{"id":850,"date":"2015-12-19T22:13:08","date_gmt":"2015-12-20T01:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unitarismobiblico.com\/1\/?p=850"},"modified":"2017-11-14T13:54:12","modified_gmt":"2017-11-14T16:54:12","slug":"mc-13-32-uma-pedra-no-sapato-trinitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/2015\/12\/19\/mc-13-32-uma-pedra-no-sapato-trinitario\/","title":{"rendered":"Mc. 13.32, uma pedra no sapato trinit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">O Semin\u00e1rio Batista Maranatha, do estado de Wisconsin \u2013 EUA, publicou, em janeiro de 2013, um interessante artigo escrito por Timothy Miller<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">O autor esbo\u00e7ou sua preocupa\u00e7\u00e3o diante do texto de Mc. 13.32, pois considerando o que est\u00e1 textualmente dito, Jesus \u00e9 desconhecedor do dia de sua pr\u00f3pria volta. Se Jesus n\u00e3o \u00e9 Deus, est\u00e1 tudo ok! N\u00e3o h\u00e1 problema algum nessa declara\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o seria onisciente e n\u00e3o teria, realmente, obriga\u00e7\u00e3o de saber. Mas, se existe alguma proposta de defender que ele seja o mesmo Deus que o Pai \u00e9, ent\u00e3o, as coisas se complicam, e muito, diante da afirma\u00e7\u00e3o de Mc. 13.32.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Miller admite que muitos pastores evitam fazer coment\u00e1rios, sejam prega\u00e7\u00f5es ou exames exeg\u00e9ticos sobre esse texto b\u00edblico dada a clareza embara\u00e7osa de que est\u00e1 dito ali, e apresenta sugest\u00f5es de solu\u00e7\u00f5es colhidas ao longo da hist\u00f3ria. Ele aborda aquilo que seria considerado \u201cSolu\u00e7\u00f5es antib\u00edblicas\u201d, \u201cSolu\u00e7\u00f5es de cr\u00edtica textual\u201d, \u201cSolu\u00e7\u00f5es exeg\u00e9ticas\u201d, \u201cSolu\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas\u201d e a \u201cSolu\u00e7\u00e3o das duas Naturezas\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><b>Solu\u00e7\u00f5es antib\u00edblicas<\/b>\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Para ele, reconhecer que Jesus n\u00e3o sabe porque n\u00e3o \u00e9 Deus, como faz o arianismo, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o antib\u00edblica, ou seja, admitir o que est\u00e1 escrito n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que ele prefere, mas, claro, isso acontece por causa do fundamento de sua f\u00e9 trinit\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Uma outra op\u00e7\u00e3o que ele considera n\u00e3o b\u00edblica, e concordamos com ele, \u00e9 conhecida como \u201c<b>n\u00e3o essencialismo<\/b>\u201d; via pela qual n\u00e3o se veria qualquer problema em Mc. 13.32, porque a onisci\u00eancia n\u00e3o seria algo essencial a natureza de Deus. Curiosamente, o paradigma para estabelecer a exist\u00eancia do \u201cn\u00e3o essencialismo\u201d \u00e9 muito semelhante ao usado para se tentar estabelecer a trindade. Para a trindade se usa muito o fundamento: A b\u00edblia diz que Jesus \u00e9 homem, mas o apresenta, tamb\u00e9m, com qualidades divinas, por isso ele deve ser Deus e homem. Para o \u201cn\u00e3o essencialismo\u201d o paradigma \u00e9: Jesus afirma que \u00e9 ignorante da data, mas a B\u00edblia o apresenta com qualidades divinas, logo a onisci\u00eancia (onipresen\u00e7a e onipot\u00eancia tamb\u00e9m) n\u00e3o deve ser essencial \u00e0 Deidade. \u00c9 apenas uma conclus\u00e3o alternativa para o paradigma trinit\u00e1rio. Nesse sentido onisci\u00eancia seria uma qualidade contingente de Deus, e n\u00e3o algo ligado essencialmente a sua pr\u00f3pria natureza. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">O pr\u00f3prio Miller identifica o \u201cn\u00e3o essencialismo\u201d como decorrente do que se defende no kenotiscimo. Doutrina surgida no s\u00e9culo XIV, que ensina o esvaziamento completo de Jesus; onde ele teria deixado de possuir todos os atributos divinos, mas continuado a ser o mesmo Deus de antes. Por\u00e9m a pr\u00f3pria afirma\u00e7\u00e3o b\u00edblica de que Deus n\u00e3o muda, impede que se admita que Deus perca alguma coisa que lhe caracteriza como Deus, o fazendo diferir das criaturas. Isso p\u00f5e \u00f3bice a ideia do \u201cn\u00e3o essencialismo\u201d e, por isso, \u00e9 rejeitado por trinit\u00e1rios ortodoxos, que n\u00e3o admitem a perda, em Jesus, de qualquer coisa relativa a natureza de Deus, e tamb\u00e9m rejeitada por n\u00e3o trinit\u00e1rios, mas n\u00e3o por considerem Jesus Deus, mas porque n\u00e3o se pode admitir que Deus possa perder alguma coisa atribu\u00edda a sua pr\u00f3pria natureza.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><b>Solu\u00e7\u00f5es de Cr\u00edtica Textual\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Ele apresenta as sugest\u00f5es de cr\u00edtica textual, come\u00e7ando por Ambr\u00f3sio, seguido por Jer\u00f4nimo, que defendia que a express\u00e3o \u201cnem o Filho\u201d foi acrescida nos manuscritos, mas n\u00e3o fazia parte do original. Tal afirma\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, perde completamente a for\u00e7a pelo fato de que o acr\u00e9scimo pode ser dito ter existido nos manuscritos de Mateus, mas n\u00e3o no de Marcos, cuja cr\u00edtica textual tem opini\u00e3o un\u00e2nime de sua autenticidade. Miller nos informa que segundo Vincent Taylor, no texto de Marcos somente um c\u00f3dex do s\u00e9c. IX e um manuscrito da Vulgata omitem a frase. Logo, n\u00e3o se pode defender como ausente do original, ao menos em Mc. 13.32 \u00e9 aut\u00eantico.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><b>Solu\u00e7\u00f5es exeg\u00e9ticas\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">A busca de solu\u00e7\u00f5es exeg\u00e9ticas s\u00e3o apresentadas a partir de Bas\u00edlio de Cesar\u00e9ia, um dos padres capad\u00f3cios, famoso pelas formula\u00e7\u00f5es trinit\u00e1rias ocorridas pelos idos de 379 d.C. Bas\u00edlio, na carta 236 a Amphilochius, sugere que o texto foi mal interpretado e \u201c\u03b5\u1f30 \u03bc\u1f74 \u1f41 \u03c0\u03b1\u03c4\u1f75\u03c1\u201d deveria significar \u201cse o Pai n\u00e3o sabe\u201d, dando a entender que \u201cse o Pai n\u00e3o sabe\u201d, ent\u00e3o, Jesus n\u00e3o saberia, mas como o Pai sabe, Jesus saberia. O problema \u00e9 que Bas\u00edlio fica praticamente ilhado nessa exegese e n\u00e3o encontra apoio do pr\u00f3prio contexto e nem das express\u00f5es vocabulares do texto paralelo de Mt. 24.36 que exclui claramente os anjos e usa em seguida \u201c\u03b5\u1f30 \u03bc\u1f74 \u1f41 \u03c0\u03b1\u03c4\u1f75\u03c1 \u03bc\u03bf\u03c5 \u03bc\u1f79\u03bd\u03bf\u03c2\u201d (<b>sen\u00e3o <\/b><b>meu<\/b><b> Pai, somente<\/b>). Se os anjos n\u00e3o sabem, pelo mesmo princ\u00edpio o Filho n\u00e3o. Mas, se o Filho sabe, pelo mesmo princ\u00edpio os anjos saberiam. Mas, se assim fosse a frase \u201csen\u00e3o o Pai\u201d perderia completamente o sentido. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Por essas raz\u00f5es a tentativa de Bas\u00edlio de Cesareia n\u00e3o consegue resolver o problema.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><b>Solu\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Uma solu\u00e7\u00e3o que abordou a quest\u00e3o sem\u00e2ntica foi tentada por Greg\u00f3rio de Tours (594 d.C) em Hist\u00f3ria dos Francos<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>. Ele sugeriu que a express\u00e3o \u201cnem o Filho\u201d se referia a igreja e n\u00e3o a Jesus, j\u00e1 que a B\u00edblia nos chama tamb\u00e9m de filhos de Deus (II Co. 6.18). Ou seja, \u201cfilho\u201d ai teria o sentido de qualquer filho de Deus e n\u00e3o do Filho Unig\u00eanito de Deus. A tentativa de Greg\u00f3rio de Tours \u00e9 nitidamente for\u00e7ada, e, assim como o outro Greg\u00f3rio ele esbarra no texto paralelo de Mateus onde est\u00e1 dito (\u1f41 \u03c0\u03b1\u03c4\u1f75\u03c1 \u03bc\u03bf\u03c5 \u03bc\u1f79\u03bd\u03bf\u03c2) \u201cunicamente meu Pai\u201d, ficando tamb\u00e9m isolado nessa exegese.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Miller informa que Or\u00edgenes, em 254 d.C, tamb\u00e9m tentou resolver a quest\u00e3o semanticamente. Aqui ele n\u00e3o apelou para o termo \u201cfilho\u201d como fez Greg\u00f3rio de Tours, mas para o termo \u201csaber\u201d. No entanto, a proposta de Or\u00edgenes \u00e9 anacr\u00f4nica uma vez que ele tenta transferir a sem\u00e2ntica da palavra <\/span><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><span lang=\"hi-IN\">\u05d9\u05b8\u05d3\u05b7\u05e2 \u201c<\/span><\/span><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">conhecer\u201d em hebraico, onde se sugere que se sabe das coisas pelo relacionamento pessoal ou pela experi\u00eancia, para a passagem escrita com voc\u00e1bulo grego que n\u00e3o tem essa mesma conota\u00e7\u00e3o. Miller destaca que tanto Johannes P. Louw quanto Eugene Albert Nida, que s\u00e3o autores de Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains (L\u00e9xico Grego-Ingl\u00eas do Novo Testamento Baseado em Dom\u00ednios Sem\u00e2nticos), atestam que \u03bf\u1f36\u03b4\u03b1 (oida) nunca \u00e9 usada nesse sentido no Novo Testamento.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Hil\u00e1rio de Poitiers tenta seguir Or\u00edgenes, mas sugere que \u201csaber\u201d significa algo como revela\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o. Para ele \u201c<i>Sempre que Deus diz n\u00e3o saber, Ele professa a ignor\u00e2ncia de fato, mas n\u00e3o est\u00e1 sob a defici\u00eancia da ignor\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 por causa da fraqueza da ignor\u00e2ncia que ele n\u00e3o sabe, mas porque ainda n\u00e3o \u00e9 o momento de falar ou agir para o plano divino\u201d.<\/i> Na verdade, Hil\u00e1rio em sua obra \u201cSobre a Trindade\u201d tenta dar mais de uma explica\u00e7\u00e3o para o caso de Mc. 13.32. A quest\u00e3o sem\u00e2ntica \u00e9 uma delas. Outras explica\u00e7\u00f5es passam por ideias como \u201c<i>saber, mas disse n\u00e3o saber<\/i>\u201d, \u201c<i>ignor\u00e2ncia por causa da natureza humana<\/i>\u201d e \u201c<i>\u00e9 um mist\u00e9rio como Jesus pode saber e n\u00e3o saber ao mesmo tempo<\/i>\u201d. Hil\u00e1rio sugere que Jesus n\u00e3o sabe o que os outros n\u00e3o podem saber, mas sabe aquilo que o Pai tem conhecimento. Se isso faz algum sentido fica por conta de quem deseja acreditar que Jesus sabia o dia da volta mesmo dizendo que n\u00e3o sabia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Agostinho (430 d.C) n\u00e3o fica de fora. Ele sugere que Hil\u00e1rio \u201cexplicou\u201d a afirma\u00e7\u00e3o \u201cobscura\u201d do Senhor Jesus. E sugere que Jesus usou uma figura de linguagem e quando disse que n\u00e3o sabia, apenas estava transmitindo que n\u00e3o havia proveito para os homens saberem. Agostinho mesmo disse: \u201c<i>Ele ignora o que n\u00e3o quer dar a conhecer<\/i>\u201d. Pelo que se percebe, as dificuldades de Agostinho n\u00e3o se distanciaram das dificuldades de Hil\u00e1rio, e ambos n\u00e3o conseguem convencer ningu\u00e9m imparcial, com esses argumentos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Do s\u00e9culo V h\u00e1 um salto para o s\u00e9culo XIII, quando Tom\u00e1s de Aquino se apoia em Hil\u00e1rio e Agostinho, e cita Gn. 22.12 no sacrif\u00edcio de Isaque por Abra\u00e3o, que n\u00e3o se concretiza, e se ouve a voz que diz: \u201c<i>Agora sei que temes a Deus<\/i>\u201d, indicando algo que Deus j\u00e1 sabia, mas \u00e9 como se n\u00e3o soubesse. Aquino tenta transpor isso para a afirma\u00e7\u00e3o de Jesus buscando convencer seus leitores que Jesus sabia, mas estava em uma \u201capresenta\u00e7\u00e3o\u201d de desconhecedor. Essa ideia foi seguida em 1952 por Lewis Sperry Chafer que fazendo uso de I Co. 2.2 sugere que Paulo sabia de outras coisas, mas disse: \u201c<i>Porque nada me propus saber entre v\u00f3s, sen\u00e3o a Jesus Cristo, e este crucificado<\/i>.\u201d como se ele s\u00f3 soubesse de Cristo para os Cor\u00edntios. Para ele Cristo poderia ter agido do mesmo jeito em Mc. 13.32, ou seja, com rela\u00e7\u00e3o aos disc\u00edpulos Jesus teria proposto a si mesmo n\u00e3o saber o dia da volta, ainda que soubesse. William G.T Shedd (1894) cita Mt. 11.27e faz alus\u00e3o ao que as \u201cpessoas\u201d da trindade podem ou devem revelar, nesse caso Jesus seria \u201coficialmente\u201d ignorante para revelar a data, j\u00e1 que caberia ao Pai tal prerrogativa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Acerca dessas tentativas de Hil\u00e1rio, Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino, Sperry Chafer e Willam Shedd, o pr\u00f3prio Timothy Miller reconhece que \u201c<i>\u00e9 duvidoso que esta gama sem\u00e2ntica esteja presente em Marcos. Dos vinte e um usos de <\/i><i><b>oida<\/b><\/i><i> em Marcos, nenhuma pode ser interpretada como significando &#8216;revelar<\/i>&#8216;\u201d e diz mais \u201c <i>o fato de que <\/i>\u03bf\u1f36\u03b4\u03b1<i> n\u00e3o ter essa defini\u00e7\u00e3o em qualquer lugar no livro de Marcos, parece que d\u00e1 a palavra aqui esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 puramente especulativa e injustificada<\/i>.\u201d. E, de fato, nenhuma passagem b\u00edblica reivindicada para tentar justificar o que Jesus disse, s\u00e3o paralelos reais.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><b>Solu\u00e7\u00e3o das duas Naturezas\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">A \u00faltima das tentativas digna de destaque na hist\u00f3ria do cristianismo decorre do que foi postulado no Conc\u00edlio Cat\u00f3lico de Calced\u00f4nia, em 451, ou seja, mais de 400 anos depois de Jesus haver dito o que disse em Mc. 13.32.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">A defini\u00e7\u00e3o de Calced\u00f4nia diz: \u201c<i>gerado do Pai antes de todos os s\u00e9culos segundo a divindade, e nesses \u00faltimos dias, para n\u00f3s e para nossa salva\u00e7\u00e3o, nascido da Virgem Maria, m\u00e3e de Deus, segundo a humanidade. Um s\u00f3 e mesmo Cristo, Senhor, Filho \u00danico <\/i><i><b>que devemos reconhecer em duas naturezas<\/b><\/i><i>, sem confus\u00e3o, sem mudan\u00e7as, sem divis\u00e3o, sem separa\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a das naturezas n\u00e3o \u00e9 de modo algum suprimida pela sua uni\u00e3o, mas antes as propriedades de cada uma s\u00e3o salvaguardadas e reunidas em uma s\u00f3 pessoa e uma s\u00f3 hip\u00f3stase<\/i>\u201d<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">O pr\u00f3prio Atan\u00e1sio antes da defini\u00e7\u00e3o de Calced\u00f4nia j\u00e1 havia tentado um caminho semelhante para justificar o desconhecimento de Jesus do dia de sua volta, pois disse: \u201c<i>Quando Seus disc\u00edpulos perguntaram sobre o fim, adequadamente, Ele disse, ent\u00e3o, &#8221;nem o Filho&#8217;, segundo a carne, por causa do corpo; que Ele pode mostrar que, como homem, Ele n\u00e3o sabe; p<\/i><i>orque<\/i><i> a ignor\u00e2ncia \u00e9 pr\u00f3prio do homem<\/i>.\u201d Dessa forma Atan\u00e1sio atribui o desconhecimento a Jesus como homem, ou seja, por causa da natureza humana. Greg\u00f3rio de Nazianzeno segue o mesmo tom, mas outros autores defendendo essa sa\u00edda, segundo informa Miller, s\u00f3 ser\u00e3o conhecidos ap\u00f3s Calced\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Jo\u00e3o Calvino acreditava que a natureza divina de Jesus ficou adormecida, em repouso ou escondida, e por isso Jesus disse n\u00e3o saber o dia da volta.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Miller informa que mais recentemente Charles Hodge, John F. Walvoord, Wayne Grudem, Charles M. Horne e outros, baseiam-se no argumento das duas naturezas com o adendo de que duas naturezas implica duas consci\u00eancias em Cristo, onde mergulhada em mist\u00e9rio, uma sabia e a outra n\u00e3o, de modo que se Jesus dissesse que sabia, n\u00e3o estaria mentindo apesar da natureza humana n\u00e3o saber, e se dissesse que n\u00e3o sabia, tamb\u00e9m n\u00e3o estaria mentindo apensar da natureza da deidade saber. Se isso \u00e9 razo\u00e1vel, s\u00f3 os trinit\u00e1rios devem achar.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Apesar de Miller ficar com a ideia das duas naturezas como uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o, ele mesmo lembra uma quest\u00e3o levantada por ANS Lane, que pode ser traduzida na seguinte reflex\u00e3o: <b>Se algu\u00e9m est\u00e1 com um dos bolsos cheios de dinheiro e o outro bolso <\/b><b>sem nada<\/b><b>, <\/b><b>(<\/b><u><b>ao ser perguntado se <\/b><\/u><u><b>tem d<\/b><\/u><u><b>inheiro<\/b><\/u><b>)<\/b><b> como pode<\/b><b>r\u00e1<\/b><b> a mesma e \u00fanica pessoa dizer que est\u00e1 sem um centavo por haver optado colocar a m\u00e3o no bolso que est\u00e1 vazio, <\/b><b>sem estar mentindo<\/b><b>?<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Miller reconhece isso, mas sugere que devemos abra\u00e7ar essa contradi\u00e7\u00e3o e esse paradoxo, alegando que na esfera divina isso deve ser admitido. Certamente isto est\u00e1 longe do que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou: \u201c<i>Seja, por\u00e9m, o vosso falar: Sim, sim; N\u00e3o, n\u00e3o; porque o que passa disto \u00e9 de proced\u00eancia maligna<\/i>\u201d (Mt. 5.37)<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\">Fica evidente que as tentativas da primeira a \u00faltima n\u00e3o satisfazem e n\u00e3o solucionam o problema. Muitas delas, inclusive a alega\u00e7\u00e3o de duas naturezas com duas consci\u00eancias, s\u00e3o puras conven\u00e7\u00f5es, ou alega\u00e7\u00f5es coletivas para algo que simplesmente pode ser resolvido admitindo que Jesus n\u00e3o sabe porque n\u00e3o \u00e9 Deus. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: FreeSerif, serif;\"><u>Mc. 13.32 continua como um estandarte \u00e0 vista de todos, anunciando que Jesus n\u00e3o \u00e9 o mesmo Deus que o Pai \u00e9.<\/u><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>http:\/\/www.mbu.edu\/seminary\/journal\/mark-1332-problem-or-paradigm-2<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>T\u00edtulo original: History of the Franks<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Conc\u00edlio_de_Calced\u00f3nia<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Semin\u00e1rio Batista Maranatha, do estado de Wisconsin \u2013 EUA, publicou, em janeiro de 2013, um interessante artigo escrito por Timothy Miller1. O autor esbo\u00e7ou sua preocupa\u00e7\u00e3o diante do texto de Mc. 13.32, pois considerando o que est\u00e1 textualmente dito, Jesus \u00e9 desconhecedor do dia de sua pr\u00f3pria volta. Se Jesus n\u00e3o \u00e9 Deus, est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-850","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=850"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":991,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/850\/revisions\/991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.unitarismobiblico.com\/w\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}