{"id":71,"date":"2010-05-03T16:17:40","date_gmt":"2010-05-03T19:17:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unitarismobiblico.com\/1\/?p=71"},"modified":"2010-05-03T16:17:40","modified_gmt":"2010-05-03T19:17:40","slug":"jo-10-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/2010\/05\/03\/jo-10-30\/","title":{"rendered":"Jo. 10.30"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sobre Jo. 10.30<\/strong> \u201c<em>Eu e o Pai somos um<\/em>\u201d.  Agostinho chega a afirmar que Jesus queria dizer \u201c<em>&#8216;O que ele \u00e9, eu sou&#8217;, segundo a ess\u00eancia e n\u00e3o segundo a rela\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>, esse entendimento, por\u00e9m, n\u00e3o parece ser o que a B\u00edblia apresenta, e ele disse isso porque o verso remeteria em uma leitura direta \u00e0s hip\u00f3stases  (a rela\u00e7\u00e3o de pai e filho) e n\u00e3o a ess\u00eancia, por\u00e9m Agostinho n\u00e3o nos traz nenhum vers\u00edculo b\u00edblico para tentar provar essa suposta verdade, simplesmente confia na sua autoridade de fil\u00f3sofo e cl\u00e9rigo cat\u00f3lico, doutor da igreja<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>, e com essa \u201cautoridade\u201d afirmava: \u201c<em>Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas \u2013 Eu n\u00e3o creria no Evangelho, se a isto n\u00e3o me levasse a autoridade da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>\u201d. Mas, precisamos ler esse vers\u00edculo de Jo\u00e3o considerando o conjunto das Escrituras e, nesse sentido, quando olhamos para a ora\u00e7\u00e3o sacerdotal, esta sim est\u00e1 na B\u00edblia, registrada por Jo\u00e3o mesmo, encontramos as palavras do Senhor nos seguintes termos: \u201c<em>para que todos sejam um; <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">assim como tu, \u00f3 Pai, \u00e9s em mim, e eu em t<\/span><\/em><em>i, que tamb\u00e9m eles sejam um em n\u00f3s<\/em>\u201d (Jo. 17:21). Aqui Nosso Senhor mostra que suas palavras n\u00e3o intentaram igualdade de \u201cess\u00eancia\u201d ou de pessoas (hip\u00f3stases) por incluir Ele e o Pai juntamente com os disc\u00edpulos em uma mesma unidade; at\u00e9 porque essa quest\u00e3o de \u201cess\u00eancia\u201d ou \u201csubst\u00e2ncia\u201d, relacionada a Divindade, \u00e9 produto teol\u00f3gico muito posterior ao per\u00edodo b\u00edblico. Vale lembrar, ainda, que aqui \u00e9 usado \u1f15\u03bd \u201chen\u201d (\u201cum\u201d neutro em grego) em ambas as passagens, diferente do uso que a Septuaginta fez do \u201cum\u201d no Shem\u00e1<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>, quando usou \u03b5\u1f37\u03c2 \u201cheis\u201d (um masculino em grego). Se estivesse na mente de Jesus dizer que era igual na Deidade, ou seja, um Deus consubstancial, ent\u00e3o, a palavra Deus \u00e9 masculina singular, ou se mesmo na remot\u00edssima hip\u00f3tese de ele haver pensado na palavra \u201chomoousios\u201d<a href=\"#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a> (mesma subst\u00e2ncia) esta \u00e9, tamb\u00e9m, masculino singular, desse modo, pelo menos \u03b5\u1f37\u03c2 \u201cheis\u201d era de se esperar, mas isso n\u00e3o aconteceu. Se fosse \u201c\u1f34\u03c3\u03bf\u03c2\u201d (isos) a palavra usada a quest\u00e3o estaria liquidade em benef\u00edcio dos trinit\u00e1rios, mas isso tamb\u00e9m n\u00e3o aconteceu. \u00c9 interessante observar que em Jo. 10.29, Jesus diz: \u201c<em>Meu Pai, que mas deu, \u00e9 maior do que todos; &#8230;<\/em>\u201d, a conclus\u00e3o descontextualizada \u00e9 que se o Pai \u00e9 Maior que todos, por ser Deus, e Jesus diz que \u201c<em>Eu e o Pai somos um<\/em>\u201d, ent\u00e3o, Jesus seria Deus da mesma forma que o Pai \u00e9, mas se \u00e9 desse jeito, ent\u00e3o, somos todos Deus, pois em Jo. 17.21, j\u00e1 lido, Deus continua sendo o que \u00e9, Jesus tamb\u00e9m, e nos de igual modo continuamos sendo o que somos, mas o Nosso Senhor diz, com rela\u00e7\u00e3o a ser UM com seus disc\u00edpulos: \u201c<em>ASSIM COMO tu \u00f3 Pai, \u00e9s em mim, e eu em ti<\/em>\u201d, parafraseando para o sentido correto ter\u00edamos: \u201cEmbora eu seja um contigo mesmo n\u00e3o sendo igual a tu, que eles seja um conosco, mesmo n\u00e3o sendo igual a n\u00f3s\u201d. Acerca dEle mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao Pai, levando em conta a quest\u00e3o de grau de superioridade, Jesus disse em Jo. 14.28 : \u201c&#8230; <em><strong>o Pai \u00e9 maior do que eu.<\/strong><\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a> Note bem este \u00faltimo verso! Jesus est\u00e1 falando na condi\u00e7\u00e3o de Filho, por isso diz \u201co Pai\u201d, Ele n\u00e3o est\u00e1 falando de sua condi\u00e7\u00e3o de homem no relacionamento com Deus, mas Filho para com o Pai, e como Filho, Ele diz que o Pai \u00e9 maior de que Ele, anulando a pretens\u00e3o agostiniana do requerimento de igualdade entre o Pai e o Filho, quando o te\u00f3logo tentou desfazer a afirma\u00e7\u00e3o de Jesus \u201c&#8230; <em>o Pai \u00e9 maior do que eu<\/em>\u201d alegando que isso \u00e9 correto apenas em certo sentido, e afirma que por esse \u00e2ngulo Jesus \u201c<em>\u00c9 inferior a sim mesmo<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>,  porque se esvaziou a si conforme est\u00e1 escrito em Fl. 2.6, mas o cat\u00f3lico parece ignorar o fato de que Jesus n\u00e3o \u00e9 somente Filho de Deus na terra, quando encarnado, mas j\u00e1 o era no c\u00e9u antes do esvaziamento, de modo que se ele era filho antes, \u00e9 agora, e, ser\u00e1 eternamente, ent\u00e3o, ele falou em sua condi\u00e7\u00e3o de Filho. Dessa forma, ainda que fosse verdadeira a hipot\u00e9tica ideia (digo hipot\u00e9tica porque a express\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na B\u00edblia, \u00e9 uma express\u00e3o criada) de um \u201cDeus Filho\u201d, ainda assim Ele informa ser menor que o Deus Pai, mostrando, por via de consequ\u00eancia, n\u00e3o poder ser igual a Deus.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem argumento que n\u00e3o haveria sentido Jesus dizer que o Pai era maior do que ele se n\u00e3o fosse apenas em fun\u00e7\u00e3o, pois naturalmente todos s\u00e3o menor que o Pai, de modo que Jesus n\u00e3o cairia em uma redund\u00e2ncia \u00f3bvia dessas, mas esse racioc\u00ednio \u00e9 negado por Jesus mesmo ao usar outra express\u00e3o de mesmo peso incluindo toda a humanidade: \u201c<em>porque meu Pai \u00e9 maior do que eu<\/em>\u201d (Jo. 14.28), ou seja, por mais que seja \u00f3bvio, era prazer do Filho mostrar que seu Pai era maior. N\u00e3o somente maior do que todos, mas maior do que o Filho.<\/p>\n<p>Inexplicavelmente ignorando o argumento acima, muitos dizem que o sentido de Jo. 10.30 foi o de realmente se igualar a Deus, o Pai, porque nos versos seguinte se v\u00ea uma tentativa de apedrejamento de Jesus por parte dos judeus. Mas, na sequencia vemos que Ele perguntou aos seus opositores e obteve uma resposta: Jo. 10:32 \u201c<em><strong>Disse-lhes Jesus<\/strong><\/em><em>: Muitas obras boas da parte de meu Pai vos tenho mostrado; por qual destas obras ides apedrejar-me? 33 <\/em><em><strong>Responderam-lhe os judeus<\/strong><\/em><em>: N\u00e3o \u00e9 por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasf\u00eamia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus.<\/em>\u201d Por esse verso ser seguinte a express\u00e3o \u201c<em>Eu e o Pai somos um<\/em>\u201d, a interpreta\u00e7\u00e3o imediatista \u00e9 que a blasf\u00eamia, assim entendida pelos judeus, seria por essa afirma\u00e7\u00e3o, mas a informa\u00e7\u00e3o textual n\u00e3o para no verso 32, e vale a pena lermos o restante: \u201c<em>34 Tornou-lhes Jesus: N\u00e3o est\u00e1 escrito na vossa lei: Eu disse: V\u00f3s sois deuses? 35 Se a lei chamou deuses \u00e0queles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura n\u00e3o pode ser anulada), 36 \u00e0quele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis v\u00f3s: Blasfemas; porque eu disse: <\/em><em><strong>Sou Filho de Deus<\/strong><\/em><em>?<\/em>\u201d. O curioso do estudo dessa passagem b\u00edblica \u00e9 que todos reconhecem a vis\u00e3o errada dos judeus, principalmente a m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o que os fariseus sempre fizeram das palavras de Jesus em todo Novo Testamento, e que estes constantemente o acusavam enganosamente, mas surpreendentemente os que defendem a co-igualdade entre Cristo e o seu Deus acham, agora, que os fariseus haviam entendido acertadamente(?), de forma indubit\u00e1vel, que Jesus teria afirmado ser o pr\u00f3prio Deus ao inv\u00e9s de ser mais uma das falsas afirma\u00e7\u00f5es farisaicas acerca de Jesus, mas o Mestre mostra o engano de ambos ao continuar o di\u00e1logo e explicita que n\u00e3o haveria motivo para espanto. O primeiro ponto a observar \u00e9 que nem os judeus e nem Jesus se reportaram, na sequencia, a afirma\u00e7\u00e3o \u201c<em>Eu e o Pai somos um<\/em>\u201d. Est\u00e1 claro no fechamento das palavras de Jesus: \u201c<em>dizeis v\u00f3s: Blasfemas; porque eu disse: <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">Sou Filho de Deus?<\/span><\/em><em>\u201d, <\/em>que a causa foi a afirma\u00e7\u00e3o ocorrida quatro vezes desde o verso 25 do cap\u00edtulo, que Deus era seu Pai. Jesus lembra aos judeus que as Escrituras j\u00e1 haviam chamado homens de \u201cdeuses\u201d e ela, a Escritura, n\u00e3o pode ser anulada. Ele poderia ter falado tamb\u00e9m dos falsos deuses que s\u00e3o chamado de \u201cdeus\u201d, mas nesse caso, como n\u00e3o se tratava do uso leg\u00edtimo do termo \u201cdeus\u201d, pois s\u00e3o falsas divindades, Jesus n\u00e3o citou, mas no caso dos ju\u00edzes foi o pr\u00f3prio Yahweh, atrav\u00e9s dos escritores sacros, quem os chama assim. Jesus, por\u00e9m, sequer reivindicou igualdade de situa\u00e7\u00e3o com eles e at\u00e9 que poderia, mas, pelo contr\u00e1rio, justificou que n\u00e3o estava se auto proclamado \u201cDeus\u201d, e nem o poderia fazer, pois no verso 36, do mesmo contexto, vemos sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201c<em>\u00e0quele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo\u201d.<\/em> Ora Ele n\u00e3o poderia passar pelo processo de santifica\u00e7\u00e3o (separa\u00e7\u00e3o) antes de vir ao mundo e ser Deus ao mesmo tempo. Ele apenas nos disse ser Filho de Deus. Perceba dessa resposta de Jesus que os fariseus n\u00e3o levaram a cabo a inten\u00e7\u00e3o de apedrejar o Mestre pela clareza da explica\u00e7\u00e3o; no entanto, deveriam ter feito se o entendimento deles estivesse correto, mas mudaram, ent\u00e3o, para tentativa de aprisionamento, Jo. 10.39. \u00c9 como se Ele estivesse dizendo: \u201ceu n\u00e3o estou falando que sou Deus, estou dizendo que sou Filho. Na B\u00edblia h\u00e1 a afirma\u00e7\u00e3o de pessoas com a designa\u00e7\u00e3o de &#8216;deus&#8217;, como os ju\u00edzes de Israel, e voc\u00eas consideram normal, ent\u00e3o, n\u00e3o me estranhem.\u201d H\u00e1 que se observar, tamb\u00e9m, que chamar Deus de Pai n\u00e3o era uma exclusividade de Jesus, os pr\u00f3prios fariseus que tentaram conden\u00e1-lo por isso, tamb\u00e9m chamavam Deus de Pai, Jo. 8.41 \u201c&#8230;<em> N\u00f3s n\u00e3o somos nascidos de prostitui\u00e7\u00e3o; temos um Pai, que \u00e9 Deus.<\/em>\u201d, ora se eles pr\u00f3prio chamavam Deus de Pai, porque Jesus, com muito mais propriedade, por ser o Messias prometido, n\u00e3o poderia faz\u00ea-lo? Fica claro o tamanho da deturpa\u00e7\u00e3o que os fariseus fizeram das palavras de Jesus com o objetivo de o incriminar<a href=\"#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a>. O lament\u00e1vel \u00e9 que hoje se usam aquelas palavras do Nosso Divino Mestre em conjunto com a dos fariseus para O deificar, mesmo Ele tendo explicado, naquela \u00e9poca que esse conceito \u00e9 errado. E isto se v\u00ea provado n\u00e3o somente pelo j\u00e1 exposto, mas tamb\u00e9m pelo contido em Fp. 2.6, pois se Ele, na condi\u00e7\u00e3o divina que tinha antes de encarnar, n\u00e3o quis elevar-se ao status de igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a forma de servo, como iria querer, nessa forma de servo, anular a afirma\u00e7\u00e3o e o prop\u00f3sito do esvaziamento de Fp. 2.6 e querer fazer-se, agora, diante de todos, igual a Deus? Jesus incansavelmente rebatia quem afirmava que ele estava se fazendo Deus. Vejamos outro exemplo; em  Jo. 5.18 \u201c<em>&#8230;mas tamb\u00e9m dizia que Deus era seu pr\u00f3prio Pai, fazendo-se igual a Deus.<\/em>\u201d, ele logo no verso seguinte, no v.19, traz um esclarecimento, como resposta, que anula qualquer pretens\u00e3o de uma suposta reivindica\u00e7\u00e3o de igualdade com Deus, seu Pai: \u201c<em><strong>Mas Jesus respondeu<\/strong><\/em><em>, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>o Filho por si mesmo n\u00e3o pode fazer coisa alguma<\/strong><\/span><\/em><em>, se o n\u00e3o vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.<\/em>\u201d Um dos atributos de Deus \u00e9 a auto-sufici\u00eancia, de modo que se o Filho alegou que n\u00e3o podia <em><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>por si mesmo<\/strong><\/span><\/em> fazer coisa alguma, ent\u00e3o fica \u00f3bvio: Ele n\u00e3o estava afirmando ser Deus.<\/p>\n<p>Temos ainda uma terceira implica\u00e7\u00e3o se consider\u00e1ssemos corretos os termos t\u00e9cnicos usados pela teologia p\u00f3s-apost\u00f3lica da trindade. Em Jo. 10.30, Ele, Jesus, afirma enquanto Filho ser um com o Pai, ou seja, n\u00e3o seria, nesse caso, uma identifica\u00e7\u00e3o com a deidade, mas com a hip\u00f3stase Pai. Por\u00e9m o credo atanasiano, que diga-se de passagem n\u00e3o foi composto por Atan\u00e1sio, afirma: \u201c<em>n\u00e3o confundindo as pessoas e nem dividindo a subst\u00e2ncia<\/em>\u201d. Aceitar a igualdade plena baseado nesse vers\u00edculo seria confundir as pessoas, pois \u00e9 delas que o texto fala (Pai e Filho), e contrariaria, ainda, Agostinho que disse: \u201c<em>O Pai \u00e9 s\u00f3 Pai, o Filho unicamente Filho<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a>. Al\u00e9m do mais em outro momento o Filho diz, como j\u00e1 visto, ser menor que o Pai, Jo. 14.28 \u201c<em>Vou para o Pai; porque meu Pai \u00e9 maior do que eu.<\/em>\u201d, ent\u00e3o a igualdade falada em Jo. 10.30 n\u00e3o est\u00e1 na natureza, mas na unidade de prop\u00f3sitos. H\u00e1 que ser observado ainda o fato de como Jesus contava ele e o Supremo Ser, em Jo. 8.17, ele diz: \u201c<em>Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica tamb\u00e9m o Pai que me enviou.<\/em>\u201d, ele disse isso quando reivindicou a validade da lei do testemunho que exige dois, se ele fosse um \u00fanico ente com o Pai, n\u00e3o poderia reivindicar legitimamente a lei. Em Jo\u00e3o 14.1 lemos: \u201c<em>N\u00e3o se turbe o vosso cora\u00e7\u00e3o; credes em Deus, crede tamb\u00e9m em mim<\/em>\u201d.  Tanto na identifica\u00e7\u00e3o do Eterno como seu Pai ou como Deus, Jesus ao incluir-se em uma contagem, conta como entes distintos, dois e n\u00e3o um. Assim, parece realmente, por v\u00e1rios e v\u00e1rios motivos, n\u00e3o haver raz\u00e3o para achar que Jesus tenha pretendido ser Deus, nem mesmo igual a Deus quando afirmou: \u201c<em>Eu e o Pai somos um<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a> Agostinho \tin A trindade, Paulus Editora, 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o \u2013 1994, p\u00e1g. 219. \tEssa afirma\u00e7\u00e3o de Agostinho \u00e9 prejudicada pela constru\u00e7\u00e3o grega \tque n\u00e3o usa \u201c\u1f34\u03c3\u03bf\u03c2\u201d (isos) mas, \u201c\u1f15\u03bd\u201d (hen), o neutro \tde \u201c\u03b5\u1f37\u03c2\u201d que significa \u201cum\u201d. Se fosse usado \u201cIsos\u201d \tpoderia ser traduzido por \u201cigual\u201d ou \u201cequivalente\u201d. \u201cIsos\u201d \t\u00e9 a mesma palavra usada em Fp. 2.6 quando \u00e9 dito  que Jesus N\u00c3O \tquis valer-se de sua divindade para tentar se apossar de <span style=\"text-decoration: underline;\">igualdade<\/span> com Deus.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a> Ele \tdesafia aos que discordam de suas reflex\u00f5es e afirma: \u201c<em>apresente \ta sua explica\u00e7\u00e3o, se o quiser, e impugne a minha se puder.<\/em>\u201d \tOp. Cit. P\u00e1g. 29<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a> Shem\u00e1 \t\u00e9 uma palavra hebraica que significa \u201cOUVE\u201d e esta inicia Dt. \t6.4<em> \u201cOuve, Israel, o Yahweh nosso Deus. Yahweh \u00e9 um.<\/em>\u201d \tque \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 do monote\u00edsmo b\u00edblico e a esta \treferencia.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote4anc\">4<\/a> \u201chomoousios\u201d \tsignifica \u201cmesma subst\u00e2ncia\u201d, \u00e9 a palavra usada atualmente nos \tmeios teol\u00f3gicos trinit\u00e1rios para dizer que Deus e Jesus s\u00e3o a \tmesma deidade.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote5anc\">5<\/a> Agostinho \ttenta desfazer as palavras de Jesus, dizendo que apesar dessa \tafirma\u00e7\u00e3o Ele \u00e9 igual, e filosofa, nos seguintes termos: \u201c.<em>.. \tem que o Pai \u00e9 maior? Se \u00e9 maior, h\u00e1 de ser pela grandeza. Mas \tcomo o Filho \u00e9 sua grandeza n\u00e3o pode ser maior do que aquele que o \tgerou nem o Pai \u00e9 maior do que a grandeza pela qual \u00e9 grande. \tPortanto, \u00e9 igual.<\/em>\u201d (Op. Cit p\u00e1g. 220) , perceba que al\u00e9m \tde ir contra o que est\u00e1 sendo afirmado na B\u00edblia, ele n\u00e3o usa a \tB\u00edblia para defender esse estranho argumento, apenas lan\u00e7a \tpremissas que n\u00e3o passariam pelo crivo do restante das Escrituras, \te nem pela l\u00f3gica, pois ele intencionou criar uma situa\u00e7\u00e3o \tcircular que seria: O Pai \u00e9 maior que o Filho pela grandeza, mas \tcomo o Filho \u00e9 a grandeza do Pai, ent\u00e3o, \u00e9 igual. O que \u00e9 esse \tmarabalismo sen\u00e3o uma agress\u00e3o ao que a B\u00edblia afirma: \u201c<em>o \tPai \u00e9 maior do que eu<\/em>\u201d e, por via de consequ\u00eancia \u00e9, \ttamb\u00e9m, uma agress\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de quem estuda a B\u00edblia.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote6anc\">6<\/a> Agostinho \tin A trindade, Paulus Editora, 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o \u2013 1994, p\u00e1g. 53<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote7anc\">7<\/a> Quando \tJesus j\u00e1 estava preso e sendo julgado o sumo sacerdote lhe \tperguntou: \u201c<em>Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu \u00e9s o \tCristo, o Filho de Deus<\/em>\u201d. Vemos que a express\u00e3o \u201cFilho de \tDeus\u201d, no sentido messi\u00e2nico, associa-se com a palavra \u201cCristo\u201d. \tO Sacerdote insistia com Jesus, para que ele  disse, pelo Deus vivo, \tse era o Cristo, Filho de Deus. Para o Sumo Sacerdote a express\u00e3o \t\u201cFilho de Deus\u201d n\u00e3o o identificava como \u201cDeus\u201d, mas como \t\u201cCristo\u201d.  Isto estava na mente dos judeus da \u00e9poca, como se \tconfirma nas palavras de Marta, em Jo. 11.27; nas palavras de Jo\u00e3o, \to evangelista, em Jo. 20.31; e at\u00e9 os dem\u00f4nios em Lc. 4.41, al\u00e9m \tde  outras ocorr\u00eancias. Os fariseus O rejeitavam porque n\u00e3o viam \tnEle, Jesus, o cumprimento das profecias, ent\u00e3o, para eles, se \tJesus se auto afirmava \u201co Cristo\u201d, era se fazer Deus, n\u00e3o no \tsentido da igualdade, pois o Ungido de Deus, n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio \tDeus, mas de tomar o lugar para ter autoridade de se auto proclamar \tCristo, pois somente Deus pode designar o seu Cristo. Se os fariseus \tcressem nas Escrituras de forma correta  creriam em Jesus e n\u00e3o o \tacusariam , pois perceberiam que Deus o havia enviado, e porque n\u00e3o \to criam, entendiam que Jesus estava querendo  se fazer como Deus \tpara se proclamar Cristo, da\u00ed o acusarem de blasf\u00eamia.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote8anc\">8<\/a> Agostinho \tembora tenha dito isto, tenta, ele mesmo, desfazer o que disse \tusando de extrema subjetividade ao afirmar acerca de Jo. 10.30 que \t\u201c<em>Portanto, o Pai e o Filho s\u00e3o um pela unidade de \tsubst\u00e2ncia&#8230;<\/em>\u201d &#8211; A Trindade, p\u00e1g. 220<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre Jo. 10.30 \u201cEu e o Pai somos um\u201d. Agostinho chega a afirmar que Jesus queria dizer \u201c&#8216;O que ele \u00e9, eu sou&#8217;, segundo a ess\u00eancia e n\u00e3o segundo a rela\u00e7\u00e3o\u201d1, esse entendimento, por\u00e9m, n\u00e3o parece ser o que a B\u00edblia apresenta, e ele disse isso porque o verso remeteria em uma leitura direta \u00e0s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-71","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}