Em defesa do eterno conceito de Deus como um e único

Autor: valdomiro Page 2 of 7

Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Hb 7:3 “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre“.

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria se falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

At. 20.28

A redação de At. 20.28 diz: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”(ACF)

O que está em causa aqui é o final do verso, cuja leitura dá a entender que Deus tem (ou teve) sangue , e isso só poderia ser cogitado, se aplicado a Cristo, dizendo que a humanidade de Jesus é a própria Deidade.

Assim, aqui existem, pelo menos, duas questões:

1) A humanidade de Jesus é também deidade? Ou seja, Jesus é de única natureza, de tal modo que o sangue não é do homem Jesus, mas de Deus? Será que a deidade se transformou em carne também e vice-versa?

2) A expressão “seu próprio sangue” pode significar outra coisa que não uma relação de identidade direta?

A primeira é menos provável se tomarmos a Bíblia em seu sentido amplo, pois além de descaracterizar quem é Deus, anularia o sacrifício de Cristo: um humano resgatando a humanidade (o segundo Adão), assim como um humano fez cair a humanidade (o primeiro Adão). Rm. 5.14 mostra que foi o homem Jesus, enviado pela graça de Deus que verteu o seu sangue.

Em favor da segunda opção temos o resto da Bíblia, que nos informa que Deus é Espírito (Jo. 4.24) e que um espírito não tem carne e ossos, consequentemente não tem sangue (Lc. 24.39)
Assim, sangue é algo físico, inerente à matéria. Nesse sentido, o sangue de Deus, não pode significar que Deus tem sangue, mas que o sangue pertence a ele.

Além do mais, se o sangue em At. 20.28 é o sangue das “veias” de Deus, isto significaria inapelavelmente que Deus morreu, já que foi esse sangue que teria sido vertido na cruz, mas as Escrituras dizem: I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” O IMORTAL não morre. Se um dia o IMORTAL morreu não era, então, de fato, IMORTAL, pois pôde morrer, provando sua mortalidade. Deus não poderia ter dado “seu próprio sangue” e não ter sido considerado MORTO. Mas, isso tornaria falso I Tm. 1.17.

Mas, será que existe apoio linguístico para a acepção de que o sangue pertence a Deus, sem ser o sangue do próprio Deus em si? Sim, existe! A expressão “διὰ τοῦ ἰδίου αἵματος” pode ser entendida de duas formas: a)atributivamente, que é como a maioria dos trinitários entendem; ou b) possessivamente, significando que o sangue é de alguém que pertence a Deus. Isso tem apoio do resto da Bíblia que apresenta Deus e Jesus como seres distintos, não apenas pessoas distintas!

As escrituras dizem: “Corpo me preparas-te” (Hb. 10.5). A epístola aos hebreus deixa claro que Deus preparou um corpo não para si próprio, mas para outro. O verso 7 dessa mesma epístola mostra, mais uma vez de forma clara, que quem adquiriu o corpo não foi Deus, mas alguém disposto a fazer a vontade de Deus.

O contexto onde esse verso de Atos está inserido fala, no mesmo capítulo, de Deus e de Jesus em distinção várias vezes: At. 20.21,24,27. O fluxo do texto não leva os leitores a acreditarem que Jesus é o mesmo Deus de quem aparece em distinção recorrentemente.

Apoio de trinitaristas! O entendimento de não tratar-se do “sangue de Deus” não é exclusividade dos unitarianos. É uma constatação lógica do texto bíblico. Basta lembrarmos que a palavra “Deus” ocorre certa de 1.340 vezes. Note 1.340 vezes. Desta milhar e algumas centenas apenas raras, realmente raras vezes o termo é aplicado, em teoria, a Jesus (talvez umas 6). E todas essas escassas vezes o texto não está livre de apuração. E At. 20.28 é um caso típico!

O PhD Dr. Murray J. Harris que é professor emérito de exegese do Novo Testamento e teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois, diz em seu livro  “Jesus como Deus – O uso Theos no Novo Testamento, em referência a Jesus”  (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 141: “nesta construção de ίδιος é mais provável que θεός é Deus, o Pai e o objeto não expresso de περιεποιήσατο é Jesus”. Ou seja, mesmo os que defendem Jesus como Deus reconhecem que o texto não pode se referir ao sangue do Deus que é Espírito, mas pertencer a ele, através do Filho que é dEle.

Há uma variante grega, usada na USB, que traz a parte final do verso assim: “διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου”. Literalmente se traduz: “com o sangue de seu próprio”. Há uma expressão similar em Rm. 8.32 onde encontramos “τοῦ ἰδίου υἱοῦ” (seu próprio Filho). Já vimos que a outra variante pode ser usada tanto atributivamente como possessivamente. Então se houvesse apenas ela a possessividade já era constatável. Mas, esta mostra diretamente a possessividade, o que permite concluir que o texto fala do sangue do Filho. Esse uso não é estranho. Matzger em “Um Comentário Textual em grego do Novo Testamento”, 2 ª ed. (Stuttgart: Sociedades Bíblicas Unidas, 1971.), 426,  diz: “Este uso absoluto de ‘idios’ é encontrada em papiros gregos como um termo carinhoso referindo-se a parentes próximos”.

A Bíblia de Jerusalém, que é uma bíblia produzida por católicos e protestantes, assim verteu o verso: “nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para sipelo sangue do seu próprio Filho. Assim também entenderam os tradutores católicos e trinitários da versão da CNBB: “o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho. Outra versão protestante, logo, feita por trinitarianos, NTLH apresenta o verbo com a redação: “o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho.”.

Nota-se com isso que, seja católico, seja protestante ou, ainda, os dois juntos, os tradutores não tem dificuldades em perceber que ali não se trata do sangue de Deus em si.

Logo,  o entendimento unitariano que vê em At. 20.28 a Bíblia falar do sangue que pertence a Deus porque o Filho pertence a ele, tem apoio não somente do ponto de vista bíblico (Rm 8:32 “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?“), mas linguístico e exegético, refletido em reconhecidas traduções bíblicas e renomados exegetas trinitários. Claro, só a Bíblia já bastaria, mas essas informações extras são só para mostrar que esse entendimento não é exclusivdo do unitarianismo.

II Pe. 1.1

II Pe. 1.1 Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.

Este é mais um dos versos, a exemplo de Tt. 2.13, que tentam buscar como comprovação da suposta deidade de Jesus. Traduções com redações semelhantes tem sido usadas com esse fim, mas é oportuno dizer que não existe unanimidade na tradução do versículo. Por exemplo, a versão católica da Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria traduziu: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa”. Reconhecendo Deus e o Salvador como seres distintos. Mesmo a Bíblia de Jerusalém que é uma tradução feita por católicos e protestantes, ainda que vertendo o trecho de forma tradicional, informa como primeira nota de roda pé a II Pe. 1.1 a versão alternativa de tradução: “Ou: de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo”. Mostrando ser possível as duas versões.

Uma comparação desse verso de II Pedro com outro trecho das Sagradas Escrituras suscitam algumas indagações. Notemos os originais abaixo:

τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ. (II Ts. 1.12)

τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ (II Pe. 1.1)

A única diferença entre esses versos, nesses trechos, não é gramatical. Apenas consta “kyrios” onde na outra consta, exatamente na mesma posição, sôtêros.

Mas, o tradutor verteu de forma diferente, dando sentido diferentes aos versos:

“de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” (II Ts. 1.12) ACF

(aqui se identifica dois personagens e suas respectivas qualidades)

“do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (II Pe. 1.1) ACF

(Aqui se identifica um personagem com duas qualidades)

Em linhas simples, poderíamos nos perguntar porque não colocaram o “DO” em II Pe. 1.1, como fizeram em II Ts. 1.12, já que a estrutura é a mesma. Note que se lermos o v.2 de II Pe. 1:“pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor”, o apóstolo parece mostrar de forma clara que ele não quis apresentar Jesus como Deus e Salvador ao mesmo tempo no v.1, pois o distingui na sequência imediata no v.2.

Em linhas complexas, a reivindicação de Jesus ser apresentado como Deus e Salvador em II Pe. 1.1 é a mesma de Tt. 2.13 e tem a ver com uma regra inventada (o seu autor diria descoberta) por um inglês, pelos idos de 1800 d.C, chamado Granville Sharp. É mais ou menos como se um inglês declarasse haver descoberto uma regra de sânscrito que nem mesmo os autores dos remotos vedas e os estudiosos daquela língua sonhavam existir. Ou seja, Sharp e seus defensores acreditam ter achado algo que nenhum gramático de grego da antiguidade, em quase 3.000 de origem da língua, postulou.

A suposta regra é, basicamente, o seguinte: Artigo + Substantivo + KAI + Substantivo, indicaria que os dois substantivos se referem a mesma pessoa. Isso é a primeira regra dele (existem seis).

O problema é que se for tomada apenas assim, logo surgem problemas para sua aplicação, porque existiriam uma miríade de exceções que descaracterizaria a regra. Então, ele acrescentou à definição várias restrições: Se um ou os dois substantivos forem plurais a regra pode não se aplicar. Se for nomes próprios, por questões óbvias, a regra não se aplica. Se for referentes a coisas ou lugares a regra não se aplica, Se for numerais não se aplica. Se for plurais semânticos pode não se aplicar e segue um lista de não aplicação.

Na verdade todo o esforço de listar as supostas exceções que são variadas e numerosas é para excluir os invalidadores da regra e tentar mantê-la viva, pois caso contrário cada um desses impedimentos a derrubaria. O problema é que tentaram por em regra aquilo que se define pelo contexto. Isso se percebe porque se plurais, inclusive os semânticos, lugares, nomes próprios e etc, não se encaixam, a razão é simples; pelo contexto se percebe que não poderiam ser a mesma pessoa ou grupo, então, não é a suposta regra quem determina isso.

Depois de toda restrição, pegam as ocorrências onde a “regra” parece funcionar, digo parece, porque depois que se tira todas as exceções possíveis e imagináveis, realmente sobra os casos onde a “regra” parece funcionar, e a apresentam. Em outras palavras, criaram uma “regra” extremamente restrita e com finalidade específica (eu diria Ad hoc): Tentar provar a deidade trinitária de Jesus.

Sharp não esbarrou em uma regra que ninguém antes dele, nos milhares de anos da língua grega havia achado, ele estava procurando um meio de legitimar o dogma da trindade através da gramática, porque não há afirmação bíblica sobre a trindade. Assim, não há imparcialidade na redação da “regra”. Todas as flagrantes objeções linguísticas são postas fora do escopo para tentar legitimá-la.

Mas, ainda que se use a “regra” em seu sentido mais restrito (no “só para isso”), a gosto de seus depuradores, ainda assim, há exceções: Pv. 24.1 (LXX) é um dos casos bíblicos, mas há também na literatura externa. Ou seja, é uma base insegura para se definir aquilo que se deve definir pelo contexto. Certamente ninguém precisa de uma regra para traduzir “ὁ θεὸς καὶ πατὴρ” (II Co. 1.3), que está no arranjo “artigo” + “substantivo” + KAI + “substantivo” por “O Deus e Pai” se referindo ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Não seria uma regra que indicaria ali que os dois substantivos se referem ao mesmo ser. Ninguém antes de 1800 usou a “regra” (ela não existia) e ninguém se confundiu com essa tradução e outras passagens em uma suposta construção Sharp.

Aqui podemos falar também da questão semântica, que é outro problema da regra. Ainda sobre II Co. 1.3: Pai já é uma referência comum a Deus, de modo que ainda que tentem colocar expressões como essa sob a regra, ela é inócua e desnecessária e o texto não depende dela para ser compreendido, pois se elenca designações já conhecidas. É justamente a questão semântica que faz alguns defensores da regra de Sharp admitir correta a tradução “de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” em II Ts. 1.12, pois consideram ai a palavra “Senhor” como parte de um nome composto como “Senhor Jesus Cristo”, ou seja, nome próprio composto, o que faria a expressão sair do escopo da regra. Nesse ponto a suposta regra adquire alguma subjetividade, pois “Salvador” também pode ser considerado parte de um nome composto em “Salvador Jesus Cristo”. Essa “particularidade” semântica, ao que parece, é desconhecida pelos mais dedicados apologetas trinitários aqui do Brasil. E essa questão é mais um problema que torna a tal regra insegura, incerta e não aproveitável para o fim ao qual foi criada, pois se considerarmos “Salvador Jesus Cristo” como um termo técnico, um nome próprio composto, a regra deixa de ser aplicável tanto a II Pe. 1.1 quanto Tt. 2.13. A própria expressão “Grande Deus” em Tito, pode ser um termo técnico de identificação da Divindade (Ed. 5.8, Ne.8.6, Dn. 2.45, Ap. 19.17), que também anularia a aplicabilidade da regra ali. E se admitirmos que a palavra “Deus”, de fato, em vários casos adquiri o status de nome, então, não devemos confiar na “regra” por mais de uma razão.

Mas, mas mesmo que admitíssemos os postulados de Sharp como regras válidas, os trinitarianos ao tentar ganhar uma suposta evidência da deidade de Jesus perderiam outras. A sexta regra, por exemplo, elaborada por Sharp, apresenta uma situação ligeiramente modificada da primeira, ela determina que se houver uma construção: Artigo + Substantivo + KAI + Artigo + Substantivo, então, se referiria a pessoas diferentes. Se as regras dele fossem verdadeiras e legítimas, um trinitário ganharia II Pe. 1.1 como um verso que chama Jesus, na visão deles, de Deus e perderia outro que, na visão deles, chama Jesus de Deus, Jo. 20.28 “ὁ κύριος μου καὶ θεός μου”. O verso de João, “Senhor meu e Deus meu”, está exatamente na construção em que Sharp diria que são pessoas diferentes. Mas, nesse caso, providencialmente, ele e os trinitarianos admitem ser uma exceção à regra.

Os cristoteistas tem usado muito II Pe. 1.11 , cujo texto diz: “a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, como ponto base de convencimento de que se Jesus está sendo chamado de “Senhor e Salvador” nesse verso, deve estar sendo chamado realmente de Deus e Salvador em II Pe. 1.1, a partir do acolhimento da regra de Sharp, já que o v.11 tem a estrutura requerida (ASKS) por Sharp: “τοῦ κυρίου ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ”. Nesse texto, com relação a II Pe. 1.1, há apenas a substituição da palavra “θεοῦ” por “κυρίου”. No entanto, como já dissemos, o contexto deve determinar a tradução, não uma regra que se mostra falha em todas as instâncias. Até porque “nosso Senhor” em em II Pe. 1.11 pode se referir sem qualquer dificuldade a Deus e na segunda parte se referir a Cristo. Isso se vê confirmado em um versículo que também fala de REINO: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap. 11.15). Ainda que haja artigo antes de “Senhor” e antes da palavra “Cristo”, o texto prova que Deus é também nítida e naturalmente chamado de “Senhor”, de modo que, em II Pe. 1.11 “Senhor” pode, sem dificuldades, se referir a Deus e o segundo personagem no verso é Jesus.

Por causa desses vários problemas a regra passou quase 200 anos, desde de sua criação, praticamente morta. Poucos davam crédito ou a citavam para tentar validar uma identidade de Jesus com a Deidade. O Dr. Daniel B. Wallace tentou ressuscitar a regra em uma tese de doutorado em 1995 chamada Sharps Redivivus. Nesse trabalho o Dr. Wallace precisou encolher a “regra” ainda mais, ante as provas contrárias, para tentar mantê-la viva. Mas, mesmo seu trabalho de doutorado já foi avaliado e a “regra” continua devendo, já que ele mesmo não conseguiu solucionar todos os problemas conhecidos.

Ainda outra questão é oportuna falar se tudo isso fosse ignorado. A partir de Jo. 1.1, não existe reservas em chamar Jesus de “Deus”. A questão será sempre em que sentido, relativamente a posição do Pai, a palavra polissêmica “Deus” é usada em aplicação a Cristo. Sabemos por Jo. 17.3, nas palavras de Jesus mesmo, que não pode ter o mesmo sentido. Como não tem o mesmo sentido quando é aplicada aos juízes, anjos, reis, governantes e até Moisés.

Tudo isso mostra que a escassez de provas sobre uma requerida igualdade entre Jesus e seu Deus é tão grande que o trinitarismo tem que criar suas próprias provas. Se a trindade fosse uma realidade bíblica, ter-se-ia provas cabais e explícitas, a ausência disto leva a esse caminho que Sharp tomou.

Bem, há outros detalhamentos, mas essa exposição, penso, já dá uma visão panorâmica das coisas que envolvem a passagem de II Pe.1.1 e os problemas da suposta regra.

Gn. 19.24 (Dois são Yahweh?)

Como existe uma ausência perceptível nas Escrituras de algum ensino formal sobre a trindade os defensores desse dogma buscam tentar materializar alguma prova a partir de certas passagens bíblicas. Uma delas é Gn. 19.24 que diz: “Então  Yahweh fez chover enxofre e fogo, de Yahweh desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra”. Fazendo uso da leitura que Yahweh fez chover fogo da parte de Yahweh alguns alegam que Yahweh é pelo menos dois, e, no conceito trinitário, um estaria sobre a terra (o Filho pré-encarnado) e o outro no céu (o Pai em sua majestade), mas além disso não ser afirmado em lugar algum desse relato nas Escrituras, feriria frontalmente Dt. 6.4 que afirma que “Yahweh é um”. Mas, se Yahweh é um, como explicar o relato de Gênesis a partir da reinvindicação trinitária?

Como já foi falado antes, diante da ausência de qualquer elemento de ensinamento sobre uma trindade na Bíblia ou mesmo uma pluralidade em Deus, o caminho trinitário tem sido ler alguns versos sob uma ótica não bíblica. Uma ótica que já tem como pressuposto uma pluralidade, no entanto, a Bíblia tem elementos simples que mostram o engando dessa linha de pensamento.

Note Gn. 4.23 “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras”. Embora o relato registre que Lameque tenha dito para suas mulheres ouvirem a voz de Lameque, ao invés de “minha voz” referindo-se a ele, ninguém é movido a entender que haja dois Lameques. Uma leitura de Yahweh como sendo dois ou de dois Yahweh em Gn. 19.24 tem motivação externa, não a partir do texto em si.

Observe também 1Rs 12:21 “Vindo, pois, Roboão a Jerusalém, reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa de Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.” Aqui, mais uma vez, embora se fale de Roboão como aquele que reuniu tropas para restituir o reino a Roboão, ninguém reivindica que haja dois Roboão(s) ou que um mesmo Roboão seja dois. Vide também Gn. 17.23.

Outro exemplo pode ser encontrado em I Rs. 8.1 “Então congregou Salomão os anciãos de Israel, e todos os cabeças das tribos, os chefes dos pais dos filhos de Israel, ao rei Salomão em Jerusalém; para fazerem subir a arca da aliança do Yahweh desde a cidade de Davi, que é Sião.” (LTT 2009). Na ACF consta “diante de si” mas deveria cosntar “ao rei Salomão”, fazendo constar duas vezes o nome do rei como está no original hebraico: 1Rs 8:1 “אָז יַקְהֵל שְׁלֹמֹה אֶת־זִקְנֵי יִשְׂרָאֵל אֶת־כָּל־רָאשֵׁי הַמַּטֹּות נְשִׂיאֵי הָאָבֹות לִבְנֵי יִשְׂרָאֵל אֶל־הַמֶּלֶךְ שְׁלֹמֹה יְרוּשָׁלִָם לְֽהַעֲלֹות אֶת־אֲרֹון בְּרִית־יְהוָה מֵעִיר דָּוִד הִיא צִיֹּֽון׃”

Digno de nota é que no relado de Gênesis 19 há o envolvimento do representante de Yahweh. De qualquer jeito a forma literária, como vimos, não aponta para dois Yahwehs ou que o mesmo Yahweh seja dois, mas se usa uma forma comum nos escritos bíblicos onde ao invés da aparição de um pronome após o uso de um nome, há uma recorrência do nome sem que isso signifique que o mesmo nome se refira a mais de um.

Quem era Jesus segundo Paulo

A despeito de algumas afirmações taxativas de Paulo sobre quem é o Pai e quem é o Filho, como, por exemplo, I Co. 8.6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”, os reconhecendo em distinção naquilo que eles são, alguns trinitarianos evidenciam uns poucos versos onde entendem que Paulo está chamando Jesus de Deus para considerá-lo como sendo o mesmo Deus que o Pai.

Notadamente temos três ou quatro versos que Paulo, supostamente, chamaria Jesus de Deus. Digo três ou quatro porque um deles é uma reconhecida alteração no texto original e, também, digo “supostamente” porque nenhum deles são textos de traduções uniformes, ou seja, o original permite outras compreensões além daquela que fazem os trinitários ao acharem que Jesus é o próprio Deus.

Esses versos são:

Rm 9:5 “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.

I Tm. 3.16 “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.

Fp 2:6 “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,

Tt 2:13 “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo;

– O primeiro deles (Rm. 9.5) se debate a pontuação que afeta a tradução, já que no grego antigo não tinha pontuação, nem capitulação.

Por causa dessa particularidade Robert H. Mounce diz:

esse fato criou algumas dificuldades para os estudiosos contemporâneos, visto que o modo de um versículo ser pontuado pode ter efeito importante sobre a sua interpretação. Um dos exemplos notáveis disso é Romanos 9.5. Se uma pausa maior for feita depois da κατὰ σάρκα (lit. “segundo a carne”), a parte final do versículo seria uma declaração a respeito de Deus Pai (A NEB traz: “Que Deus, supremo sobre todos, seja abençoado para sempre! Amem”). No entanto, em se fazendo uma pausa menor naquela posição, as palavras finais da frase falariam de Cristo. A NVI diz: “[…] de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre!  Améme concluiO modo de a tradução lidar com um versículo ambíguo tal como esse revela as tendências teológicas do tradutor

(Mounce, William D. in Fundamentos do Grego Bíblico [Livro de Gramática] 1º Edição – 2009, pág. 17).

– O segundo deles (Fp. 2.6), é considerado um dos versículos mais discutidos da Bíblia, justamente por causa das possibilidades, tanto de tradução como de entendimento. Ou seja, é um verso que permite mais de uma tradução, ainda que, certamente, só um entendimento sobre ele deve ser o correto. Mas, as questões principais sobre sua compreensão e tradução envolve a palavra “forma” já que Paulo simplesmente poderia dizer “sendo Deus”. Alguns têm pretendido ver na palavra “forma” um indicativo de “natureza” ou “essência” da Deidade, há até léxicos que trazem esse significado para a palavra, ainda que vários outros apresentem apenas “forma” ou “aparência exterior” como seu significado. Vale destacar que o significado de “natureza” ou “essência” não parte de nenhum verso das Escrituras e nem dos usos adotados no tempo do Novo Testamento. A palavra tal qual aparece no original grego em Fp. 2.6 (Mορφή=forma) ocorre também em Mc. 16.12 “E depois manifestou-se noutra forma a dois deles”. É indubitável que Marcos não está fazendo qualquer referência a substância ou essência de alguém, mas a aparência exterior, a forma visível.

Note que Paulo faz questão de dizer “forma de Deus” ao invés de dizer “sendo o próprio Deus”.

A outra questão, nesse versículo, está relacionada à frase seguinte onde até mesmo entre gramáticos trinitários há discussão e que afeta a interpretação podendo levar a dois entendimentos diferentes: Ele não quis roubar a igualdade, o que permite uma tradução tal qual encontramos na Bíblia da CNBB “não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deusou não quis se valer da igualdade, tal qual aparece na ARA “ não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar”? Ambas suavizam o significado da palavra “ἁρπαγμὸν”, cujo verbo que lhe dá origem é usado recorrentemente no Novo Testamento com sentido de roubar, saquear, arrebatar, etc: “Ou, como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa?” (Mt 12:29), ou ainda, Mt 13:19: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração;

– O terceiro deles, I Tm. 3.16 tem a tradução na ARA: “Aquele que se manifestou em carne”, ao passo que a ACF traz “Deus se manifestou em carne”, no entando essa segunda versão surge a partir de uma adulteração de “OΣ” (em grego significa “Quem”, “Aquele”) para “ΘΣ” (Deus). Tal alteração foi tornada pública por um cristão reformado da Basileia chamado Johan J. Wettstein, em 1715. Logo, por causa disso, perderia o diaconato e o emprego. Ele percebeu que a letra considerada “Θ” (theta) na contração do nomina sacra “ΘΣ” (Deus) era na verdade um “O” (ômicron) componente do pronome demonstrativo “OΣ” (aquele), já que o “traço” central que transformou o ômicron em um theta decorreu de um borrão (vazamento) do texto constante do outro lado do pergaminho. Geralmente nos abreviações das palavras Deus (ΘΣ), Senhor (KY), Jesus (IΣ), no texto greto, se colocava um traço sobre as letras para indicar a contração. Wettstein percebeu que a tinta era nitidamente diferente da do restante do texto e concluiu tratar-se, de fato, de uma corrupção do texto. Muitos manuscritos trazem “Deus se manifestou”, mas são reproduções surgidas a partir de um manuscrito corrompido e são relativamente recentes em suas datações. De qualquer forma, dizer que “Deus” precisou ser justificado no Espírito é algo que não podemos, sequer, cogitar e está dito na sequência do verso. Logo, a leitura constante da Almeida Atualizada deve ser considerada a correta por mais de uma razão.

O quarto deles é Tt. 2.13. O debate sobre este verso envolve as possíveis traduções: “Grande Deus e do Salvador Jesus Cristo” ou “Grande Deus e Salvador Jesus Cristo”, esta última condicionada por uma “adição” recente (uns 200 anos), feita por um inglês, Granville Sharp, religioso não acadêmico, à milenar gramática grega, que foi recepcionada como regra, mas é de tal modo precária que até mesmo trinitários questionam a sua eficácia e/ou abrangência.

O fato curioso da leitura “Grande Deus e [ ] salvador Jesus Cristo” de Tt. 2.13 se dá quando comparada a I Ts. 1.12 “a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Os dois versículos seriam, se considerarmos a “regra” utilizável, abrangidos por ela; mas, em um verso se admitiu possível e correta a tradução “Deus e do Senhor Jesus Cristo”, mas não se fez da mesma forma em Tt. 2.13, onde preferiram a tradução “Deus e Salvador Jesus Cristo”. Embora a palavra “Salvador” e “Senhor” sejam da mesma classe gramatical, a razão da colocação da preposição em apenas uma, quando é legitimamente possível nas duas se dá, hoje, pela evocação da Regra de Sharp que, subjetivamente trata essas palavras com classificação gramatical diferente; considerando “Senhor” em Tt. 2.13 como um nome, tratando-a diferente da palavra “Salvador” em I Ts. 1.12. Ou seja, aplicaram a suposta regra a partir de um critério subjetivo. Esse é só um dos problemas com essa regra. Para um maior detalhamento veja AQUI.

Bem, se na comparação Tt. 2.13 e I Ts. 1.12 é possível as duas traduções, um trinitario poderia perguntar: por não deveríamos seguir a que é usualmente feita para Tt. 2.13 também em I Ts. 1.12 e vertermos o verso como “a graça de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo”? A resposta a essa pergunta é simples. Em um texto onde um verso pode ser traduzido de duas formas devemos buscar saber como o autor entende a questão. Como Paulo é o autor das duas frases. Devemos saber se ele costuma tratar Deus e Jesus, ou o Pai e o Filho, como sendo ambos o mesmo Deus.

Lembrando sempre, como se pode ver acima, que embora haja quatro versos usados para dizerem que Paulo chamou Jesus de Deus, apenas três permanecem, mas, ainda assim sob dependências de circunstâncias gramaticais e interpretações passíveis de questionamento.

Nesse ponto é oportuno fazermos essa averiguação de identificação nos escritos de paulinos:

At. 13:23 “Da descendência deste, conforme a promessa, levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel

At. 20.24 “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Rm 1:4 “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

Rm 1:7 “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Rm 2:16 “No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

Rm 3:22 “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.

Rm 5:1 “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

Rm 5:8 “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Rm 5:10 “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

Rm 5:11 “E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

Rm 5:15 “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

Rm 6:10 “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

Rm 6:23 “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.

Rm 7:25 “Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

Rm 8:17 “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

Rm 8:34 “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.

Rm 8:39 “Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

Rm 10:9 “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

Rm 15:30 “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;

Rm 15:5 “Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,

Rm 15:6 “Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Rm 15:7 “Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.

Rm 15:8 “Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais;

Rm 15:16 “Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo.

Rm 15:17 “De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus.

Rm 15:30 “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;

Rm 16:27 “Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

1Co 1:1 “Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes,

1Co 1:2 “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso

1Co 1:3 “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”

1Co 1:4 “Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo.

1Co 1:9 “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.

1Co 1:24 “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

1Co 1:30 “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

1Co 3:23 “E vós de Cristo, e Cristo de Deus.

1Co 4:1 “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.

1Co 6:14 “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder.

1Co 6:11 “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.

1Co 8:6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.”

1Co 11:3 “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.

1Co 12:3 “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

1Co 15:15 “E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.

1Co 15:28 “E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

1Co 15:57 “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.

2Co 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia.

2Co 1:2 “Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.

2Co 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;

2Co 1:19 “Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas nele houve sim.

2Co 1:21 “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus,

2Co 2:14 “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento.

2Co 2:15 “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem.

2Co 3:4 “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus;

2Co 4:4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

2Co 5:18 “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;

2Co 5:19 “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.

2Co 5:20 “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.

2Co 9:13 “Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos;

2Co 10:5 “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;

2Co 11:2 “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.

2Co 11:31 “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

2Co 12:19 “Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação.

2Co 13:14 “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

Gl 1:1 “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos),

Gl 1:3 “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo,

Gl 2:20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Gl 2:21 “Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.

Gl 3:17 “Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa.

Gl 3:26 “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

Gl 4:6 “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Gl 4:7 “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Gl 4:14 “E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo.

Ef 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus

Ef 1:2 “A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!

Ef 1:3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;

Ef 1:17 “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;

Ef 2:10 “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Ef 2:12 “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

Ef 3:9 “E demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

Ef 3:14 “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

Ef 3:19 “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

Ef 4:6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.

Ef 4:13 “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

Ef 4:32 “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Ef 5:2 “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.

Ef 5:5 “Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

Ef 5:20 “Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;

Ef 6:6 “Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;

Ef 6:23 “Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.

Fp 1:2 “Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo.

Fp 1:8 “Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.

Fp 1:11 “Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.

Fp 2:11 “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Fp 3:3 “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.

Fp 3:14 “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Fp 4:7 “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

Fp 4:19 “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.

Cl 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,

Cl 1:2 “Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Cl 1:3 “Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,

Cl 1:27 “Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;

Cl 2:2 “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

Cl 2:12 “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

Cl 3:1 “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

Cl 3:3 “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Cl 3:17 “E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Cl 4:3 “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;

1Ts 1:1 “Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

1Ts 1:3 “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,

1Ts 2:14 “Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles,

1Ts 2:15 “Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens,

1Ts 3:2 “E enviamos Timóteo, nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé;

1Ts 3:11 “Ora, o mesmo nosso Deus e Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, encaminhe a nossa viagem para vós.

1Ts 3:13 “Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos.

1Ts 4:1 “Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais.

1Ts 4:14 “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.

1Ts 4:16 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.

1Ts 5:9 “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo,

1Ts 5:18 “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

1Ts 5:23 “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

2Ts 1:1 “Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo

2Ts 1:2 “Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.”

2Ts 1:8 “Com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;”

2Ts 1:12 “Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

2Ts 2:16 “E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança,”

2Ts 3:5 “Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo.

1Tm 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa,

1Tm 1:2 “A Timóteo meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor.

1Tm 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

1Tm 5:21 “Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade.

1Tm 6:13 “Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão,

2Tm 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus,

2Tm 1:2 “A Timóteo, meu amado filho: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da de Cristo Jesus, Senhor nosso.

2Tm 2:19 “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.

2Tm 4:1 “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,”

Tt 1:1 “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade,

Tt 1:4 “A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.”

Fm 1:3 “Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Acredito ser muito difícil, mas difícil mesmo, que alguém imparcial entenda, naturalmente, diante de uma quantidade tão grande de informação que aponta justamente para o caminho contrário, e, sabendo das questões gramaticais e interpretativas de Rm. 9.5, Fp. 2.6 e Tt. 2.13, que o apóstolo Paulo, nesses três versos, esteja identificando Jesus como sendo o mesmo Deus com o Pai, quando provas não faltam que ele nunca falou de Deus e Jesus, ou o Pai e o Filho, acreditando que fossem o mesmo Deus.

Devemos lembrar, ainda, que Paulo ao apresentar seu Deus aos atenienses, no Aerópago, diante do altar dedicado “Ao Deus Desconhecido”, indica apenas um como sendo esse Deus, e ainda, ao invés de apresentar uma trindade de pessoas da qual Jesus é um de seus integrantes, além de não dizer isso, o Apóstolo acrescenta que Deus “há de julgar o mundo por meio do homem que destinou” (At. 17.31). O mesmo apóstolo diz também em seus escritos “Mas Deus é um” (Gl. 3.20).

As evidências contrárias as pretensões cristoteístas são tão fortes que terminam por denunciar o tamanho da deturpação que muitos, buscando tornar palpável a causa trinitária, fazem das palavras de Paulo em (e a partir de) três versos.

A Peshitta prova que Jesus é Yahweh? (parte 2)

Parte 2

O que dizer dos versos que apresentam Jesus como Marya.

Aqui não analisaremos os cerca de 30 que são reivindicados como sendo, supostamente, versos que dariam base para o requerimento de identificação de Yahweh como sendo Jesus, mas uns poucos, porém suficientes para mostrar o equívoco que é tentar estabelecer uma identidade de Yahweh com Jesus através da palavra Marya na Pehsitta Aramaica.

Um dos versículos comumente usados para defender que Jesus é Yahweh, pela via aramaica, é Fp. 2.11 “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é מריא, para glória de Deus Pai.” Mas, ele deveria ser a prova contrária, pois se Deus Pai é Yahweh, por que, então, o confessar Jesus não seria para glória de Marya mas de Deus Pai, já que Marya é o próprio Yahweh? Por que distingui-lo dizendo que a glória seria para Deus Pai e não para Jesus mesmo, já que ele é Marya. Por conseguinte confessar que Jesus é Marya deveria ser para glória de Marya. Qual a razão para tratá-los como dois seres diferentes, se são a mesma “substância” ou o mesmo Marya?

Há versículos que mostram claramente que reconhecer “Marya” como sendo um substituto, pari passu, de Yahweh, descontextualiza a passagem bíblica completamente. Por exemplo, em Jo. 8.11 lemos: “E ela disse: Ninguém, Marya (Senhor). E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” É difícil achar que aquela mulher estivesse, de pronto, identificando Jesus como sendo o próprio Yahweh, já que é isso que pretende aqueles que defendem o uso de Marya para Jesus, até porque o verso segue dizendo: “E disse-lhe Jesus…” Ou seja, a identificação de Jesus não deixa de ser Jesus, e a ele se atribui ali o título “Senhor”, não o nome “Yahweh” ou um substituto estrito do nome Yahweh, por tabela da palavra aramaica “Marya”. Não é natural deduzir ou entender que, ante a pergunta de Jesus se alguém a havia condenado, a mulher houvesse dito: “Ninguém Yahweh!”. Ou seja, é difícil crer que a mulher teria chamado Jesus de Yahweh e João o escritor do Evangelho teria insistido em identificá-lo com o nome Jesus! Entender marya além de seu sentido comum de “Senhor” gera essas estranhezas que só é aceita por quem já tenha abraçado um conceito que abarque isso previamente, pois o texto por si só não permite essa compreensão.

A citação que Jesus faz do Sl. 110.1 em Mt. 22.44 também mostra que vermos em “marya” um substituto estrito do nome Yahweh, não é uma opção segura: “Disse Marya (Yahweh) a l’Mari (Senhor)”. Aqui Jesus é “Mari”, não “Marya”. E é fato curioso que os defensores da ideia de que Jesus é Yahweh Deus pela associação dele com a palavra “marya” costumam citar Mt. 22.43 e o 45, onde aparece Jesus sendo chamado de Marya, mas não citam o verso do meio, Mt. 22.44, justamente onde se mostra Jesus sendo chamado de Mari, mostrando a distinção dele com Yahweh referenciado no Sl. 110.1. Ou seja, ainda que no verso 43 e 45 ele seja chamado de Marya, quando ele é colocado ao lado de quem, pelo contexto do Salmo representa seu Pai, ele é reconhecido como “mari”, não como “marya”. Isto prova que quando aplicado a Jesus, “Marya”, tem o mesmo valor de Mari ou Maran e significa assim como “Kyrios”, “Senhor”, e, não é associado estritamente com caráter de identidade pela forma substitua aramaica do nome “Yahweh”.

Em At. 2.25 há uma citação de interesse para o caso: “Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor (l’mari), Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido;” essa passagem é citação do Sl. 16.8 “Tenho posto Yahweh (Marya) continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei.” Como se pode perceber na Peshitta NT se usou “Mari” em um trecho do AT onde aparece “Marya” indicando que o sentido de ambos é o mesmo e significa “Senhor”. O que se pode dizer aqui é que na Peshitta NT Yahweh é também reconhecido como “mari”.

Digno de nota também é o texto de Jo. 12.21, na versão Siríaca do Sinai, onde lemos:


(Clique na imagem para ver o texto em https://arquivo.org)

Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Marya, queríamos ver a Jesus.” Aqui Felipe é reconhecido com “Marya”. Certamente a ocorrência mostra que “Marya” não é o equivalente estrito de Yahweh no NT. O que se pode dizer aqui é que na versão do NT síriaco do Sinai Felipe foi reconhecido como Marya. Se Marya é estritamente identificação de Yahweh temos um problema evidente de identificação de Felipe.

Curiosamente tem-se na Peshitta do NT a ocorrência exatamente de “maryah” (não marya) mas sendo aplicada a homens comuns, conforme aparece em At. 16.16 “E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.” “Senhores” aqui é “מריה”.

Se “marya” fosse sinônimo de Yahweh, então, não há explicação razoável para At. 2.36 “Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Marya e Cristo.”, pois não tem sentido dizemos que Jesus foi constituído por Deus em Yahweh. Se ali entendermos “marya” como o senhorio dado a Cristo o texto é harmônico, mas se por “marya” entendermos que Jesus foi feito Yahweh pelo próprio Deus, o texto fica sem qualquer sentido. Quem ele era antes, para somente depois ser feito “marya” (Yahweh)? Se ele foi feito, então, em que momento não era “Yahweh” (Marya) feito carne”.

O uso de “marya” se entendido como um composto de “mar” mais a forma “Yah” do nome de Deus, destrói o propósito do uso de “marya” pois se a ideia era manter “Yah” oriundo do nome de Deus ainda que em forma abreviada, porque não usar sua forma completa “Yahweh”?

Um outro detalhe bem gritante da falha da reivindicação de “marya” como praticamente o equivalente aramaico de Yahweh e que com esse viés tenha sido aplicado a Jesus, é o fato de nenhum judeu opositor de Cristo, que por sinal eram eram muitos, haver taxado de idólatras ou blasfemos aquelas pessoas que teriam chamado Jesus de Marya (se Marya era o equivalente de Yahweh). É como se o fato houvesse passado completamente desapercebidos de tudo e de todos em Jerusalém, Judeia, Samaria e confins da terra.

Some-se a tudo isso, o fato de nenhum dos renomados especialistas em aramaico apresentarem Marya como uma construção de “Mar” com “Yah”, mas como um intensivo de “mar” que foi posto como substituto do nome do Eterno; semelhantemente ao que os LXX fizeram com “Kyrios”.

As obras ou estudos que apresentam Marya como sendo uma composição de Mar (aramaico) + Yah (hebraico) se origina no meio de quem já acredita nisso.

Veja a parte 1  AQUI

A Peshitta prova que Jesus é Yahweh? (parte 1)

Parte 1

Seja pela via trinitária, seja pela via unicista muitos procuram estabelecer, de alguma forma, uma identidade única para o Pai e o Filho. O primeiro grupo para afirmar que embora sendo pessoas distintas são o mesmo Deus e o segundo para dizerem que são a mesma pessoa, logo, o mesmo Deus. Tem-se especulado, principalmente em meios unicistas, em tempos recentes, que a Peshitta apresenta a prova documental de que Jesus é Yahweh. Mas, uma observação é oportuna antes de comentarmos a suposta prova da identidade do Pai com o Filho: Ainda que se reconheça a Peshitta como uma antiga versão das Escrituras Sagradas, ela é uma versão, e isto é provado pelo fato de o Tanakh ter sido originalmente escrito em hebraico, não aramaico e assim como a Septuaginta é toda em outra língua e reflete influências e adaptações textuais como toda versão. Os analistas da Peshitta reconhecem que nela há traços dos Targums Aramaicos, e da própria Septuaginta, pois há trechos que não seguem o texto hebraico, o que prova sua posteridade. Alguns reconhecem a Peshitta da Brit Chadasha (Peshita do Novo Testamento), como uma produção independente e também mais tardia do que sua composição do Antigo Testamento. Logo, ainda que antiga, não é cópia exata do original, mas traz em seu bojo as influências das épocas em que foram traduzidos (Antigo e Novo Testamento) para o aramaico. O próprio texto não reflete a escrita aramaica da era pré-cristã, período da construção histórica do Tanakh, nem do usado no primeiro século, época histórica da Brit Chadasha (Novo Testamento).

O siríaco, vertente do aramaico em que se encontra escrita a Peshitta que se tem hoje, ainda que antigo enquanto língua não se popularizou enquanto escrita senão a partir do III século. E a própria Bíblia Peshitta não é anterior ao IV século. Logo, mesmo que se possa presumir ou reconhecer que tenha havido uma versão aramaica do II século, os manuscritos que se dispõem datam do IV e V séculos, e se apresentam no siríaco tardio, dialeto aramaico que se popularizou como língua de literatura mais de trezentos anos depois de Cristo, principalmente na região de Edessa. Portanto, como todos os demais manuscritos da Bíblia, principalmente os do Novo Testamento, o texto aqui e ali pode apresentar possíveis preferências de fé ou mesmo falhas dos copistas como ocorre também nas cópias gregas.

A afirmação de que Yahweh e Jesus são a mesma pessoa ou o mesmo Deus parte, basicamente, além dos versículos comumente usados pelos unicistas, sejam protestantes ou messiânicos, do uso da palavra aramaica “Marya” (em caracteres hebraicos מריא) que significa Senhor. Ainda que no messianismo hajam as três linhas: unitarismo, unicismo e trinitarismo. Essa palavra tem sido considerada pelos defensores dessa linha de pensamento como um substituto estrito do Nome Sagrado YHWH na Peshitta Tanakh (Peshitta do Antigo Testamento) e, de fato, em praticamente todas as ocorrências do Tetragrama os tradutores dessa versão usaram “Marya” como substituto, e, por isso, quando essa mesma palavra aparece aplicada a Jesus nessa versão das Escrituras é interpretado como uma confirmação de identidade de Jesus com sendo Yahweh. Mas, existem aqueles que não veem esse sistema de identificação como um procedimento seguro para esse tipo de reconhecimento.

Duas questões precisam ser definidas. Primeiro: Será que Marya é a forma aramaica para Yahweh? Ou, será Marya o substantivo aramaico intensivo que significa “senhor” e serviu como substituto não equivalente do Tetragrama na Peshitta, assim como Kyrios o foi na Septuaginta grega?

Os questionamentos surgem a partir da própria transliteração adotada, pois quem defende que Jesus é Yahweh por esses moldes unicistas, costuma transliterar מריא como “Maryah”, alguns chegam mesmo a escrever “MarYah” ou “Mar-Yah” com o “Y” maiúscula e um “h” no final, o que produz uma associação visual com a costumeira transliteração do Nome Sagrado, a partir do hebraico, já que a forma abreviada de Yahweh (hebraico) é Yah, como no Sl. 68.51. Esse tipo de transliteração aproveita uma particularidade da escrita moderna que é a capitulação, ou seja, maiúscula e minúscula, quando sabemos não haver existido capitulação no aramaico, assim como não havia do hebraico ou mesmo do grego da época bíblica. De qualquer forma מריא é escrito com “א” (álap) no final, não com “ה”. Então, a transliteração correta é “marya”. Mesmo que “יא” possa eventualmente, em aramaico, aparecer em composição com nomes teofóricos, não se pode dizer que todas as palavras terminadas “יא” queiram representar a forma abreviada da substituição do Nome Sagrado. Outro detalhe é que a transliteração “MarYah”, assim escrita, denuncia explicitamente que ela é uma palavra criada pelos tradutores, composta de Mar + Yah, mas tal junção não é reconhecida por nenhum dicionário de aramaico. Marya é uma forma real e existente dentre as várias construções possíveis oriundas da raiz “mr” (mar). Marya é a forma intensiva da palavra Senhor, e assim como Adonay é um plural. Além do mais, abundam provas de que nem sempre uma palavra terminada com agrupamento “יא”, em aramaico, representa a abreviação sugerida para o Nome Sagrado. “יא” é desinência plural de muitas palavras em aramaico, fora as palavras que mesmo terminando “יא” nem representam o nome, nem são plurais. Por conta disso o estabelecimento da relação de uma suposta construção de Marya a partir de “mar” com Yahweh, partindo da forma abreviada deste última, precisa ser criteriosamente verificada.

Há que ser notado que se “ya” em “marya” fosse a abreviação “Yah” e fizesse parte dessa palavra, então, essa parte não poderia estar ausente nas variações de “marya” ou de “mar”, no entanto temos maraya, maray, marawan, maran, mareh, marawhy, mara, mareyeh, marhwn e etc. Como já foi dito, há um grande número de substantivos masculinos em aramaico que terminam em “יא” (ya) tais como “rawaya” = bêbado, claro que não podemos presumir “O Bêbado Yahweh” ou “o Bêbado Yah” ou “shatya” = tolo, certamente não será “O Tolo Yah”. Some-se a isso o fato de que se ao traduzir a Bíblia para o aramaico os tradutores preservaram YAH (parte do Nome Sagrado) para fazerem uma composição com “Mar” e aplicá-la quase 7.000 vezes, por que não mantiveram todo o Tetragrama em vez de sua abreviação que ocorre algumas poucas vezes no texto hebraico? Por que transformariam a abreviação em ocorrência principal e aniquilariam a forma completa do nome? Por que não escreveram, se a palavra fosse uma composição de “mar” com “Yahweh” “MarYahweh”, ou, ainda, por que não aparece no texto aramaico pelo menos uma ocorrência dessa forma completa, ao invés de uma suposta forma sempre abreviada?

Factualmente o argumento que parece dar vida a ideia de que Marya identifique Jesus como sendo Yahweh é o fato de na Peshitta Tanakh essa palavra ter servido como substituto sistemático do tetragrama “YHWH” e existirem ocorrências na Peshitta Brit Chadasha da palavra sendo aplicada a Jesus, no entanto, isso não deveria dar alguma especialidade a palavra além daquela que vemos também em Kyrios, título substituto do tetragrama na Septuaginta (versão grega do Tanakh) e no NT grego. O que se pode perceber é que na Peshitta AT os tradutores quiserem preservar a identificação no lugar onde havia ocorrências do Tetragrama através de uma forma fixa de uma palavra aramaica que significa “Senhor”, mas foram além e verteram inclusive outras palavras por Marya.

“Yah” – “Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai montado sobre os céus, pois o seu nome é Yah (marya), e exultai diante dele.” Sl. 68.4

“Adonenu” – “Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor [hebraico – Adonenu / aramaico – marya]; portanto não vos entristeçais; porque a alegria doYHWH [marya] é a vossa força.” Ne. 8.10.

“Adon” – “Treme, terra, na presença do Senhor [em hebraico – adon / aramaico – marya], na presença do Eloah de Jacó.” Sl. 114.7

Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor [em hebraico – adon / aramaico – marya], a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Yahweh dos Exércitos.” Ml. 3.1.

“Adonay” – “Ah! Senhor [hebraico – adonai / aramaico – marya], estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo, e à oração dos teus servos que desejam temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu servo, e dá-lhe graça perante este homem. Então era eu copeiro do rei.” Ne. 1.11

“Elohim” – “Firmemente aderiram a seus irmãos os mais nobres dentre eles, e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na lei de Elohim [marya], que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Elohim [marya]; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do YHWH [marya] nosso Senhor [maran], e os seus juízos e os seus estatutos;” Ne 10.29.

Visto que, ante as evidências, não há como estabelecer que Marya deva ser lido MarYah, como se fossem um agrupamento de uma palavra aramaica com outra hebraica, ou que Yah deva ser entendido como um complemento de nome à raiz “mar”, fica pendente a segunda pergunta: Marya é um substantivo aramaico que serviu como substituto do Tetragrama? Podemos dizer que sim, dada as suas ocorrências com essa característica, ainda que não 100% uniforme já que palavras como Adon, Adonay, Elohim e a própria abreviação Yah são, por vezes, substituídas por Marya! Dai surge a questão da ocorrência dessa palavra na Pashitta do Novo Testamento e sua aplicação com a pessoa de Jesus Cristo. Será que em se aplicando essa palavra a Jesus se estabelece uma identificação entre ele e Yahweh como sendo o mesmo ser?

É fato curioso que os tradutores da Peshitta Tanakh tenham procurado ao máximo substituir o Tetragrama por Maya, chegando mesmo a verter até títulos aplicados a Yahweh por Maya, mas não tenham seguido o mesmo rigor de uniformidade na aplicação dessa palavra a Jesus quando produziram o NT. Talvez pelo fato de terem sido grupos diferentes, como já foi dito, que produziram a Peshitta que hoje temos em mãos ou talvez porque a exclusividade que deram a Marya no Antigo Testamento não tenha sido transportada para o Novo Testamento. Note-se que a expressão “Senhor Jesus” ocorre no Novo Testamento 119 vezes se tomarmos como base o TR e um pouco menos se tomarmos o TC do NT Grego como base. Isto se considerarmos “Senhor” no conjunto “Senhor Jesus”. Se considerarmos apenas a palavra “Senhor” isoladamente, mas se referindo pelo contexto a Jesus, e agregarmos a essas o número aumenta substancialmente, pois a palavra “Senhor” ocorre no NT cerca de 750 vezes, dessas um pouco mais de 200 é de fácil identificação como se referindo a Yahweh, o Pai (como, por exemplo, nas referências à passagens do Antigo Testamento). Se excluirmos as ocorrências aos senhores terrenos, sobram, então, aproximadamente 500 ocorrências que se aplicariam a Jesus. No entanto, em apenas cerca de 30 ou um pouco mais, os escritores da Peshitta usaram “marya” referenciando Jesus. Se para os elaboradores da Peshitta Jesus era indubitavelmente Yahweh e a Peshitta substituiu todas as ocorrências do Yahweh no Antigo Testamento por Marya, qual a razão para não usarem também de forma sistemática e uniforme a palavra quando Jesus fosse referenciado como “Senhor”? Ou mesmo, por que não trocar o nome Jesus por Marya, se esta era a forma de identificação do nome de Deus naquela versão da Bíblia? Trocaram todas as ocorrências do nome Yahweh por Marya e não trocaram todas as ocorrência do nome de Jesus por Marya? Por quê? De fato, há alguma coisa desuniforme em tudo isso.

Como já dissemos os grupos que produziram a Peshitta do A.T e a do N.T muito provavelmente não foram os mesmo. A atual versão que dispomos é a junção desse trabalho.

O detalhe importante que parece ser ignorado nesse processo de tentativa de identificação de Jesus como sendo Yahweh pela via da aplicação de Marya nos textos aramaicos é o contexto teológico do período de sua produção, mas especificamente da produção do N.T no dialeto siríaco. Já no séc. II haviam muitas facções originadas daquela fé pregada pelo Nazareno. Existiam os de linha judaica que consideravam Jesus um homem: O messias enviado a terra. Outros judeus e não judeus de linha Gnóstica, que Deus gerava ou emanava divindades e Jesus era uma dessas divindades geradas. Outros que entendiam que Jesus era o próprio Deus em carne, mas não o mesmo que o Pai, e outros ainda que admitiam Jesus como encarnação de Deus e era, achavam eles, em certo aspecto, o próprio Pai. Esta última impostação se tornou muito popular, é a antecessora do dogma trinitário e já no séc. III havia agregado o Espírito Santo como a terceira manifestação, não outra pessoa, desse Deus. O chamado modalismo havia alcançado Roma, Asia Menor, Síria e Egito. Isto significa dizer que na época da produção da cópia da Peshitta da qual se dispõe hoje, já existia um distanciamento grande, nesse aspecto, das raízes verdadeiramente judaicas iniciais do cristianismo. Assim, o conceito de que Jesus e Deus, seu Pai, não eram duas pessoas, mas o mesmo e único Deus já havia chegado às regiões de produção da Pashitta do NT. Não é difícil ponderar, até pela falta de uniformidade e escassez de uso da palavra Marya aplicada a Jesus, em contraste com o grande volume das ocorrências que chamam Jesus de Senhor (onde deveríamos esperar também Marya), que o copista tenha colocado ali a palavra sem a devida firmeza, já que quase 500 ocorrências da palavra Senhor referindo a Cristo, ele teria usado Marya apenas em cerca de 30; ou que tal copista já estava inclinado ao chamado modalismo, que se caracterizava justamente pela crença de que Jesus e Deus, seu Pai, eram o mesmo Deus, logo o mesmo Marya, mas não eram pessoas diferentes.

Veja a parte 2 AQUI

______________

1No Sl. 68.5 a Peshitta Tanakh traz “marya” não apenas “Ya” provando que “marya” não é um substituto estrito da palavra “Yahweh” e que os elaboradores da Peshitta não fizeram uma tradução estritamente de equivalência formal.

Zc. 11.12,13: Quem foi avaliado, Yahweh ou Jesus?

Quem foi avalidado por 30 moedas, Yahweh ou Jesus?

Antes de mais nada devemos considerar que esse tipo de declaração encontrada em Zc. 11.12,13 não é uma asseveração de identidade. Nem mesmo um comparativo literal, pois aqui se mostra detalhamentos que não ocorreram dessa mesma forma no ato da traição de Judas. Por isso devemos ficar atentos e fazermos uma leitura mais apurada.

Um olhar sobre o contexto nos leva a considerar o que está dito no verso 4: “Assim diz Yahweh meu Deus: Apascenta as ovelhas da matança”. Aqui há claramente três personagens: Yahweh; as ovelhas da matança e aquele a quem a palavra foi dirigida: um pastor que apascentaria as ovelhas da matança (representado na pessoa do profeta). O contexto mostra um trabalho conjunto feito por um representante (o profeta/pastor) e o representado (Yahweh). Veja que a fala sobre as varas citadas a partir do verso 7 pode muito facilmente ser confundida como se fosse palavras diretas de Yahweh, mas é, na verdade, apenas o profeta seguindo a orientação do verso 4. No v.4 Yahweh ordena “Apascenta” e no verso 7 o profeta obedece: “Eu, pois, apascentei”. A prova que, de fato, é o profeta desempenhado sua incumbência de pastor determinada por Yahweh, se vê nos versos 14 e 15 “Então quebrei a minha segunda vara União, para romper a irmandade entre Judá e Israel. 15 E  Yahweh disse-me: Toma ainda…” (nesse momento Yahweh lhe dá mais uma missão, quando diz “Toma ainda…”, além daquela que culminou no quebrar da vara “Únião”).

Agora leiamos o texto a partir do 11 que diz: “E foi desfeito naquele dia; e assim conheceram os pobres do rebanho, que me respeitavam, que isto era palavra do SENHOR.” Aqui se vê novamente, três personagens: os pobres do rebanho; o que foi respeitado porque reconheceram estar nele a palavra do terceiro personagem: Yahweh. Só então vem o verso 12 “Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.” Este verso está conectado ao verso 11, ou seja, o profeta requer a avaliação de seu trabalho (trabalho este incumbido por Yahweh) e foi esse trabalho que fez com que “os pobres do rebanho” o respeitassem e que esse trabalho decorria da palavra de Yahweh. Notemos que há uma associação entre a obra do profeta e a determinação de Yahweh. Essa obra do profeta foi avaliada em 30 moedas; logo, como a determinação foi de Yahweh, uma coisa se atrela a outra, mas não cria uma identidade de substância entre Yahweh e o profeta. Veja que é Yahweh mesmo que diz ao profeta (pastor) “Arroja isso ao oleiro”.

Parece que a confusão toda está em uma única expressão “FUI AVALIADO”, mas o texto nesse ponto precisa ser contextualizado. Quem foi avaliado, Yahweh ou a obra do “apascentador das ovelhas da matança”? Bem, contextualmente, principalmente os versos 11 e 12 dizem: “E foi desfeito naquele dia; e assim conheceram os pobres do rebanho, que me respeitavam, que isto era palavra de Yahweh. 12 Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.” indicam que foi a obra que o tornou digno das 30 moedas. Veja que o trabalho daquele apascentador foi determinado por Yahweh e é por isso que ele reconhece que a avaliação do trabalho do apascentador é a sua (Obs.: isso se considerarmos que não há um ponto e sim uma vírgula após a palavra “oleiro” v.13 [em hebraico não havia pontuação], pois se for um ponto final, seria nesse trecho o profeta falando e não Yahweh falando). De qualquer forma é fácil notar que há sempre dois personagens distintos e que um não é o outro. Um é o enviado (o representante) e o outro aquele que enviou (o representado). Ou seja, se você lê-los a partir de 11.11 terá uma impressão diferente do que se ler apenas a partir do verso 12.

Assim, parece-me claro que aquele cujo trabalho foi avaliado em 30 moedas de prata foi aquele descrito no verso 11 e a expressão “fui avaliado” do verso13 se refere a ele ou a obra conjunta dos dois, ou apenas a execução da obra, no caso o ato de apascentar e isso indicaria o profeta como avaliado.

A desconsideração da existência real da representação faz com que a linha trinitária sempre procure ver que o representante é o representado, para tentar criar uma linha de identidade entre Yahweh e Jesus. Mesmo que em Zc. 11 houvesse uma identificação de Yahweh sendo avaliado em 30 moedas, precisaríamos levar em consideração outros fatores. Veja, por exemplo, dois versos, que sempre é oportuno de citar, para mostrar que a mera conjugação de identidade motivada por uma única ação, conforme prefere entender a linha trinitária, é equivocada:

24.1 “E a ira do Yahweh se tornou a acentuar contra Israel, e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai numera a Israel e a Judá

I Cr 21.1 “Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar Israel.”

Yahweh é Satanás mesmo? Clara e gritantemente a resposta será NÃO. Mas, a linha trinitária, diria “SIM” se os versos envolvidos falassem de Yahweh e Jesus, ao invés de Yahweh e Satanás; ou seja, a linha interpretativa da dogmática trinitária forçosamente será desuniforme, sob risco de identificar Yahweh como sendo o próprio Satanás.

Perceba como esses versos são interessantes, pois por ele temos certeza de que mesmo que ali estivesse o nome Jesus (no lugar de Satanás), ainda assim seria precária a identificação de ambos como sendo o mesmo Deus. Se ali estivesse Jesus, seria difícil convencer um trinitário de que ele não era o próprio Deus, mas o fato de existir um versículo tal como este (com essa redação) mostra que quem dissesse que Yahweh era Jesus (se ali estivesse o nome Jesus) estaria imensamente equivocado, tanto quando estará aquele que disser que Yahweh é Satanás por causa daquela redação.

Por tudo isso, constata-se que não foi a pessoa de Yahweh que foi traído por 30 moedas de prata, mas o Senhor Jesus.

Is. 6.8 com Jo. 12.37

Isaías viu a glória dele. “Dele” quem?

O conjunto dos versos Is. 6.8-10; Jo. 12.37-41 e At. 28 tem sido reivindicado para afirmar que Yahweh é o “nome” dos três, ou seja, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mas vamos examinar mais de perto esses versos e seus contextos para vermos se isso se confirma.

O profeta Isaías é descrito nesses versos do capítulo 6 como o agente de Yahweh, respondendo positivamente a pergunta: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (v.8). As ações de Isaías produziriam no povo de Israel, de acordo com o v.10, o “engordar” do coração, o serem pesados de ouvidos e terem seus olhos fechados.

Olhemos agora para o que nos diz Jo. 12.38 do trecho reivindicado como uma identificação de Jesus com Yahweh: “Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” O primeiro registro que será feito por quem leu Is. 6.8-10 é a observação de que esse verso de João 12, não está em nenhum versículo daquele capítulo de Isaías e realmente não está porque é citação capítulo 53 do mesmo profeta. A redação desse verso é importante quando diz: “Senhor, quem creu na nossa pregação?”, pois por ai dá para perceber que é uma exclamação dirigida ao SENHOR (Yahweh) e NÃO o próprio SENHOR falando. E João ao citar isso reconhece essa distinção de forma cristalina. Somente então é que o texto de João segue e cita o trecho de Isaías 6: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure.” (Jo. 12.40). Aqui fica claro que o que representa aquele que faz a pergunta “SENHOR, quem deu crédito a nossa pregação” é aquele cujos efeitos da pregação revela os corações endurecidos e olhos cerrados, mas nenhum desses dois versículos escritos no Rolo do Profeta e citados por João, por si só, dão a entender aos leitores que Yahweh seja Jesus, pelo contrário já que em Is. 6 fala-se daquele que é o enviado de Yahweh e Is. 53 está descrito aquele que leva a pregação de Yahweh. Em ambas as passagens fala-se de um mensageiro de Yahweh, ou seja, nos dois casos se fala de mais de um personagem: Yahweh e outro que é o tipo de Cristo (o enviado). A linha trinitária ignora essa necessária percepção do verso, sem a qual sua plena compreensão fica prejudicada.

É fácil notar que o trecho reivindicado de João 12, então, ao apresentar duas citações de Isaías, fala de dois personagens nas duas citações, não apenas de um personagem! Não cita-se apenas Yahweh, mas, também aquele que seria seu mensageiro; o responsável por levar SUA pregação. O verso 40 ao dizer “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração…”, não está falando de uma ação direta de Yahweh, na verdade fala do resultado da ação de Seu enviado, posto que em Isaías fala desse mensageiro como alguém que “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos”. Quem nos dias da proclamação do Evangelho desempenhou esse papel? E Jesus também revela: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mt. 15.24)

Então, surge o verso 41 de João 12: “Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.”, cuja leitura apressada desfaz esse cenário que se fala de dois, como se o próprio Isaías fosse apenas um personagem passivo naquele episódio. Mas, é apenas a leitura apressada que fará destoar o verso de seu contexto. Percebamos que Jesus mesmo diz com suas próprias palavras: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” (Jo. 17.22). Então a expressão “viu sua glória” não força uma co-identidade. A unidade decorre do compartilhamento da Glória, e, a glória de um é a de todos com quem foi compartilhada. Ora, se a Glória que Jesus tinha provinha do Pai, então a Glória que se vê do Pai é também a Glória que se vê no Filho, porque não existem duas Glórias, mas uma única fonte de Glória e, conforme Jesus disse, é o Pai. Consideremos, então, o contexto bíblico e indaguemos: Será que o texto de João, em estudo, está falando do Trono, dos Querubins e daquele que estava assentado no Trono e etc? Ou está falando clara e objetivamente do outro personagem envolvido em Isaías, o responsável pela pregação e que é aquele que pergunta: “… Quem deu crédito a nossa pregação?…” e cuja pregação “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado”. Então, cabe a pergunta: Se João quisesse dizer que Jesus é Yahweh (O SENHOR) que estava assentado no Trono, então, quem era o outro personagem refletido como anunciador e a quem o restante do contexto faz referência?

A expressão “falou dele”, certamente recai sobre o anunciador das boas novas, que diga-se de passagem é o agente descrito no Evangelho de João nesses versos e é justamente aquele que leva as palavra de Yahweh, conforme descrito em Isaías. É comum dentro do contexto profético o profeta predizer o fato futuro e facilmente ser associado como sendo ele mesmo o presonagem da profecia; isso é visto nesse caso e confirmado em At. 8.34, onde mais uma vez cita-se Isaías: “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” Felipe ao revelar que ali se falava de outro, não do profeta, mostra que o anunciador das boas novas apontava para Cristo e portanto distinto, não somente numericamente, tanto daquele profeta quanto distinto de Yahweh que o enviou.

Nesse mesmo contexto de Jo. 12, nos versos 44 e 45, mais uma vez Jesus de forma clara e taxativa se admite como o representante do Pai, Yahweh: “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.” Aqui ao falar de dois, do que ENVIA e do que é ENVIADO, a exemplo dos dois versos de Isaías que fala exatamente de ENVIAR ALGUÉM e fala desse ALGUÉM; Jesus mostra que os dois não são o mesmo ente. Yahweh o enviou, assim como está claro no livro do Profeta!

Já At. 28. 25 “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías”, aqui não se diz e nem força o entendimento de que o Espírito Santo seja o próprio Yahweh, até porque o pepel do Espírito Santo é explicitado em Jo. 16.13 “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” O máximo que se pode concluir aqui é que o Espírito Santo transmitiu a Isaías as palavra de Yahweh, já que o Espírito Santo não fala de si mesmo. Aliás cabe aqui uma pergunta: Se o Espírito Santo fosse o próprio Yahweh, por que não falaria de si mesmo?

Qual o grande problema dessa linha de raciocínio que quer ver nesses versos um identificação de Pai, Filho e Espírito como sendo Yahweh? É justamente a intervenção humano, pois na completa ausência de Jesus se identificando como sendo Yahweh, os homens forçam compreensões para suprir esse abismo. Jesus falou muitas coisa; podemos dizer que as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo compõem um bom volume do conteúdo escrito no Novo Testamento, mas em absolutamente lugar algum das Escrituras encontramos ele dizendo ser um ente plural com e/ou o mesmo que Yahweh, pelo contrário, ele diz: “Não vim de mim mesmo” (Jo. 8.42). Então, já que Jesus se negou a dizer ser aquilo que ele não é, muitos parecem querer “ajudá-lo” nessa questão, esse tipo de ajuda, se for seguida uniformemente transformaria João Batista em Elias (o que vai adiante de Yahweh), Salomão em Jesus (eu lhe serei por Pai e ele me será por filho) e, pasmem, Satanás em Yahweh (aquele que incitou Davi a recensear o povo) e etc.

O conjunto dos versos Is. 6.8-10; Jo. 12.37-41 e At. 28 tem sido reivindicado para afirmar que Yahweh é o “nome” dos três, ou seja, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mas vamos examinar mais de perto esses versos e seus contextos para vermos se isso se confirma.

O profeta Isaías é descrito nesses versos do capítulo 6 como o agente de Yahweh, respondendo positivamente a pergunta: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (v.8). As ações de Isaías produziriam no povo de Israel, de acordo com o v.10, o “engordar” do coração, o serem pesados de ouvidos e terem seus olhos fechados.

Olhemos agora para o que nos diz Jo. 12.38 do trecho reivindicado como uma identificação de Jesus com Yahweh: “Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” O primeiro registro que será feito por quem leu Is. 6.8-10 é a observação de que esse verso de João 12, não está em nenhum versículo daquele capítulo de Isaías e realmente não está porque é citação capítulo 53 do mesmo profeta. A redação desse verso é importante quando diz: “Senhor, quem creu na nossa pregação?”, pois por ai dá para perceber que é uma exclamação dirigida ao SENHOR (Yahweh) e NÃO o próprio SENHOR falando. E João ao citar isso reconhece essa distinção de forma cristalina. Somente então é que o texto de João segue e cita o trecho de Isaías 6: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure.” (Jo. 12.40). Aqui fica claro que o que representa aquele que faz a pergunta “SENHOR, quem deu crédito a nossa pregação” é aquele cujos efeitos da pregação revela os corações endurecidos e olhos cerrados, mas nenhum desses dois versículos escritos no Rolo do Profeta e citados por João, por si só, dão a entender aos leitores que Yahweh seja Jesus, pelo contrário já que em Is. 6 fala-se daquele que é o enviado de Yahweh e Is. 53 está descrito aquele que leva a pregação de Yahweh. Em ambas as passagens fala-se de um mensageiro de Yahweh, ou seja, nos dois casos se fala de mais de um personagem: Yahweh e outro que é o tipo de Cristo (o enviado). A linha trinitária ignora essa necessária percepção do verso, sem a qual sua plena compreensão fica prejudicada.

É fácil notar que o trecho reivindicado de João 12, então, ao apresentar duas citações de Isaías, fala de dois personagens nas duas citações, não apenas de um personagem! Não cita-se apenas Yahweh, mas, também aquele que seria seu mensageiro; o responsável por levar SUA pregação. O verso 40 ao dizer “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração…”, não está falando de uma ação direta de Yahweh, na verdade fala do resultado da ação de Seu enviado, posto que em Isaías fala desse mensageiro como alguém que “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos”. Quem nos dias da proclamação do Evangelho desempenhou esse papel? E Jesus também revela: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mt. 15.24)

Então, surge o verso 41 de João 12: “Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.”, cuja leitura apressada desfaz esse cenário que se fala de dois, como se o próprio Isaías fosse apenas um personagem passivo naquele episódio. Mas, é apenas a leitura apressada que fará destoar o verso de seu contexto. Percebamos que Jesus mesmo diz com suas próprias palavras: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” (Jo. 17.22). Então a expressão “viu sua glória” não força uma co-identidade. A unidade decorre do compartilhamento da Glória, e, a glória de um é a de todos com quem foi compartilhada. Ora, se a Glória que Jesus tinha provinha do Pai, então a Glória que se vê do Pai é também a Glória que se vê no Filho, porque não existem duas Glórias, mas uma única fonte de Glória e, conforme Jesus disse, é o Pai. Consideremos, então, o contexto bíblico e indaguemos: Será que o texto de João, em estudo, está falando do Trono, dos Querubins e daquele que estava assentado no Trono e etc? Ou está falando clara e objetivamente do outro personagem envolvido em Isaías, o responsável pela pregação e que é aquele que pergunta: “… Quem deu crédito a nossa pregação?…” e cuja pregação “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado”. Então, cabe a pergunta: Se João quisesse dizer que Jesus é Yahweh (O SENHOR) que estava assentado no Trono, então, quem era o outro personagem refletido como anunciador e a quem o restante do contexto faz referência?

A expressão “falou dele”, certamente recai sobre o anunciador das boas novas, que diga-se de passagem é o agente descrito no Evangelho de João nesses versos e é justamente aquele que leva as palavra de Yahweh, conforme descrito em Isaías. É comum dentro do contexto profético o profeta predizer o fato futuro e facilmente ser associado como sendo ele mesmo o presonagem da profecia; isso é visto nesse caso e confirmado em At. 8.34, onde mais uma vez cita-se Isaías: “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” Felipe ao revelar que ali se falava de outro, não do profeta, mostra que o anunciador das boas novas apontava para Cristo e portanto distinto, não somente numericamente, tanto daquele profeta quanto distinto de Yahweh que o enviou.

Nesse mesmo contexto de Jo. 12, nos versos 44 e 45, mais uma vez Jesus de forma clara e taxativa se admite como o representante do Pai, Yahweh: “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.” Aqui ao falar de dois, do que ENVIA e do que é ENVIADO, a exemplo dos dois versos de Isaías que fala exatamente de ENVIAR ALGUÉM e fala desse ALGUÉM; Jesus mostra que os dois não são o mesmo ente. Yahweh o enviou, assim como está claro no livro do Profeta!

Já At. 28. 25 “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías”, aqui não se diz e nem força o entendimento de que o Espírito Santo seja o próprio Yahweh, até porque o pepel do Espírito Santo é explicitado em Jo. 16.13 “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” O máximo que se pode concluir aqui é que o Espírito Santo transmitiu a Isaías as palavra de Yahweh, já que o Espírito Santo não fala de si mesmo. Aliás cabe aqui uma pergunta: Se o Espírito Santo fosse o próprio Yahweh, por que não falaria de si mesmo?

Qual o grande problema dessa linha de raciocínio que quer ver nesses versos um identificação de Pai, Filho e Espírito como sendo Yahweh? É justamente a intervenção humano, pois na completa ausência de Jesus se identificando como sendo Yahweh, os homens forçam compreensões para suprir esse abismo. Jesus falou muitas coisa; podemos dizer que as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo compõem um bom volume do conteúdo escrito no Novo Testamento, mas em absolutamente lugar algum das Escrituras encontramos ele dizendo ser um ente plural com e/ou o mesmo que Yahweh, pelo contrário, ele diz: “Não vim de mim mesmo” (Jo. 8.42). Então, já que Jesus se negou a dizer ser aquilo que ele não é, muitos parecem querer “ajudá-lo” nessa questão, esse tipo de ajuda, se for seguida uniformemente transformaria João Batista em Elias (o que vai adiante de Yahweh), Salomão em Jesus (eu lhe serei por Pai e ele me será por filho) e, pasmem, Satanás em Yahweh (aquele que incitou Davi a recensear o povo) e etc.

O conjunto dos versos Is. 6.8-10; Jo. 12.37-41 e At. 28 tem sido reivindicado para afirmar que Yahweh é o “nome” dos três, ou seja, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mas vamos examinar mais de perto esses versos e seus contextos para vermos se isso se confirma.

O profeta Isaías é descrito nesses versos do capítulo 6 como o agente de Yahweh, respondendo positivamente a pergunta: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (v.8). As ações de Isaías produziriam no povo de Israel, de acordo com o v.10, o “engordar” do coração, o serem pesados de ouvidos e terem seus olhos fechados.

Olhemos agora para o que nos diz Jo. 12.38 do trecho reivindicado como uma identificação de Jesus com Yahweh: “Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” O primeiro registro que será feito por quem leu Is. 6.8-10 é a observação de que esse verso de João 12, não está em nenhum versículo daquele capítulo de Isaías e realmente não está porque é citação capítulo 53 do mesmo profeta. A redação desse verso é importante quando diz: “Senhor, quem creu na nossa pregação?”, pois por ai dá para perceber que é uma exclamação dirigida ao SENHOR (Yahweh) e NÃO o próprio SENHOR falando. E João ao citar isso reconhece essa distinção de forma cristalina. Somente então é que o texto de João segue e cita o trecho de Isaías 6: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure.” (Jo. 12.40). Aqui fica claro que o que representa aquele que faz a pergunta “SENHOR, quem deu crédito a nossa pregação” é aquele cujos efeitos da pregação revela os corações endurecidos e olhos cerrados, mas nenhum desses dois versículos escritos no Rolo do Profeta e citados por João, por si só, dão a entender aos leitores que Yahweh seja Jesus, pelo contrário já que em Is. 6 fala-se daquele que é o enviado de Yahweh e Is. 53 está descrito aquele que leva a pregação de Yahweh. Em ambas as passagens fala-se de um mensageiro de Yahweh, ou seja, nos dois casos se fala de mais de um personagem: Yahweh e outro que é o tipo de Cristo (o enviado). A linha trinitária ignora essa necessária percepção do verso, sem a qual sua plena compreensão fica prejudicada.

É fácil notar que o trecho reivindicado de João 12, então, ao apresentar duas citações de Isaías, fala de dois personagens nas duas citações, não apenas de um personagem! Não cita-se apenas Yahweh, mas, também aquele que seria seu mensageiro; o responsável por levar SUA pregação. O verso 40 ao dizer “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração…”, não está falando de uma ação direta de Yahweh, na verdade fala do resultado da ação de Seu enviado, posto que em Isaías fala desse mensageiro como alguém que “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos”. Quem nos dias da proclamação do Evangelho desempenhou esse papel? E Jesus também revela: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mt. 15.24)

Então, surge o verso 41 de João 12: “Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.”, cuja leitura apressada desfaz esse cenário que se fala de dois, como se o próprio Isaías fosse apenas um personagem passivo naquele episódio. Mas, é apenas a leitura apressada que fará destoar o verso de seu contexto. Percebamos que Jesus mesmo diz com suas próprias palavras: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” (Jo. 17.22). Então a expressão “viu sua glória” não força uma co-identidade. A unidade decorre do compartilhamento da Glória, e, a glória de um é a de todos com quem foi compartilhada. Ora, se a Glória que Jesus tinha provinha do Pai, então a Glória que se vê do Pai é também a Glória que se vê no Filho, porque não existem duas Glórias, mas uma única fonte de Glória e, conforme Jesus disse, é o Pai. Consideremos, então, o contexto bíblico e indaguemos: Será que o texto de João, em estudo, está falando do Trono, dos Querubins e daquele que estava assentado no Trono e etc? Ou está falando clara e objetivamente do outro personagem envolvido em Isaías, o responsável pela pregação e que é aquele que pergunta: “… Quem deu crédito a nossa pregação?…” e cuja pregação “Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado”. Então, cabe a pergunta: Se João quisesse dizer que Jesus é Yahweh (O SENHOR) que estava assentado no Trono, então, quem era o outro personagem refletido como anunciador e a quem o restante do contexto faz referência?

A expressão “falou dele”, certamente recai sobre o anunciador das boas novas, que diga-se de passagem é o agente descrito no Evangelho de João nesses versos e é justamente aquele que leva as palavra de Yahweh, conforme descrito em Isaías. É comum dentro do contexto profético o profeta predizer o fato futuro e facilmente ser associado como sendo ele mesmo o presonagem da profecia; isso é visto nesse caso e confirmado em At. 8.34, onde mais uma vez cita-se Isaías: “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” Felipe ao revelar que ali se falava de outro, não do profeta, mostra que o anunciador das boas novas apontava para Cristo e portanto distinto, não somente numericamente, tanto daquele profeta quanto distinto de Yahweh que o enviou.

Nesse mesmo contexto de Jo. 12, nos versos 44 e 45, mais uma vez Jesus de forma clara e taxativa se admite como o representante do Pai, Yahweh: “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.” Aqui ao falar de dois, do que ENVIA e do que é ENVIADO, a exemplo dos dois versos de Isaías que fala exatamente de ENVIAR ALGUÉM e fala desse ALGUÉM; Jesus mostra que os dois não são o mesmo ente. Yahweh o enviou, assim como está claro no livro do Profeta!

Já At. 28. 25 “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías”, aqui não se diz e nem força o entendimento de que o Espírito Santo seja o próprio Yahweh, até porque o pepel do Espírito Santo é explicitado em Jo. 16.13 “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” O máximo que se pode concluir aqui é que o Espírito Santo transmitiu a Isaías as palavra de Yahweh, já que o Espírito Santo não fala de si mesmo. Aliás cabe aqui uma pergunta: Se o Espírito Santo fosse o próprio Yahweh, por que não falaria de si mesmo?

Qual o grande problema dessa linha de raciocínio que quer ver nesses versos um identificação de Pai, Filho e Espírito como sendo Yahweh? É justamente a intervenção humano, pois na completa ausência de Jesus se identificando como sendo Yahweh, os homens forçam compreensões para suprir esse abismo. Jesus falou muitas coisa; podemos dizer que as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo compõem um bom volume do conteúdo escrito no Novo Testamento, mas em absolutamente lugar algum das Escrituras encontramos ele dizendo ser um ente plural com e/ou o mesmo que Yahweh, pelo contrário, ele diz: “Não vim de mim mesmo” (Jo. 8.42). Então, já que Jesus se negou a dizer ser aquilo que ele não é, muitos parecem querer “ajudá-lo” nessa questão, esse tipo de ajuda, se for seguida uniformemente transformaria João Batista em Elias (o que vai adiante de Yahweh), Salomão em Jesus (eu lhe serei por Pai e ele me será por filho) e, pasmem, Satanás em Yahweh (aquele que incitou Davi a recensear o povo) e etc.

Clemente e a proximidade com as origens

Clemente Romano ou Clemente de Roma, bispo daquela cidade entre 88 e 97 d.C. Falecido em 102 d.C, é autor do mais antigo escrito cristão fora das escrituras canônicas1 de que se tem notícia, mais antigo ainda do que os escritos de Tertuliano e Taciano do II século. Irineu em “Contra os Hereges” fala dele: “ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento”. Alguns afirmam que este é o mesmo Clemente citado por Paulo em Fl. 1.3, mas outros discordam. Luigi Padovese comenta Clemente informando que a despeito de “recorrer algumas vezes a fórmulas trinitárias, revela uma concepção cristológica ainda judaizante, uma vez que jamais atribui a Cristo o título de Deus e não enfatiza a sua preexistência.2 O termo “judaizante” tomado aqui praticamente em sentido pejorativo, revela, na verdade, a prática, naquela época, da preservação da fé no monoteísmo original recebida dos apóstolos pois além da ascendência hebraica ele foi discípulo do apóstolo Pedro e bispo em uma época em que o apóstolo João ainda estava vivo. Assim, o termo “judaizante”, na verdade, é, aqui, sinônimo de um cristão na busca da preservação da fé dos apóstolos e do monoteísmo milenar dos judeus. Mas, apesar disso ele era romano e bispo de Roma, portanto não precisava estar preso as suas raízes hebraicas, assim não era obrigado a manter uma visão, assim chamada, “judaizante” de Jesus Cristo. Se ele não via a Jesus como se fosse o próprio Deus, ele estava apenas preservando, na questão cristológica, o que aprendeu dos primeiros discípulos de Cristo. A palavra “judaizante” só surge se considerarmos um problema de ótica, ou seja, a ortodoxia a partir do século III determinou o que é ou não judaizante no que se refere a divindade. Em Clemente se percebe, então, que não existe um Deus Filho, ou um Cristo Deus, mas o Filho de Deus. Sua proximidade com os apóstolos é significativa para entendermos como eles percebiam quem era Jesus.

__________________

1Manual Bíblico de Halley, Editora Vida – 2000, pág. 776

2Padovese, Luigui in Introdução à Teologia Patrística, Edições Loyola – 2004, pág. 63

Page 2 of 7

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén