\u00e7\u00e3o ou igualdade. Disse ainda: \u201c<em>meu Pai \u00e9 maior do que eu<\/em>\u201d. Como veremos mais adiante a palavra \u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 \u00e9 usada para homens v\u00e1rias vezes no VT sem que contudo isso signifique uma reivindica\u00e7\u00e3o de igualdade com o Eterno, e esse uso n\u00e3o \u00e9 feito no NT porque Jesus \u00e9, sobre a igreja, o \u00fanico governante, legislador e juiz e cuja a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dizer que somos divinos individualmente, mas que seremos participantes da natureza divina por meio de Jesus Cristo, o que confirma a ideia que ser divino n\u00e3o \u00e9 ser igual a Deus, o Pai.<\/p>\n<p>Ora, a b\u00edblia diz: \u201c<em>para n\u00f3s h\u00e1 <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">um s\u00f3 Deus, o Pai<\/span><\/em>\u201d (I Co. 8.6) e Jesus mesmo diz, acerca de seu Pai, em Jo. 17.3 \u201c<em>E a vida eterna \u00e9 esta: que te conhe\u00e7am, a ti s\u00f3, <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">por \u00fanico Deus verdadeiro<\/span><\/em><span style=\"text-decoration: underline;\">\u201d<\/span>. Logo, considerando toda argumenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 exposta, qual dever ser o \u00e2ngulo de vis\u00e3o de Jo\u00e3o 1.1? Ser\u00e1 que devemos arrumar argumentos improv\u00e1veis para desfazer vers\u00edculos como estes citados, que mostram Deus como um e \u00fanico, o Pai? Ou devemos, sem qualquer artif\u00edcio, simplesmente aplicarmos a regra da gram\u00e1tica grega reconhecida por escritores trinit\u00e1rios que v\u00eaem em Jo. 1.1 um qualificativo e n\u00e3o uma atribui\u00e7\u00e3o de igualdade?! Se somente o Pai \u00e9 Deus, e a B\u00edblia o diz reiteradas vezes, ent\u00e3o, acerca de Jo. 1.1 temos duas op\u00e7\u00f5es: 1) dizermos que n\u00e3o, e alegarmos que aquele vers\u00edculo de I Cor\u00edntios deve ser entendido como \u201ch\u00e1 um s\u00f3 Deus, mas n\u00e3o \u00e9 somente o Pai\u201d, optando, desse modo, por algo que n\u00e3o \u00e9 ensinado na B\u00edblia e criarmos uma nova doutrina, ou 2) admitirmos que \u201co verbo era Deus\u201d em Jo. 1.1, n\u00e3o est\u00e1 afirmando que Jesus, o Filho, \u00e9 o mesmo Deus, indicado em I Co. 8.6, e nem mesmo um outro Deus, que seria pior ainda, mas o qualificando de divino, conforme j\u00e1 exposto nas linhas anteriores, optando, desse modo, pela busca do uso b\u00edblico e gramatical das palavras \u201ctheos\u201d e \u201celohim\u201d, o que permite entender o texto mantendo o monote\u00edsmo ensinado nas Escrituras desde de sempre, sem inventar uma doutrina desconhecida de todos os escritores b\u00edblico de todos os tempos e confirmar a condi\u00e7\u00e3o, ensinada na B\u00edblia,  de Jesus como Filho de Deus, e n\u00e3o como Deus Filho.<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Carvalho, \tWaldyr Luz in Manual de L\u00edngua Grega, Vol. 1 \u2013 Casa Editora \tPresbiteriana \u2013 1991, p\u00e1g. 499<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Taylor, \tW. C in Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Novo Testamento Grego, Juerp &#8211; \t1990, p\u00e1g. 198<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Rienecker, \tFritz &amp; Rogers, Cleon in Chave Lingu\u00edstica do Novo Testamento \tGrego \u2013 Vida Nova, p\u00e1g. 161<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote4anc\">4<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">A \tregra de E. C. Colwell foi publicada pela primeira vez no Journal of \tBiblical Literature em 1933, por\u00e9m  \u00e9 muito discut\u00edvel e v\u00e1rios \tgram\u00e1ticos questionam sua efic\u00e1cia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote5anc\">5<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">J. \tN. D. Kelly in Doutrinas Centrais da F\u00e9 Crist\u00e3 \u2013 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o \t2005  &#8211; Paulus. P\u00e1g. 31<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote6anc\">6<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Richard \tRubenstein cita Kelly informando que \u201c<em>Havia poucas palavras em \tgrego que n\u00e3o eram suscet\u00edveis a tantas e t\u00e3o confusas grada\u00e7\u00f5es \tde significado quanto <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">ousia<\/span><\/em>\u201d (Kelly, Early \tChristian Creeds, 243)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote7anc\">7<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Kelly, \tJ. N. D. Op cit p\u00e1g. 98<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote8anc\">8<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">William \tBarclay n\u00e3o \u00e9 trinit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote9anc\">9<\/a> <\/span><span style=\"font-size: x-small;\">Apud. \tBaclay, William in The Gospel of John, Revised Edition (1975),  pp. \t39, 74.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"#sdfootnote10anc\">10<\/a> <\/span><em><span style=\"font-size: x-small;\">Apud<\/span><\/em><span style=\"font-size: x-small;\"> F. F. Bruce, The Gospel of John, (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, \t1983), p. 31<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo. 1.1, aqui seguramente o foco recai sobre o verso 1: \u201c\u1f18\u03bd \u1f00\u03c1\u03c7\u1fc7 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2 \u03ba\u03b1\u1f76 \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2 \u1f26\u03bd \u03c0\u03c1\u1f78\u03c2 \u03c4\u1f78\u03bd \u03b8\u03b5\u03cc\u03bd \u03ba\u03b1\u1f76 \u03b8\u03b5\u1f78\u03c2 \u1f26\u03bd \u1f41 \u03bb\u03cc\u03b3\u03bf\u03c2.\u201d (en arche[i] \u00ean ho logos kai ho logos \u00ean pros ton theon kai theos \u00ean ro logos). \u00c9 interessante perceber algumas constru\u00e7\u00f5es gregas que em nossa l\u00edngua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-54","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}