O Seminário Batista Maranatha, do estado de Wisconsin – EUA, publicou, em janeiro de 2013, um interessante artigo escrito por Timothy Miller1.

O autor esboçou sua preocupação diante do texto de Mc. 13.32, pois considerando o que está textualmente dito, Jesus é desconhecedor do dia de sua própria volta. Se Jesus não é Deus, está tudo ok! Não há problema algum nessa declaração. Ele não seria onisciente e não teria, realmente, obrigação de saber. Mas, se existe alguma proposta de defender que ele seja o mesmo Deus que o Pai é, então, as coisas se complicam, e muito, diante da afirmação de Mc. 13.32.

Miller admite que muitos pastores evitam fazer comentários, sejam pregações ou exames exegéticos sobre esse texto bíblico dada a clareza embaraçosa de que está dito ali, e apresenta sugestões de soluções colhidas ao longo da história. Ele aborda aquilo que seria considerado “Soluções antibíblicas”, “Soluções de crítica textual”, “Soluções exegéticas”, “Soluções semânticas” e a “Solução das duas Naturezas”.

Soluções antibíblicas

Para ele, reconhecer que Jesus não sabe porque não é Deus, como faz o arianismo, é uma solução antibíblica, ou seja, admitir o que está escrito não é a solução que ele prefere, mas, claro, isso acontece por causa do fundamento de sua fé trinitária.

Uma outra opção que ele considera não bíblica, e concordamos com ele, é conhecida como “não essencialismo”. Via pela qual não se veria qualquer problema em Mc. 13.32, porque a onisciência não seria algo essencial a natureza de Deus. Curiosamente, o paradigma para estabelecer a existência do “não essencialismo” é muito semelhante ao usado para se tentar estabelecer a trindade. Para a trindade se usa muito o fundamento: A bíblia diz que Jesus é homem, mas o apresenta, também, com qualidades divinas, por isso ele deve ser Deus e homem. Para o “não essencialismo” o paradigma é: Jesus afirma que é ignorante da data, mas o a Bíblia o apresenta com qualidades divinas, logo, a onisciência (onipresença e onipotência também) não deve ser essencial à Deidade. É apenas uma conclusão alternativa para o paradigma trinitário. Nesse sentido onisciência seria uma qualidade contingente de Deus, e não algo ligado essencialmente a sua própria natureza.

O próprio Miller identifica o “não essencialismo” como decorrente do que se defende no kenotiscimo. Doutrina surgida no século XIV, que ensina o esvaziamento completo de Jesus; onde ele teria deixado de possuir todos os atributos divinos, mas continuado a ser o mesmo Deus de antes. Porém a própria afirmação bíblica de que Deus não muda, impede que se admita que Deus perca alguma coisa que lhe caracteriza como Deus, o fazendo diferir das criaturas. Isso põe óbice a ideia do “não essencialismo” e, por isso, é rejeitado por trinitários ortodoxos, que não admitem a perda, em Jesus, de qualquer coisa relativa a natureza de Deus, e também rejeitada por não trinitários, mas não por considerem Jesus Deus, mas porque não se pode admitir que Deus possa perder alguma coisa atribuída a sua própria natureza.

Soluções de Crítica Textual”

Ele apresenta as sugestões de crítica textual, começando por Ambrósio, seguido por Jerônimo, que defendia que a expressão “nem o Filho” foi acrescida nos manuscritos, mas não fazia parte do original. Tal afirmação, porém, perde completamente a força pelo fato de que o acréscimo pode ser dito ter existido nos manuscritos de Mateus, mas não no de Marcos, cuja crítica textual tem opinião unânime de sua autenticidade. Miller nos informa que segundo Vincent Taylor, no texto de Marcos somente um códex do séc. IX e um manuscrito da Vulgata omitem a frase. Logo, não se pode defender como ausente do original, ao menos em Mc. 13.32 é autêntico.

Soluções exegéticas”

A busca de soluções exegéticas são apresentadas a partir de Basílio de Cesaréia, um dos padres capadócios, famoso pelas formulações trinitárias ocorridas pelos idos de 379 d.C. Basílio, na carta 236 a Amphilochius, sugere que o texto foi mal interpretado e “εἰ μὴ ὁ πατήρ” deveria significar “se o Pai não sabe”, dando a entender que “se o Pai não sabe”, então, Jesus não saberia, mas como o Pai sabe, Jesus saberia. O problema é que Basílio fica praticamente ilhado nessa exegese e não encontra apoio do próprio contexto e nem das expressões vocabulares do texto paralelo de Mt. 24.36 que exclui claramente os anjos e usa em seguida “εἰ μὴ ὁ πατήρ μου μόνος” (senão meu Pai, somente). Se os anjos não sabem, pelo mesmo princípio o Filho não. Mas, se o Filho sabe, pelo mesmo princípio os anjos saberiam. Mas, se assim fosse a frase “senão o Pai” perderia completamente o sentido.

Por essas razões a tentativa de Basílio de Cesareia não consegue resolver o problema.

Soluções semânticas”

Uma solução que abordou a questão semântica foi tentada por Gregório de Tours (594 d.C) em História dos Francos2. Ele sugeriu que a expressão “nem o Filho” se referia a igreja e não a Jesus, já que a Bíblia nos chama também de filhos de Deus (II Co. 6.18). Ou seja, “filho” ai teria o sentido de qualquer filho de Deus e não do Filho Unigênito de Deus. A tentativa de Gregório de Tours é nitidamente forçada, e, assim como o outro Gregório ele esbarra no texto paralelo de Mateus onde está dito (ὁ πατήρ μου μόνος) “unicamente meu Pai”, ficando também isolado nessa exegese.

Miller informa que Orígenes, em 254 d.C, também tentou resolver a questão semanticamente. Aqui ele não apelou para o termo “filho” como fez Gregório de Tours, mas para o termo “saber”. No entanto, a proposta de Orígenes é anacrônica uma vez que ele tenta transferir a semântica da palavra יָדַע “conhecer” em hebraico, onde se sugere que se sabe das coisas pelo relacionamento pessoal ou pela experiência, para a passagem escrita com vocábulo grego que não tem essa mesma conotação. Miller destaca que tanto Johannes P. Louw quanto Eugene Albert Nida, que são autores de Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento Baseado em Domínios Semânticos), atestam que οἶδα (oida) nunca é usada nesse sentido no Novo Testamento.

Hilário de Poitiers tenta seguir Orígenes, mas sugere que “saber” significa algo como revelação ou ação. Para ele “Sempre que Deus diz não saber, Ele professa a ignorância de fato, mas não está sob a deficiência da ignorância. Não é por causa da fraqueza da ignorância que ele não sabe, mas porque ainda não é o momento de falar ou agir para o plano divino”. Na verdade, Hilário em sua obra “Sobre a Trindade” tenta dar mais de uma explicação para o caso de Mc. 13.32. A questão semântica é uma delas. Outras explicações passam por ideias como “saber, mas disse não saber”, “ignorância por causa da natureza humana” e “é um mistério como Jesus pode saber e não saber ao mesmo tempo”. Hilário sugere que Jesus não sabe o que os outros não podem saber, mas sabe aquilo que o Pai tem conhecimento. Se isso faz algum sentido fica por conta de quem deseja acreditar que Jesus sabia o dia da volta mesmo dizendo que não sabia.

Agostinho (430 d.C) não fica de fora. Ele sugere que Hilário “explicou” a afirmação “obscura” do Senhor Jesus. E sugere que Jesus usou uma figura de linguagem e quando disse que não sabia, apenas estava transmitindo que não havia proveito para os homens saberem. Agostinho mesmo disse: “Ele ignora o que não quer dar a conhecer”. Pelo que se percebe, as dificuldades de Agostinho não se distanciaram das dificuldades de Hilário, e ambos não conseguem convencer ninguém imparcial, com esses argumentos.

Do século V há um salto para o século XIII, quando Tomás de Aquino se apoia em Hilário e Agostinho, e cita Gn. 22.12 no sacrifício de Isaque por Abraão, que não se concretiza, e se ouve a voz que diz: “Agora sei que temes a Deus”, indicando algo que Deus já sabia, mas é como se não soubesse. Aquino tenta transpor isso para a afirmação de Jesus buscando convencer seus leitores que Jesus sabia, mas estava em uma “apresentação” de desconhecedor. Essa ideia foi seguida em 1952 por Lewis Sperry Chafer que fazendo uso de I Co. 2.2 sugere que Paulo sabia de outras coisas, mas disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” como se ele só soubesse de Cristo para os Coríntios. Para ele Cristo poderia ter agido do mesmo jeito em Mc. 13.32, ou seja, com relação aos discípulos Jesus teria proposto a si mesmo não saber o dia da volta, ainda que soubesse. William G.T Shedd (1894) cita Mt. 11.27e faz alusão ao que as “pessoas” da trindade podem ou devem revelar, nesse caso Jesus seria “oficialmente” ignorante para revelar a data, já que caberia ao Pai tal prerrogativa.

Acerca dessas tentativas de Hilário, Agostinho, Tomás de Aquino, Sperry Chafer e Willam Shedd, o próprio Timothy Miller reconhece que “é duvidoso que esta gama semântica esteja presente em Marcos. Dos vinte e um usos de oida em Marcos, nenhuma pode ser interpretada como significando ‘revelar‘” e diz mais “ o fato de que οἶδα não ter essa definição em qualquer lugar no livro de Marcos, parece que dá a palavra aqui esta definição é puramente especulativa e injustificada.”. E, de fato, nenhuma passagem bíblica reivindicada para tentar justificar o que Jesus disse, são paralelos reais.

Solução das duas Naturezas”

A última das tentativas digna de destaque na história do cristianismo decorre do que foi postulado no Concílio Católico de Calcedônia, em 451, ou seja, mais de 400 anos depois de Jesus haver dito o que disse em Mc. 13.32.

A definição de Calcedônia diz: “gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase3

O próprio Atanásio antes da definição de Calcedônia já havia tentado um caminho semelhante para justificar o desconhecimento de Jesus do dia de sua volta, pois disse: “Quando Seus discípulos perguntaram sobre o fim, adequadamente, Ele disse, então, ”nem o Filho’, segundo a carne, por causa do corpo; que Ele pode mostrar que, como homem, Ele não sabe; porque a ignorância é próprio do homem.” Dessa forma Atanásio atribui o desconhecimento a Jesus como homem, ou seja, por causa da natureza humana. Gregório de Nazianzeno segue o mesmo tom, mas outros autores defendendo essa saída, segundo informa Miller, só serão conhecidos após Calcedônia.

João Calvino acreditava que a natureza divina de Jesus ficou adormecida, em repouso ou escondida, e por isso Jesus disse não saber o dia da volta.

Miller informa que mais recentemente Charles Hodge, John F. Walvoord, Wayne Grudem, Charles M. Horne e outros, baseiam-se no argumento das duas naturezas com o adendo de que duas naturezas implica duas consciências em Cristo, onde mergulhada em mistério, uma sabia e a outra não, de modo que se Jesus dissesse que sabia, não estaria mentindo apesar da natureza humana não saber, e se dissesse que não sabia, também não estaria mentindo apensar da natureza da deidade saber. Se isso é razoável, só os trinitários devem achar.

Apesar de Miller ficar com a ideia das duas naturezas como uma possível solução, ele mesmo lembra uma questão levantada por ANS Lane, que pode ser traduzida na seguinte reflexão: Se alguém está com um dos bolsos cheios de dinheiro e o outro bolso sem nada, (ao ser perguntado se tem dinheiro) como pode a mesma e única pessoa dizer que está sem um centavo por haver optado colocar a mão no bolso que está vazio, sem estar mentindo?

Miller reconhece isso, mas sugere que devemos abraçar essa contradição e esse paradoxo, alegando que na esfera divina isso deve ser admitido. Certamente isto está longe do que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mt. 5.37)

Fica evidente que as tentativas da primeira a última não satisfazem e não solucionam o problema. Muitas delas, inclusive a alegação de duas naturezas com duas consciências, são puras convenções, ou alegações coletivas para algo que simplesmente pode ser resolvido admitindo que Jesus não sabe porque não é Deus.

Mc. 13.32 continua como um estandarte à vista de todos, anunciando que Jesus não é o mesmo Deus que o Pai é.

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1http://www.mbu.edu/seminary/journal/mark-1332-problem-or-paradigm-2

2Título original: History of the Franks

3https://pt.wikipedia.org/wiki/Concílio_de_Calcedónia

Admissões Chocantes (por Joel Hemphill)

Admissições chocantes *

“Enfrentando a verdade sobre
a doutrina da Trindade”

  por Joel Hemphill

[Antes de mais nada eu gostaria de fazer uma observação aos que vão ler o apanhado de Joel Hemphill. Muitos acham que com essas citações nós estamos querendo dizer que tais pessoas não são trinitárias, ou que no restante de seus escritos eles não estejam defendendo o dogma, e contestam nossas citações dizendo: “Mas eles são trinitários”. É verdade que eles são trinitários, e nós aos citá-los, estamos plenamente conscientes dessa realidade e nem se pretende negar isso. Quando listamos essas declarações estamos querendo mostrar que as bases sobre as quais se sustenta o dogma trinitário é muito menor do que alguns presumem, e tais citações servem como uma boa prova do reconhecimento desse fato. (Valdomiro Filho).]

Vez após vez, quando eu estou estudando a doutrina da Trindade, admirado com seus erros, fico espantado com o número de notáveis estudiosos trinitários ​​que admitem em seus escritos que não é uma doutrina claramente ensinada nas Escrituras. Aqui estão algumas dessas admissões chocantes.

Trinitários como Roger Olson e Christopher Hall dizem da doutrina em seu livro, “A Trindade:”

“É compreensível que a importância dada à esta doutrina seja desconcertante para muitos cristãos leigos e estudantes. Em nenhum lugar é clara e inequivocamente declarada nas Escrituras. Como pode ser tão importante, se não é explicitamente indicada nas Escrituras? ” (P. 1). “A doutrina da Trindade desenvolveu-se gradualmente após a conclusão do NT no calor da controvérsia. A doutrina desenvolvida da Trindade foi explicitada no século IV em dois grandes concílios ecumênicos: Nicéia (325 dC) e Constantinopla (381 UM D). ” (P. 1-2)

O trinitário Douglas McCready em sua obra “Ele desceu do céu” afirma:

“Estudiosos do Novo Testamento discordam se o NT diretamente chama Jesus de Deus. Em termos de Judaísmo do primeiro século, seria compreensível se nenhum escritor do NT descrevesse Jesus como Deus por causa da dificuldade que tal linguagem criaria para os primeiros cristãos com um fundo judaico … É importante notar que cada passagem que identifica Jesus como “theos”  pode ser traduzida de outras formas variantes ou ler-se de maneira diferente” (p. 51).  “No judaísmo bíblico o termo ‘Messias’ não necessariamente carrega qualquer conotação de status divino, e os judeus do tempo de Jesus não estavam esperando seu Messias como algo diferente de humano.” (P. 55). “Enquanto alguns têm usado o título (“Filho de Deus”) para designar Jesus como divindade, nem o judaísmo de Jesus, nem o paganismo um dia compreendeu o título desta maneira. Nem a igreja primitiva “(p. 56).

Escrevendo como um trinitário em seu livro best-seller “Doutrina Cristã”, o Prof. Shirley C. Guthrie Jr., faz essas fortes admissões:

“A Bíblia não ensina a doutrina da Trindade. Nem a palavra “trindade” em si, nem o tipo de linguagem como “um-em-três”, “três-em-um”, uma “essência” (ou “substância”), nem três “pessoas” é linguagem bíblica. A linguagem da doutrina é a língua da igreja antiga tirada de filosofia grega clássica “(p. 76-77). “Mas há um problema óbvio aqui (chamando Jesus Senhor e Salvador) . Há um só Deus, o Criador do céu e da terra, o Senhor e Salvador de Israel. Se dizemos que Deus está realmente presente e no trabalho em Jesus [como Deus], como podemos evitar dizer que não há, de facto, dois de Deuses? – um ‘em cima no céu “e um que apareceu aqui embaixo na terra, O NT não resolve este problema” (p 78-79.). “A doutrina da Trindade não é encontrada na Bíblia “ (p. 80).

O trinitário G. W Bromiley é citado em “The Evangelical Dict de Teologia.” livro editado por Walter Elwell, dizendo:

“No Novo Testamento, não há nenhuma declaração explícita da doutrina …” (p.1112)

O respeitado estudioso Trinitário Evangélico Bíblico Prof. Charles C. Ryrie, escrevendo em sua conhecida obra “Teologia Basic” admite:

“O NT não contém nenhuma declaração explícita da doutrina da trindade de Deus (uma vez que “estes três são um” em I João 5: 7 não é, aparentemente, uma parte do texto genuíno das Escrituras ) “(p 60).. “A definição da Trindade não é fácil de construir. Alguns são feitos por afirmar várias proposições. Outros erram do lado da unicidade ou trindade “(p. 61). “Mesmo com toda a discussão e delimitação que tentamos em relação à Trindade, temos de reconhecer que é em última análise um mistério” (p. 61). “Na segunda metade do século IV , três teólogos da província da Capadócia, no leste da Ásia Menor deu forma definitiva para a doutrina da Trindade “(p. 65). “Mas muitas doutrinas são aceitos pelos evangélicos como sendo claramente ensinado nas Escrituras para os quais não existem textos de prova. A doutrina da Trindade fornece o melhor exemplo disso. É justo dizer que a Bíblia não ensina claramente a doutrina da Trindade . Na verdade, não há sequer um texto de prova , por um texto prova queremos dizer um verso ou passagem que ‘claramente’ afirma que há um Deus que existe em três pessoas “(p. 89).

Quanto ao nome para Deus, no A.T, “Elohim”, Ryrie diz:

“Para concluir pluralidade de pessoas a partir do próprio nome é duvidoso  (p. 58).

O trinitário Millard J. Erickson, professor de teologia na pesquisa SW Seminário Teológico Batista (Batista do Sul), em seu livro sobre a Trindade, “Deus em três pessoas,” é compelido pela evidência bíblica a fazer algumas declarações fortes:

“Esta doutrina de muitas maneiras apresenta paradoxos estranhos … É uma doutrina amplamente contestada, o que tem provocado a discussão ao longo de todos os séculos de existência da igreja. Ela é defendida por muitos com grande veemência e vigor. Esses defensores tem certeza do que acreditam da doutrina, e consideram-na fundamental para a fé cristã. No entanto, muitos não tem certeza do exato significado de sua crença. Foi a primeira doutrina tratada sistematicamente pela igreja, mas ainda é uma das doutrinas mais incompreendida e disputada. Além disso, não está claramente ou explicitamente ensinada em toda a Escritura , no entanto, é amplamente considerada como uma doutrina central, indispensável para a fé cristã. A este respeito, ela vai ao contrário do que é praticamente um axioma (a auto verdade evidente) da doutrina bíblica, ou seja, que não há uma correlação direta entre a clareza de uma doutrina bíblica e sua crucialidade à fé e à vida da Igreja “(p. 11-12).

Erickson continua a dizer a causa de alguns se oporem à doutrina da Trindade:

“…. Há aparente silêncio da Bíblia sobre este importante assunto. Esse argumento observa que não há realmente nenhuma declaração explícita da doutrina da Trindade na Bíblia , particularmente desde a revelação pela crítica textual da natureza espúria de I John 5: 7. Outras passagens foram vistos no estudo mais de perto ser aplicável apenas sob a maior tensão. A questão, porém, é esta: Alega-se que a doutrina da Trindade é uma doutrina muito importante, é crucial, e até mesmo base. Se… este é realmente o caso, por que não deveria ser em algum lugar [dita] de forma mais clara, direta e explicitamente na Bíblia? Se esta é a doutrina que constitui especialmente a exclusividade do Cristianismo, como pode ser apenas implícita na revelação bíblica? Em resposta à reclamação que uma série de trechos da Bíblia são ambíguas ou pouco claras, muitas vezes ouvimos uma declaração de algo como, ‘são as questões periféricas que são nebulosos ou em que parece haver materiais bíblicos em conflito. As crenças centrais são revelados de forma clara e inequívoca.’  Este argumento parece-nos falhar com relação à doutrina da Trindade, no entanto. Pois aqui é uma questão aparentemente crucial em que as Escrituras não falam alto ou claramente. resposta direta. Pouco pode ser feito para esta carga. É improvável que qualquer texto da Escritura pode ser mostrado para ensinar a doutrina da Trindade, de forma clara, direta e inequívoca . ” (Como pode Erickson continuar afirmando a crença na doutrina da Trindade, após fazer tais declarações?). Ele vai mais longe , “Há uma consideração final e muito séria a respeito do status bíblico sobre a doutrina da Trindade. Isso diz respeito aos textos que parecem argumentar contra ela.

  1. O primeiro grupo de textos são aqueles que parecem dizer que o Filho era uma criatura. “(Ele cita Provérbios 8: 22-26; Atos 02:36; Romanos 8:29; Colossenses 1:15; e Hebreus 3: 2. Ele deveria ter incluído Apocalipse 03:14, onde Jesus declarou que ele é  “o princípio da criação de Deus”).
  2. “A segunda classificação de passagens é aqueles em que Deus, o Pai é representado como o único Deus verdadeiro, especialmente quando estes são proferidas pelo próprio Jesus(Ele cita João 17: 3; Marcos 10:18; Lucas 18:19).
  3. “Um terceiro grupo de textos inclui aqueles que parecem sugerir que Jesus é inferior ou subordinado ao Pai(Ele cita João 14:28; e Mateus 26:39).
  4. “O último grupo de textos …. é toda a coleção de declarações sobre as limitações sobre o Filho, se envolvendo ignorância, fraqueza, sofrimento ou desenvolvimento “(Ele cita Mateus 24:36; Marcos 09:21; Lucas 02:52 e Hebreus 5: 8). Erickson, em seguida, faz esta declaração reveladora, ” Nem todos esses textos podem ser facilmente eliminados . “

O estudioso católico Graham Greene foi citado na revista Vida alguns anos atrás, dizendo:

“Nossos oponentes às vezes alegam que nenhuma crença deve ser realizada dogmaticamente que não é explicitamente indicado nas Escrituras … mas nas igrejas protestantes têm-se aceitado tais dogmas como a Trindade , para os quais existe nenhuma autoridade tão precisa nos Evangelhos. ” E ele , claro, é certo!

Adam Clarke, um metodista trinitário em seu “Comentário de Adam Clarke sobre a Bíblia” faz esta declaração forte:

“Aqui eu confio, me é permitido dizer, com todo o respeito por aqueles que divergem de mim, que a doutrina da filiação eterna de Cristo na minha opinião é anti-bíblica e altamente perigoso “(p. 854).

O escritor Lee Strobel, em seu livro “The Case For Christ” (“2 milhões de cópias vendidas”), relata uma conversa com o professor trinitário Ben Witherington do Seminário Teológico Asbury, em relação à pessoa de Jesus. Witherington faz esta declaração interessante, “Se ele tivesse simplesmente anunciado:” Oi, gente ‘Eu sou Deus “, que teria sido entendido como” Eu sou o Senhor [Yahweh],” porque os judeus de sua época não tinha nenhum conceito de Trindade, eles só sabiam de Deus Pai – a quem chamavam de Senhor [Yahweh] -. e não o Filho de Deus ou Deus, o Espírito Santo. Então, se alguém dissesse que ele era Deus , não teria feito qualquer sentido para eles e teria sido visto como blasfêmia clara “(133 p.).

O Teólogo James Hastings, um trinitário, em sua famosa obra ” Hastings ‘Dict de A Bíblia” faz afirmação semelhante:

“Temos de evitar todo o tipo de linguagem que sugere que para São Paulo a ascensão de Cristo foi uma deificação. Para um judeu a idéia de que um homem pode vir a ser Deus teria sido uma blasfêmia intolerável “(p. 707).

Hastings diz também:

“Pode ser que St. Paul em algum lugar nomeie Cristo ‘Deus’ “, e os versos parecem inferir a ele (Hastings) que, ” todos devem ser explicados de outra forma. “Hastings chama isso de “um dos mais desconcertantes problemas da teologia NT . “ Ele afirma que “Nenhum cândido exegeta (um especialista em explicar Escrituras) vai negar que vez após vez que a Cristo é de alguma forma dado um lugar inferior [em relação] a Deus. Toda a Sua obra redentora e posição é rastreada diretamente ao Pai. Nós temos tais expressões como “Deus enviou o seu Filho” (Gal. 4: 4), “Aquele que não poupou seu próprio Filho” (Rom. 8:32), “Deus o exaltou soberanamente” (Fp 2: 9.) em que ou o dom de Cristo para o mundo, ou a outorga de glória exaltado no próprio Cristo, é declarado ser um ato de Deus. Tudo é aceito, suportou, alcançada “para a glória de Deus Pai. ” “ Hastings continua, “Ainda mais explícito é I Cor 11: 3” a cabeça da mulher é. o homem, e a cabeça de Cristo é Deus “,  e em I Coríntios 15:28 Cristo é retratado como entregando o Reino a Deus , e como, finalmente, a apresentação, mesmo a Si mesmo para um maior “, para que Deus seja tudo em todos”. São Paulo não nos dá muita ajuda, talvez na resolução desta antinomia “ (inconsistência) (p. 708) . Paul não é inconsistente , nós é que têm sido inconsistentes em nossa interpretação de Paul, em nosso esforço para fazer de Jesus “Deus”.

Revelando declarações de outras fontes credíveis.

Existem outras fontes confiáveis, tais como enciclopédias, dicionários e obras seculares que fazem declarações reveladoras a respeito da doutrina da Trindade não ser encontrada na Bíblia. Eles não têm “machado para moer” aparente em conta a sua verdade ou o erro, mas fazem essas declarações com base em história e estudiosos. Aqui estão alguns exemplos:

“A doutrina da Trindade; a fé católica é esta: Nós adoramos um em trindade, mas uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho e outra do Espírito Santo – a Glória igual; a coeternal Majestade A doutrina não é encontrado. na sua forma plenamente desenvolvida nas Escrituras. A teologia moderna não pretende encontrá-lo na OT. Na época da Reforma da Igreja Protestante assumiu a doutrina da Trindade, sem um exame sério . ” (. New Intl Ency .; 1916 Ed .; Vol 23;.. P 47, 477).

“Nenhum registro da fórmula trinitária pode ser descoberto nos atos ou as Epístolas dos Apóstolos.” (. Intl Padrão Bíblia Ency .; Vol 1;. 396 p.).

“A doutrina da Trindade não fazia parte da pregação dos apóstolos”(Ency Intl .; U. Of Glasgow;. 1982 ed .; Vol 18;. 226 p.).

“É uma interpretação errada comum, mas de patente da abertura do Evangelho de João para lê-lo como se ele disse:” No princípio era o Filho e o Filho estava com Deus eo Filho era Deus’. O que aconteceu aqui é a substituição do Filho por Palavra, e, assim, o Filho é feito um membro da Trindade, que existia desde o princípio “. (Dr. Colin Brown, “Trindade e Encarnação: In Search of Contemporary Ortodoxia;” Ex auditu; (7); 1991; p 88-89.).

Os crentes em Deus como uma única pessoa (Deus Pai), eram “no início do terceiro século ainda era formada pela grande maioria . ” (Ency Britannica;.. 11ª ed .; Vol 23;. P 963).

“Hoje, os estudiosos em geral concordam que não há nenhuma doutrina da Trindade, como tal, tanto no OT ou o NT. Seria vão muito além das formas de pensamento de intenção e da OT supor que um quarto do final do século,, ou cristão do século XIII , a doutrina pudesse ser encontrados lá. Da mesma forma, o NT não contém uma doutrina explícita da Trindade “. (Harper Collins Ency do catolicismo;.. P 564-565).

“A Trindade é um ‘mistério’, uma fórmula ou concepção que realmente transcende a compreensão humana. Afirma-se que, embora a doutrina esteja além do alcance da razão humana que … pode ser apreendido (embora possa não ser compreendido) pelo mente humana. O pleno desenvolvimento do trinitarismo ocorreu no Ocidente , na Escolástica dos Idade Média , quando uma explicação foi realizado em termos de filosofia psicologia , especialmente recuperada pelo aristotelismo da 13 th Century “. (Ency Americana;. Vol. 27;. P 27-28).

” O NT não contém a doutrina desenvolvida da Trindade . A Bíblia não tem a declaração expressa de que o Pai, o Filho eo Espírito Santo são de igual essência e, portanto, em um sentido igual a si mesmo a Deus. E a outra declaração expressa também falta, que Deus é Deus, assim, e só assim, ou seja, como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas duas declarações expressas, que vão para além do testemunho da Bíblia , são o duplo conteúdo da doutrina da Igreja da Santíssima Trindade. ” (New Intl Dict de NT Teologia;… Colin Brown, Gen. Ed .; Vol 2;. P 84).

“Doutrina trinitária, como tal, surgiu no século IV , em grande parte devido aos esforços de Atanásio e os Capadocianos … A doutrina da Trindade formulada no final do século IV , portanto, afirma que o único Deus aparece em três Pessoas. O objetivo deste formulação foi a de professar que Deus, Cristo e Espírito são igualmente responsáveis ​​pela nossa salvação, portanto, cada um deve ser divino . ” (Harper-Collins Ency do catolicismo;. Richard P. McBrein, Ed .; p 1,271.).

“A doutrina da Trindade é uma tentativa de pós-bíblico para trazer a expressão coerente diversas afirmações sobre Deus … Para os cristãos, o único Deus apareceu no que se chamou de uma tripla “economia”, por assim dizer, três formas ou modos . As dificuldades surgiram logo na formulação e compreensão da tríplice ‘economia.’ Teólogos católicos e protestantes tem procurado de várias maneiras tornar a doutrina, afirmada em Nicéia, compreensível . No pensamento religioso do Iluminismo (17ª e 18ª séculos), houve uma forte reação contra Trinitarianismo como um mistério “ortodoxo” sem base em qualquer experiência ou razão . ” (Academic Intl. Ency .; Lexicon Pub .; 1992 ed .; p. 300-301).

Com estas declarações em mente que eu concordo plenamente com o que o meu velho amigo, o falecido Bispo D.L Welch quando disse: “A doutrina da Trindade é tão fraco como o caldo da sombra de um peru.” Não admira que o falecido Dr. Adrian Rogers, ex- . pastor de Bellevue Igreja Batista de Memphis, TN, começou um sermão sobre a doutrina da Trindade com esta declaração: “Senhoras e senhores, eu vou confessar-vos no início desta mensagem que eu não entendo isso” ( Trindade) . Não é de admirar um autor famoso, a quem o Dr. Billy Graham chama um de seu escritor favorito Evangélica de, disse em uma carta para me recentemente: “Como vocês sabem, a Trindade foi um dos temas mais debatidos da primeira 5 séculos, e ainda nos coçando a cabeça . “

A teologia deve ser inteligível .

Concordo com o Prof. Ryrie quando ele começa seu livro “Teologia Basic” com estas declarações relativas a teologia cristã:

“A palavra ‘teologia,’ de ‘theos’, que significa Deus e” logos “que significa a expressão racional, significa que a interpretação racional da fé religiosa. Teologia cristã significa, portanto, a interpretação racional da fé cristã. A teologia é inteligível . Ele pode ser compreendida por a mente humana em uma ordem, racional “(p. 13). Ryrie continua, “Deus se comunica em um normal, simples ou literal maneira. Ignorando isso irá resultar no mesmo tipo de exegese confusa que caracterizou a patrística e intérpretes medievais ” (p. 17).Infelizmente, o irmão Ryrie quebra sua própria regra quando ele vem para a doutrina da Trindade.

O imperador está nu

A doutrina da Trindade com a sua falta de cobertura bíblica me faz lembrar de um conto de Hans Christian Andersen chamado “A Roupa Nova do Imperador”. A história diz respeito a um imperador que era tão vaidoso quanto ao que ele usava que ele não se preocupava com nada, exceto exibindo roupas novas.

Dois vigaristas veio à cidade, e pegando na vaidade do Imperador, eles decidiram constrangê-lo e fazer um monte de dinheiro além. Eles foram-se nomeada para apresentar o Imperador um terno novo, mas em vez de usar o dinheiro que eles receberam para comprar a mais fina seda, eles teceram a calça, casaco e manta de material invisível “leve como uma teia de aranha.”

O Imperador mal podia esperar! Dia após dia, ele enviou funcionários para ver o trabalho em andamento. Eles tinham vergonha de dizer a ele que tinham visto nada, então eles voltaram cada vez exclamando sobre o design e cores magníficas.

Finalmente chegou o dia para o Imperador para liderar uma grande procissão com as roupas novas requintados. Colocá-los, com seus funcionários ao redor dele, exclamando, ele não se atreveu a dizer-lhes que se sentia nu. Toda a sua comitiva olhou e olhou. Uma não viu mais do que o outro, mas todos eles se juntou ao Imperador em exclamando: “Oh! É bem bonito!” Sua carruagem estava esperando.Deu a cada um dos vigaristas uma cruz para usar em volta de seu pescoço, e conferindo a cada o título de “Sir Weaver,” partiu para liderar o grande desfile.

Todo mundo nas ruas e janelas animou e disse: “Oh, como são belas as roupas novas do Imperador! Não cabem a ele com perfeição? E ver sua longa trem!” Ninguém se atreveu a confessar que ele não conseguia ver nada.

“Mas o imperador está nu”, disse um menino. “Bem, isso é verdade!”, disse o pai. E uma pessoa sussurrou para outro o que a criança tinha dito: “Ele não tem nada sobre si. Uma criança disse que está nu.” Ganhar coragem toda a cidade gritou por fim, “O Imperador não tem nada em si!”

Você pode perguntar: “o que você está dizendo?” Eu estou dizendo que a doutrina da Trindade é Biblicamente nua , e eu estou chamando todos aqueles que vêem e amam a verdade para se juntar a mim em se manifestar.

No amor cristão,

Joel Hemphill

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* http://www.trumpetcallbooks.com/trinity_truth.html

Inácio e os problemas que o envolvem

Outro escritor da safra do segundo século é Inácio1. O detalhe deste é que, ao menos nos escritos atribuídos a ele, é reconhecido por seus estudiosos como um antissemita2. É, também, dos chamados “pais apostólicos”3, o mais usado pelos que defendem a deidade de Jesus pois nas cartas que ele teria escrito há, pelo menos, cinco ou seis supostas ocorrências de expressões onde ele teria chamado Jesus de Deus. Antes de considerar essas afirmações algumas coisas, porém, precisam ser ditas acerca de Inácio. Além das características antissemitas de seus escritos o que explica a tendência de desapego ao monoteísmo como apresentado pelos judeus; precisamos, também, atentar para algumas coisas: Ainda que a existência de Inácio entre o primeiro e o segundo século d.C seja atestada por historiadores como Eusébio de Cesareia, os escritos atribuídos a ele estão envoltos em muitas discussões, chegando mesmo a desconfiança de não serem autênticos, seja o todo ou parte. Isso ocorre porque, no geral, costumamos associar a data da carta ao período de vida do escritor. Este raciocínio é correto e óbvio, mas em se tratando de escritos antigos temos um problema que deve ser levado em consideração. O fato de Inácio ter vivido no segundo século não significa que o que temos em mãos, alegados com seus escritos, tenham sido realmente escritos por ele ou em sua época. A suspeita a esse respeito se deve, não porque não tenhamos os autógrafos, teoricamente produzidos por ele, mas, pelo fato de haver relatos em seus escritos que são considerados por alguns de seus analistas como anacrônicos para a época. Sheldon comenta o trato que é dado ao episcopado: “Inácio, no entanto, parece ter sido uma exceção à sua época no grau de ênfase que ele colocou sobre a dignidade episcopal. Ele fica tão praticamente só a esse repeito que alguns se dispuseram a questionar a autenticidade das epístolas atribuídas a ele. Baur declara ser impossível que qualquer escritor de uma época tão precoce pudesse ter proferido tais noções episcopais elevadas, como as que aparecem nas chamadas epístolas inacianas4. Nessas epístolas há cerca de 125 vezes a ocorrência da palavra “bispo” sempre o colocando em uma posição de destaque em uma época em que a igreja não estava definida com o tipo de estrutura eclesiástica que ele apresenta. Alguns escritores até mesmo consideram muito do que se fala de Inácio um resultado posterior de elaboração histórica e não de um fato histórico propriamente dito: “Toda a história de Inácio é mais lendária do que real, e seus escritos estão sujeitos a grave suspeita de interpolação fraudulenta5. Algumas coisas na história supostamente escrita por Inácio não se harmonizam com o que ocorria à época sugerida de sua autoria. Na carta de Inácio aos Romanos, por exemplo, ele introduz: “à Igreja que preside na Região dos Romanos” dando a entender uma primazia romana que não se verá senão séculos mais tarde.

Bernard D. Muller lembra que não havia nenhum motivo para Inácio ser levado à Roma para execução. A condenação “por causa do nome e na esperança” para um cristão não seria suficiente. Essa condenação já declarada e reconhecida em suas epístolas também indica que ele não era cidadão romano, pois um cidadão romano seria julgado em Roma. Plínio, o jovem, em uma de suas correspondências ao imperador Trajano, indica que cristãos ainda não julgados poderiam ir à Roma para julgamento desde que fossem cidadãos romanos, mas não  havia necessidade de serem levados para lá os que não sendo cidadãos romanos já houvessem sido condenados localmente. O próprio Plínio não enviou os cristãos já condenados para martírio em Roma: “Eu próprio perguntei-lhe se eram cristãos. Aqueles que reconheciam sê-lo, repeti essa pergunta uma segunda e uma terceira vez, ameaçando-os com o suplício. Aqueles que persistiam mandei executá-los. Com efeito, o que quer que significasse a sua confissão, era para mim indubitável que aquela teimosia, aquela inflexível obstinação merecia ser punida. Houve outros possuídos da mesma loucura, que em razão de sua qualidade de cidadãos romanos, designei para serem enviados a Roma6 (grifei). A menção de Inácio de tornar-se alimento das feras, também não condiciona a necessidade de ir para Roma, pois no apócrifo “Atos de Paulo e Tecla”, Tecla, a heroína, é jogada às feras no anfiteatro de Licaônia, outros dizem que foi na própria arena de Antioquia, cidade de Inácio. Eusébio mesmo informa que os cristãos condenados em cidades gaulesas foram executados lá mesmo, no final do segundo século. A despesa que daria ao império para conduzir por um roteiro como o sugerido nas epístolas inacianas um preso já condenado não justifica o suposto percurso feito por Inácio, principalmente porque ele teria feito uma rota por terra, passando por Esmirna que não era caminho, tornando tudo mais dispendioso que um percurso por mar para duas cidades próximas à costa: Antioquia e Roma. Há ainda uma longa discussão sobre a evidência interna das cartas, que apesar da semelhança entre si, mostram, também, muitas discrepâncias e incongruências, o que aponta para a possibilidade de mais de um autor7. Por questões de espaço não vamos abordar todos os detalhes aqui8, mas a título de exemplo temos a questão do uso recorrente da alusão ao bispo existente em praticamente todas cartas, e apesar de sugerir o primado romano, Inácio não faz menção do bispo em sua carta aos romanos. Bernard D. Muller observa que o arranjo “presbitério”, “presbíteros” e “diáconos” aparece em aos Ef. = 3, aos Mg. = 8, aos Tr. = 9, aos Fd. = 8, aos Smr. = 3, a Pl. = 2, mas aos romanos a referência é zero vez. Não há menção a existência do bispo de Roma e o escritor aos Romanos vai mais além; em 9.1 se lê: “Lembre-se em suas orações da igreja que está na Síria, que tem Deus como seu pastor, em meu lugar Jesus Cristo será o seu bispo – Ele e seu amor.” Nesse verso, a despeito da preocupação latente do respeito, reverência devida e importância dos bispos locais, Inácio teria sugerido que na Síria (que parte da Síria?) ficaria sem bispo local na ausência dele, e Jesus Cristo seria o bispo. Isto é algo completamente discrepante para quem dá tanta importância aos bispos locais nas outras epístolas. Esse detalhe dá a entender uma autoria diferente para a carta aos romanos.

Outro exemplo nos é dado por Muller! A preexistência de Jesus é ensinada em aos Magnésios:

…Jesus Cristo, que estava com o Pai antes dos mundos e apareceu no fim dos tempos.” (6: 1)

… Jesus Cristo, que veio para diante de Pai” (7: 2)

… Os divinos profetas viveram depois de Cristo Jesus. Por isso também foram perseguidos, sendo inspirados por Sua graça até o fim … Jesus Cristo, Seu Filho, que é a Sua Palavra que procede do silêncio, que em todas as coisas era bem agradável a Ele que O enviou.” (8: 2).

Mas, parece ser negada nas outras cartas:

Porque o nosso Deus, Jesus, o Cristo, foi concebido no ventre de Maria de acordo com a dispensação, da descendência de David, mas também do Espírito Santo, e Ele nasceu … E escondida do príncipe deste mundo foi a virgindade de Maria9” (Ef. 18: 2-19: 1-A)

… Jesus Cristo, que era da raça de Davi, que era o Filho de Maria, que realmente nasceu …” (Tr. 9: 1)

Ele é verdadeiramente da raça de David segundo a carne, mas filho de Deus pela vontade e poder divino, verdadeiramente nascido de uma virgem …” (Smr 1: 1)

Isso parece mostrar que a carta aos Magnésios não foi escrita pela mesma pessoa que escreveu a carta aos Efésios, aos Tralianos e aos Smirnianos. Além de conter relatos não endossados pelos escritos neotestamentários como, por exemplo, o relato de Mg. 9.2b “Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, quem ao chegar, os ressuscitou dos mortos”, onde se alega que Jesus havia ressuscitado antigos profetas de Israel. Por essas e outras coisas os escritos atribuídos a ele são os que mais tem gerado discussão entre os estudiosos da patrística. Some-se a isso o fato de haver, pelo menos, três recessões de seus escritos: Duas gregas (uma maior e outra menor) e uma siríaca encontrada somente no séc. XIX e que contem três epístolas atribuídas a ele: Epístola de Barnabé, Epístola de Policarpo e Epístola aos Efésios. Houve uma época em que se acreditava que Inácio havia escrito 15 epístolas, dentre elas, aos Tarsos, aos Antioquinos, a Herói, um diácono de Antioquia, aos Filipenses, a Maria de Neápolis (em Zarbo), Primeira Epístola a São João, Segunda Epístola a São João; mas o estudo crítico mostrou tratar-se de falsificações, já que o linguajar adotado é ainda mais anacrônico que as ideias contidas nas outras epístolas. Três epístolas só existem em versões latinas, quando era de se esperar que houvesse também em grego. Mesmo as outras epístolas que são consideradas (ou convencionadas) de Inácio, mas não por todos os especialistas, não estão livres de problemas. Acerca disso a obra Ante-Nicene Fathers10, Vol. 1, informa: “Mas, embora a forma mais curta das cartas de Santo Inácio tenha sido geralmente aceita em detrimento da maior, tem havido uma opinião bastante prevalente entre os estudiosos, que ainda não podem ser consideradas como absolutamente livres de interpolações, ou como de autenticidade inquestionável” (destaquei). Assim, os escritos de Inácio parecem ser aqueles que, fora do Novo Testamento, tem as bases mais inseguras para tentar reconhecer ou atribuir deidade a Jesus a partir deles.

Uma das reivindicações feitas sobre a suposta afirmação de Jesus como Deus nos escritos de Inácio decorre de uma citação da epístola a Policarpo cap. VIII: “em Jesus Cristo, nosso Deus” que não aparece na versão siríaca. Na verdade, todo o capítulo VIII na versão siríaca é apenas um versículos, o epílogo: “Saúdo-o que é contado digno de ir a Antioquia, em meu lugar, como já te mandei”. Da epístola aos Efésios é tirada outra citação usada comumente nos livros de apologética trinitária, cap. VII “Deus existente em carne; verdadeira vida em morte; tanto de Maria e de Deus”, na outra versão grega está diferente: “o Filho unigênito e Palavra, antes dos tempos eternos, mas que depois se tornou também o homem, da Maria Virgem. Pois ‘o Verbo se fez carne’”, além de não se fazer qualquer referência a “Deus existente em carne” no mesmo capítulo na versão siríaca. Ainda no cap. XVIII: “Porque o nosso Deus, Jesus Cristo, foi, de acordo com a nomeação de Deus, concebido no ventre de Maria”. Na versão siríaca não se encontra esse verso e na outra versão grega tem redação diferente: “Porque o Filho de Deus, que foi gerado antes dos tempos eternos, e estabeleceu todas as coisas de acordo com a vontade do Pai, Ele foi concebido no ventre de Maria”. Outra declaração tomada dos escritos de Inácio se encontra na mesma epístola em XIX: “o próprio Deus sendo manifestado em forma humana”, mas, mais uma vez é dito de forma diferente na versão siríaca: “E aqui, na manifestação do Filho, a magia começou a ser destruída”. A outra ocorrência é tirada de sua epístola aos Romanos, cap. III: “Porque o nosso Deus, Jesus Cristo, agora que ele está com o Pai, é ainda mais revelado” e mais uma vez na outra versão grega temos uma declaração diferente: “O cristão não é o resultado de persuasão, mas de poder, quando ele é odiado pelo mundo, ele é amado de Deus”. A outra ocorrência pode ser lida na epístola aos Esmirnianos, cap. I: “Eu glorifico a Deus, Jesus Cristo, que te fez sábio”, no outro texto grego se lê: “Eu glorifico o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que te fez sábio”. Como se percebe os textos gregos, ora diferem entre si, ora diferem do siríaco no trecho que chamam Jesus de Deus. Assim, os escritos atribuídos a Inácio tem problemas sérios que inviabilizam uma identificação positiva de que ele tenha chamado Jesus de Deus por Inácio, e ainda mais quando os próprios crísticos reconhecem que mesmo a versão menor do grego, aceita por muitos, não se pode dizer que está livre de falsificações.

Na suposta epístola de Inácio a Virgem Maria, que é uma das consideradas do pseudo-inácio, é citado um arranjo trinitário, mas, mesmo assim, não como uma consubstancialidade de pessoas na Deidade. Para ele a filiação divina de Cristo tem início com a encarnação: “É a partir dela que há uma Trindade11 de Deus, Cristo e o Espírito Santo12.

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1 Falecido em 110 d.C

2 Inácio faz em todo compêndio atribuído a ele somente três vezes alusões ao Antigo Testamento.

3 Diz-se daqueles que estavam vivos enquanto alguns dos apóstolos também estavam.

4 Apud Henry C. Sheldon em História da Igreja Cristã,, Vol 1, p 147

5 Apud Philp Schaff em História da Igreja Cristã, Vol.2, ch 4

6 Carta de Plínio ao imperador Trajano (111-112 d.C)

7 Para uma amostragem mais detalhada veja http://historical-jesus.info/ignatius.html

8 Uma delas, por exemplo, são as referências ao gnosticimo de Basílides surgidas após a morte de Inácio em 110 d.C.

9 Inácio aqui teria feito alusão a virgindade perpétua de Maria, dogma sustentado ainda hoje pela igreja Católica Romana.

10 http://www.biblestudytools.com/history/early-church-fathers/ante-nicene/vol-1-apostolic-with-justin-martyr-irenaeus/ignatius/third-epistle-same-st-ignatius.html

11 Destaque-se que aqui também a palavra trindade é, certamente, adaptação de Padovese, não de Inácio que viveu no ano 107 d.C, portanto antes de Tertuliano, “inventor” da palavra trindade. Inácio, certamente, falou de uma tríade.

12 Idem, pág. 64

Hb. 13.8. Será Jesus eterno?

Hb. 13.8 não prova a eternidade de Jesus. A primeira observação a ser feita nessa questão é que a expressão “Jesus Cristo” situa Jesus no tempo. Ou seja, é aquele conhecido carpinteiro. Mesmo que Jesus houvesse ou houver preexistido. O verso 8 fala do Jesus conhecido, o histórico. Aquele que foi visto. O nome Jesus e o identificativo Cristo o situam historicamente e não como preteritamente eterno.

Diga-se de passagem, também, que a expressão “ontem” não é uma expressão de eternidade, mas de temporalidade. O patriarca Jó disse em 8:9 “Porque nós somos de ontem…”. Certamente “ontem” não é a melhor palavra para se alegar que alguém seja eterno.

A verdadeira expressão para eternidade plena é dita acerca de Yahweh, o Pai: Sl 90:2 “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.” e 1Cr 29:10 “Por isso Davi louvou a Yahweh na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, Yahweh Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.”

Esta é a forma bíblica de dizer que alguém é eterno: “Eternidade a eternidade”.

A palavra “ontem” porem remete a um momento no tempo e não a um momento fora do tempo.

Assim, Hb. 13.8 não é suficiente para se afirmar que Jesus é um ser de “eternidade a eternidade”, a não ser pela vontade de quem quer achar assim.

Michael Servetus (em espanhol: Miguel Serveto Conesa), também conhecido como Miguel Servet , Miguel Serveto, Revés, ou Michel de Villeneuve (29 de setembro? 1509 ou 1511-1527 October 1553), foi um espanhol teólogo, médico, cartógrafo e humanista renascentista. Ele foi o primeiro europeu a descrever corretamente a função da circulação pulmonar. Ele era um polímata versado em muitas ciências: matemática, astronomia e meteorologia, geografia, anatomia humana, medicina e farmacologia, bem como jurisprudência, tradução, poesia e o estudo acadêmico da Bíblia em suas línguas originais. Ele é conhecido na história de vários desses campos, especialmente medicina e teologia. Ele participou da Reforma Protestante, e mais tarde desenvolveu uma cristologia não trinitariana. Condenado por católicos e protestantes da mesma forma, ele foi preso em Genebra e queimado na fogueira como herege por ordem do Concílio Protestante de Genebra.

(http://en.wikipedia.org/wiki/Miguel_Servet)

O artigo a seguir é tradução do original em inglês que pode ser encontra do em:

http://www.miguelservet.org/servetus/trial.htm

O JULGAMENTO DE MIGUEL SERVET

“É um abuso condenar à morte aqueles que estão errados em sua interpretação das Escrituras. Esta coima só deve ser imposta para assassinos.” (Carta a Aecolampadious, Calvino, op. VIII, 862)

Miguel Servet era um aragonês vagando em um tempo dominado pelas lutas religiosas inicialmente trazidas pela Reforma Luterana. Servet sacudiu os alicerces da fé cristã de seu tempo com suas doutrinas antitrinitarianas e anabatistas. Como Erasmo de Rotterdam (ver seu Elogio da Loucura), mas a partir de uma posição mais radical, Servet também criticou a corrupção na Igreja e propôs um retorno às raízes e pureza do cristianismo. Servet, no entanto, não foi condenado por suas críticas à Igreja, mas principalmente por sua oposição à interpretação de Niceia da doutrina da Trindade e sua rejeição ao batismo de bebês.

A doutrina da Trindade repousa na crença de que Deus é uma única essência, mas a unidade essencial da natureza divina é compartilhada entre três pessoas: o Pai, o Filho (Logos) e o Espírito Santo. As três pessoas juntas são Deus, mas ninguém é individualmente Deus. Servet estudou textos religiosos judeus e muçulmanos e chegou à conclusão de que a principal diferença dogmática entre as três religiões monoteístas descansou no conceito cristão de Jesus Cristo como o Filho Eterno de Deus. Talvez guiado por um espírito ecumênico, Servet estudou as Sagradas Escrituras em profundidade e onde, de acordo com ele, não encontrou uma única referência à Trindade. Para Servet, Jesus Cristo era um homem a quem Deus tinha infundido a sabedoria divina e só neste sentido se pode dizer que ele era o Filho de Deus. No entanto, só Deus é eterno, não o seu Filho.

A teoria Servet faz de Jesus Cristo uma espécie de profeta, e desta forma traz o cristianismo mais perto do islamismo e judaísmo. A doutrina da Trindade foi um dos dogmas em que católicos, protestantes e calvinistas estavam de acordo. Por esta razão, qualquer ataque a este dogma era considerado uma ofensa grave nas jurisdições civis e eclesiásticas de praticamente toda a Europa cristã.

Na verdade, antes de ser processado em Genebra, Servet foi perseguido e condenado a ser queimado na fogueira pela Inquisição francesa em Vienne Dauphiné (França). Em 7 de Julho de 1553, Servet fugiu da prisão em que ele tinha sido confinado. Uma vez que eles não poderia queimá-lo em pessoa, a sentença foi executada pela queima de uma efígie de Servet, juntamente com alguns de seus livros “heréticos”.

Depois de perambular de um lugar para outro por três meses, Servet decidiu dirigir-se ao Reino de Nápoles, controlado pela monarquia hispânica, com a intenção de praticar a medicina entre os espanhóis que vivem lá. Não está claro o que fez Servet escolher a rota de Genebra. Seja qual for a razão era, em 13 de agosto de 1553. Servet foi reconhecido e preso por ordem de Calvino em Genebra.

A alegação contra Servet não foi enviada por Calvino em pessoa, mas através de um homem de frente chamado Nicholas de la Fontaine. Calvino decidiu agir através de um intermediário, pois, de acordo com as leis processuais em vigor em Genebra (ou seja, o Código Carolinus), o autor [das acusações] teria que permanecer preso com o réu até que o último fosse declarado culpado ou innocent. Uma análise detalhada de cada uma das fases do processo que levou Servet ao madeiro vai além do escopo deste artigo. No entanto, é interessante ressaltar dois aspectos fundamentais deste processo: em primeiro lugar, o facto do Tribunal civil, que julgou Servet não ter jurisdição sobre crimes de heresia e, em segundo, o erro que os juízes de Genebra cometeram quando realizaram a análise jurídica dos alegados crimes cometidos por Servet.

Em 22 de agosto de 1553, Servet encaminou uma petição ao Conselho Menor de Genebra, o órgão competente para julgá-lo, e pediu ao Conselho para rejeitar a acusação criminal. Servet argumentou em sua defesa que a doutrina que defendia a pena de morte por interpretar as Escrituras de forma incorreta não foi incorporado na doutrina dos Apóstolos e os discípulos da igreja iniciante. No mesmo mandado, Servet pediu um advogado para auxilia-lo. O Procurador-Geral recusou os dois pedidos. A razão dada pelo Promotor Público para recusar o pedido de Servet de ter uma assistência jurídica era que, uma vez que Servet foi hábil o suficiente para “mentir” tão bem, ele era inteligente o suficiente para se defender

A discussão relativa à origem das acusações criminais que encontram diferenças na interpretação das Escrituras era menos frívolas. Servet argumentou que, durante os primeiros séculos da existência do cristianismo, a Igreja tentou resolver suas diferenças internas, por meio de discussão pacífica. Esta situação começou a mudar quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, como resultado do Edital de Constantino (313). Embora que o Concílio de Niceia (325) já havia condenado a abordagem antitrinitariana de Ário. Heresia religiosa não foi criminalizada até o reinado do Imperador Teodósio, o Grande (379-395)

O Código de Teodósio foi concluído pelo Código de Justiniano (527-534). Este último código, que estava em vigor nos territórios do Sagrado Império Romano, prescrito no capítulo “Da summa catholica Trinitate et fide, hereticis, apostatis” a pena de morte para quem negar a doutrina da Trindade e o batismo de crianças. O Código de Justiniano poderia ter constituído a base jurídica para emitir o julgamento contra Servet. Na verdade, os juízes de Genebra perguntaram a Servet se ele sabia da existência deste texto legal. Servet respondeu que ele sabia da existência, mas que, em qualquer caso, a sua existência não invalidava seus argumentos, já que Justiniano não pertencia à Igreja primitiva, mas sim a uma época em que “os bispos começaram sua tirania, e acusações criminais foram introduzidas na Igreja”. O Código Justiniano, no entanto, não serviu como a base jurídica da sentença contra Servet, já que todas as leis do Canon (católico) tinham sido abolidas pelos reformadores de Genebra. Portanto, a questão que se coloca ainda é: qual foi a base legal que permitiu que os juízes em Genebra condenassem Servet?

Embora o acórdão que declarou Servert culpado não o mencionasse expressamente, parece que Calvino e os juízes basearam sua decisão diretamente sobre a Lei Mosaica, que estabeleceu que todos aqueles que proferem blasfêmias contra Jeová devessem ser condenado à morte (Levítico 24:16 e capítulo XIII do Deuteronômio).

Os argumentos de Servet, no sentido de que, no Novo Testamento, era difícil encontrar quaisquer declarações em favor da punição de fatos criminosos por meio de leis, como aqueles com os quais Servet estava sendo imputado, foram superados pelos argumentos a favor de punir blasfemadores com base no Antigo Testamento alegado por Calvino durante o julgamento.

O confronto entre Servet e Calvino reflete a tensão entre dois conceitos opostos de entender a Divindade. A visão de Servet de Deus foi o do Novo Testamento (ou seja, um Deus não relacionado com o Deus vingativo propagada pelos teólogos medievais). É só tendo em conta este ponto de discordância que podemos compreender a referência de Servet à liberdade religiosa e da tolerância religiosa. Pelo contrário, Calvino, junto com Lutero, espalharam a imagem de um Deus vingativo pronto para o Juízo Final que pode ser encontrado no Antigo Testamento. Curiosamente, o conceito medieval de Deus defendido pelos reformadores entrava em confronto com o conceito de Deus, que foi espalhada durante o Renascimento.

Em 26 de outubro de 1553, o Conselho emitiu o seu juízo contra Servet ordenando-lhe ser queimado vivo no morro da Champel. A sentença declarou que Servet era culpado por ter imprimido há vinte e três ou vinte e quatro anos atrás, um livro (“De Trinitatis Erroribus”) que continha “blasfêmias” contra a Trindade e de ter “corrompido” os cristãos e espalhar sua “heresia antitrinitariana” em um trabalho posterior (“Christianismi Restitutio”). Além disso, o juízo condenou Servet por se opor ao batismo de crianças. Deve-se notar que os juízes de Genebra parecem ter intencionalmente errado na qualificação das acusações contra Servet. A partir dos registros do julgamento e da fundamentação do acórdão, não se pode inferir que o crime de que Servet estava sendo acusado tivesse sido cometida no território de Genebra.

Aplicando os princípios mais elementares do Direito Penal, os juízes deveriam ter absolvido Servet, ou simplesmente o considerar culpado de tentativa de cometer esse crime e, portanto, eles deveriam ter aplicado uma pena menos rigorosa, como banimento. Finalmente, também é surpreendente que o pedido de Servet de ter seu caso perante o Conselho dos Duzentos (órgão encarregado de legislar, em Genebra, e de eleger os 25 membros do Conselho Pequeno) tenha sido ignorada pelos magistrados de Genebra. Esta decisão dos juízes, juntamente com a sua recusa em permitir que Servet fosse assistido por um advogado, é mais um exemplo das irregularidades que viciaram o processo contra Servet e demonstram o escasso rigor legal do tribunal de Genebra, provavelmente devido à forte influência que Calvino exercida sobre os juízes.

Em 27 de outubro de 1553 Servet foi levado para o morro de Champel. Seu corpo foi amarrado a um madeiro com uma corrente de ferro e seu pescoço fixado com uma corda pesada. Os carrascos colocaram em sua cabeça uma coroa de palha polvilhada com enxofre. Como é habitual neste tipo de execuções, uma cópia de seu “Christianismi Restitutio” foi colocada debaixo de seus pés.

A execução durou mais de duas horas por causa da lenha verde usada pelos executores. Até o último momento, os reformadores de Genebra tentaram convencer Servet a abjurar suas doutrinas. Mas tudo foi em vão, Servet, apesar da prisão severa e cruel a que tinha sido sujeito se manteve fiel às suas doutrinas, não por teimosia, mas por causa da convicção. Calvino o condenou, mas a história, por vezes, o tribunal mais eficaz de recurso, logo o absolveu. Sua integridade moral durante o processo e, finalmente, antes das chamas não foi esquecida em seu tempo. A morte heroica de Servet levou outros humanistas a levantarem suas vozes contra Calvino e em favor da liberdade de pensamento. Mas o exemplo de Servet foi sentido além de seu tempo. É semeado o germe de um debate intenso e profundo sobre a liberdade de religião e de consciência que foi desenvolvido por alguns filósofos do século XVIII e que, finalmente, inspirou os processos de democratização que ocorreu nas sociedades ocidentais durante os séculos XIX e XX.

(Versão atualizada do artigo de Sergio Baches Opi “Miguel Serveto. Anotaciones actuales sobre un proceso ignominioso”, publicado em Diario del Alto Aragón, domingo, 16 de junho, 2002, e na Revista Serrablo, Ano XXX, n º 118, Dezembro de 2000) .

Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Hb 7:3 “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre“.

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria se falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

At. 20.28

A redação de At. 20.28 diz: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”(ACF)

O que está em causa aqui é o final do verso, cuja leitura dá a entender que Deus tem (ou teve) sangue , e isso só poderia ser cogitado, se aplicado a Cristo, dizendo que a humanidade de Jesus é a própria Deidade.

Assim, aqui existem, pelo menos, duas questões:

1) A humanidade de Jesus é também deidade? Ou seja, Jesus é de única natureza, de tal modo que o sangue não é do homem Jesus, mas de Deus? Será que a deidade se transformou em carne também e vice-versa?

2) A expressão “seu próprio sangue” pode significar outra coisa que não uma relação de identidade direta?

A primeira é menos provável se tomarmos a Bíblia em seu sentido amplo, pois além de descaracterizar quem é Deus, anularia o sacrifício de Cristo: um humano resgatando a humanidade (o segundo Adão), assim como um humano fez cair a humanidade (o primeiro Adão). Rm. 5.14 mostra que foi o homem Jesus, enviado pela graça de Deus que verteu o seu sangue.

Em favor da segunda opção temos o resto da Bíblia, que nos informa que Deus é Espírito (Jo. 4.24) e que um espírito não tem carne e ossos, consequentemente não tem sangue (Lc. 24.39)
Assim, sangue é algo físico, inerente à matéria. Nesse sentido, o sangue de Deus, não pode significar que Deus tem sangue, mas que o sangue pertence a ele.

Além do mais, se o sangue em At. 20.28 é o sangue das “veias” de Deus, isto significaria inapelavelmente que Deus morreu, já que foi esse sangue que teria sido vertido na cruz, mas as Escrituras dizem: I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” O IMORTAL não morre. Se um dia o IMORTAL morreu não era, então, de fato, IMORTAL, pois pôde morrer, provando sua mortalidade. Deus não poderia ter dado “seu próprio sangue” e não ter sido considerado MORTO. Mas, isso tornaria falso I Tm. 1.17.

Mas, será que existe apoio linguístico para a acepção de que o sangue pertence a Deus, sem ser o sangue do próprio Deus em si? Sim, existe! A expressão “διὰ τοῦ ἰδίου αἵματος” pode ser entendida de duas formas: a)atributivamente, que é como a maioria dos trinitários entendem; ou b) possessivamente, significando que o sangue é de alguém que pertence a Deus. Isso tem apoio do resto da Bíblia que apresenta Deus e Jesus como seres distintos, não apenas pessoas distintas!

As escrituras dizem: “Corpo me preparas-te” (Hb. 10.5). A epístola aos hebreus deixa claro que Deus preparou um corpo não para si próprio, mas para outro. O verso 7 dessa mesma epístola mostra, mais uma vez de forma clara, que quem adquiriu o corpo não foi Deus, mas alguém disposto a fazer a vontade de Deus.

O contexto onde esse verso de Atos está inserido fala, no mesmo capítulo, de Deus e de Jesus em distinção várias vezes: At. 20.21,24,27. O fluxo do texto não leva os leitores a acreditarem que Jesus é o mesmo Deus de quem aparece em distinção recorrentemente.

Apoio de trinitaristas! O entendimento de não tratar-se do “sangue de Deus” não é exclusividade dos unitarianos. É uma constatação lógica do texto bíblico. Basta lembrarmos que a palavra “Deus” ocorre certa de 1.340 vezes. Note 1.340 vezes. Desta milhar e algumas centenas apenas raras, realmente raras vezes o termo é aplicado, em teoria, a Jesus (talvez umas 6). E todas essas escassas vezes o texto não está livre de apuração. E At. 20.28 é um caso típico!

O PhD Dr. Murray J. Harris que é professor emérito de exegese do Novo Testamento e teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois, diz em seu livro  “Jesus como Deus – O uso Theos no Novo Testamento, em referência a Jesus”  (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 141: “nesta construção de ίδιος é mais provável que θεός é Deus, o Pai e o objeto não expresso de περιεποιήσατο é Jesus”. Ou seja, mesmo os que defendem Jesus como Deus reconhecem que o texto não pode se referir ao sangue do Deus que é Espírito, mas pertencer a ele, através do Filho que é dEle.

Há uma variante grega, usada na USB, que traz a parte final do verso assim: “διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου”. Literalmente se traduz: “com o sangue de seu próprio”. Há uma expressão similar em Rm. 8.32 onde encontramos “τοῦ ἰδίου υἱοῦ” (seu próprio Filho). Já vimos que a outra variante pode ser usada tanto atributivamente como possessivamente. Então se houvesse apenas ela a possessividade já era constatável. Mas, esta mostra diretamente a possessividade, o que permite concluir que o texto fala do sangue do Filho. Esse uso não é estranho. Matzger em “Um Comentário Textual em grego do Novo Testamento”, 2 ª ed. (Stuttgart: Sociedades Bíblicas Unidas, 1971.), 426,  diz: “Este uso absoluto de ‘idios’ é encontrada em papiros gregos como um termo carinhoso referindo-se a parentes próximos”.

A Bíblia de Jerusalém, que é uma bíblia produzida por católicos e protestantes, assim verteu o verso: “nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para sipelo sangue do seu próprio Filho. Assim também entenderam os tradutores católicos e trinitários da versão da CNBB: “o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho. Outra versão protestante, logo, feita por trinitarianos, NTLH apresenta o verbo com a redação: “o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho.”.

Nota-se com isso que, seja católico, seja protestante ou, ainda, os dois juntos, os tradutores não tem dificuldades em perceber que ali não se trata do sangue de Deus em si.

Logo,  o entendimento unitariano que vê em At. 20.28 a Bíblia falar do sangue que pertence a Deus porque o Filho pertence a ele, tem apoio não somente do ponto de vista bíblico (Rm 8:32 “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?“), mas linguístico e exegético, refletido em reconhecidas traduções bíblicas e renomados exegetas trinitários. Claro, só a Bíblia já bastaria, mas essas informações extras são só para mostrar que esse entendimento não é exclusivdo do unitarianismo.

II Pe. 1.1

II Pe. 1.1 Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.

Este é mais um dos versos, a exemplo de Tt. 2.13, que tentam buscar como comprovação da suposta deidade de Jesus. Traduções com redações semelhantes tem sido usadas com esse fim, mas é oportuno dizer que não existe unanimidade na tradução do versículo. Por exemplo, a versão católica da Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria traduziu: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa”. Reconhecendo Deus e o Salvador como seres distintos. Mesmo a Bíblia de Jerusalém que é uma tradução feita por católicos e protestantes, ainda que vertendo o trecho de forma tradicional, informa como primeira nota de roda pé a II Pe. 1.1 a versão alternativa de tradução: “Ou: de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo”. Mostrando ser possível as duas versões.

Uma comparação desse verso de II Pedro com outro trecho das Sagradas Escrituras suscitam algumas indagações. Notemos os originais abaixo:

τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ. (II Ts. 1.12)

τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ (II Pe. 1.1)

A única diferença entre esses versos, nesses trechos, não é gramatical. Apenas consta “kyrios” onde na outra consta, exatamente na mesma posição, sôtêros.

Mas, o tradutor verteu de forma diferente, dando sentido diferentes aos versos:

“de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” (II Ts. 1.12) ACF

(aqui se identifica dois personagens e suas respectivas qualidades)

“do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (II Pe. 1.1) ACF

(Aqui se identifica um personagem com duas qualidades)

Em linhas simples, poderíamos nos perguntar porque não colocaram o “DO” em II Pe. 1.1, como fizeram em II Ts. 1.12, já que a estrutura é a mesma. Note que se lermos o v.2 de II Pe. 1:“pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor”, o apóstolo parece mostrar de forma clara que ele não quis apresentar Jesus como Deus e Salvador ao mesmo tempo no v.1, pois o distingui na sequência imediata no v.2.

Em linhas complexas, a reivindicação de Jesus ser apresentado como Deus e Salvador em II Pe. 1.1 é a mesma de Tt. 2.13 e tem a ver com uma regra inventada (o seu autor diria descoberta) por um inglês, pelos idos de 1800 d.C, chamado Granville Sharp. É mais ou menos como se um inglês declarasse haver descoberto uma regra de sânscrito que nem mesmo os autores dos remotos vedas e os estudiosos daquela língua sonhavam existir. Ou seja, Sharp e seus defensores acreditam ter achado algo que nenhum gramático de grego da antiguidade, em quase 3.000 de origem da língua, postulou.

A suposta regra é, basicamente, o seguinte: Artigo + Substantivo + KAI + Substantivo, indicaria que os dois substantivos se referem a mesma pessoa. Isso é a primeira regra dele (existem seis).

O problema é que se for tomada apenas assim, logo surgem problemas para sua aplicação, porque existiriam uma miríade de exceções que descaracterizaria a regra. Então, ele acrescentou à definição várias restrições: Se um ou os dois substantivos forem plurais a regra pode não se aplicar. Se for nomes próprios, por questões óbvias, a regra não se aplica. Se for referentes a coisas ou lugares a regra não se aplica, Se for numerais não se aplica. Se for plurais semânticos pode não se aplicar e segue um lista de não aplicação.

Na verdade todo o esforço de listar as supostas exceções que são variadas e numerosas é para excluir os invalidadores da regra e tentar mantê-la viva, pois caso contrário cada um desses impedimentos a derrubaria. O problema é que tentaram por em regra aquilo que se define pelo contexto. Isso se percebe porque se plurais, inclusive os semânticos, lugares, nomes próprios e etc, não se encaixam, a razão é simples; pelo contexto se percebe que não poderiam ser a mesma pessoa ou grupo, então, não é a suposta regra quem determina isso.

Depois de toda restrição, pegam as ocorrências onde a “regra” parece funcionar, digo parece, porque depois que se tira todas as exceções possíveis e imagináveis, realmente sobra os casos onde a “regra” parece funcionar, e a apresentam. Em outras palavras, criaram uma “regra” extremamente restrita e com finalidade específica (eu diria Ad hoc): Tentar provar a deidade trinitária de Jesus.

Sharp não esbarrou em uma regra que ninguém antes dele, nos milhares de anos da língua grega havia achado, ele estava procurando um meio de legitimar o dogma da trindade através da gramática, porque não há afirmação bíblica sobre a trindade. Assim, não há imparcialidade na redação da “regra”. Todas as flagrantes objeções linguísticas são postas fora do escopo para tentar legitimá-la.

Mas, ainda que se use a “regra” em seu sentido mais restrito (no “só para isso”), a gosto de seus depuradores, ainda assim, há exceções: Pv. 24.1 (LXX) é um dos casos bíblicos, mas há também na literatura externa. Ou seja, é uma base insegura para se definir aquilo que se deve definir pelo contexto. Certamente ninguém precisa de uma regra para traduzir “ὁ θεὸς καὶ πατὴρ” (II Co. 1.3), que está no arranjo “artigo” + “substantivo” + KAI + “substantivo” por “O Deus e Pai” se referindo ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Não seria uma regra que indicaria ali que os dois substantivos se referem ao mesmo ser. Ninguém antes de 1800 usou a “regra” (ela não existia) e ninguém se confundiu com essa tradução e outras passagens em uma suposta construção Sharp.

Aqui podemos falar também da questão semântica, que é outro problema da regra. Ainda sobre II Co. 1.3: Pai já é uma referência comum a Deus, de modo que ainda que tentem colocar expressões como essa sob a regra, ela é inócua e desnecessária e o texto não depende dela para ser compreendido, pois se elenca designações já conhecidas. É justamente a questão semântica que faz alguns defensores da regra de Sharp admitir correta a tradução “de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” em II Ts. 1.12, pois consideram ai a palavra “Senhor” como parte de um nome composto como “Senhor Jesus Cristo”, ou seja, nome próprio composto, o que faria a expressão sair do escopo da regra. Nesse ponto a suposta regra adquire alguma subjetividade, pois “Salvador” também pode ser considerado parte de um nome composto em “Salvador Jesus Cristo”. Essa “particularidade” semântica, ao que parece, é desconhecida pelos mais dedicados apologetas trinitários aqui do Brasil. E essa questão é mais um problema que torna a tal regra insegura, incerta e não aproveitável para o fim ao qual foi criada, pois se considerarmos “Salvador Jesus Cristo” como um termo técnico, um nome próprio composto, a regra deixa de ser aplicável tanto a II Pe. 1.1 quanto Tt. 2.13. A própria expressão “Grande Deus” em Tito, pode ser um termo técnico de identificação da Divindade (Ed. 5.8, Ne.8.6, Dn. 2.45, Ap. 19.17), que também anularia a aplicabilidade da regra ali. E se admitirmos que a palavra “Deus”, de fato, em vários casos adquiri o status de nome, então, não devemos confiar na “regra” por mais de uma razão.

Mas, mas mesmo que admitíssemos os postulados de Sharp como regras válidas, os trinitarianos ao tentar ganhar uma suposta evidência da deidade de Jesus perderiam outras. A sexta regra, por exemplo, elaborada por Sharp, apresenta uma situação ligeiramente modificada da primeira, ela determina que se houver uma construção: Artigo + Substantivo + KAI + Artigo + Substantivo, então, se referiria a pessoas diferentes. Se as regras dele fossem verdadeiras e legítimas, um trinitário ganharia II Pe. 1.1 como um verso que chama Jesus, na visão deles, de Deus e perderia outro que, na visão deles, chama Jesus de Deus, Jo. 20.28 “ὁ κύριος μου καὶ θεός μου”. O verso de João, “Senhor meu e Deus meu”, está exatamente na construção em que Sharp diria que são pessoas diferentes. Mas, nesse caso, providencialmente, ele e os trinitarianos admitem ser uma exceção à regra.

Os cristoteistas tem usado muito II Pe. 1.11 , cujo texto diz: “a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, como ponto base de convencimento de que se Jesus está sendo chamado de “Senhor e Salvador” nesse verso, deve estar sendo chamado realmente de Deus e Salvador em II Pe. 1.1, a partir do acolhimento da regra de Sharp, já que o v.11 tem a estrutura requerida (ASKS) por Sharp: “τοῦ κυρίου ἡμῶν καὶ σωτῆρος Ἰησοῦ Χριστοῦ”. Nesse texto, com relação a II Pe. 1.1, há apenas a substituição da palavra “θεοῦ” por “κυρίου”. No entanto, como já dissemos, o contexto deve determinar a tradução, não uma regra que se mostra falha em todas as instâncias. Até porque “nosso Senhor” em em II Pe. 1.11 pode se referir sem qualquer dificuldade a Deus e na segunda parte se referir a Cristo. Isso se vê confirmado em um versículo que também fala de REINO: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap. 11.15). Ainda que haja artigo antes de “Senhor” e antes da palavra “Cristo”, o texto prova que Deus é também nítida e naturalmente chamado de “Senhor”, de modo que, em II Pe. 1.11 “Senhor” pode, sem dificuldades, se referir a Deus e o segundo personagem no verso é Jesus.

Por causa desses vários problemas a regra passou quase 200 anos, desde de sua criação, praticamente morta. Poucos davam crédito ou a citavam para tentar validar uma identidade de Jesus com a Deidade. O Dr. Daniel B. Wallace tentou ressuscitar a regra em uma tese de doutorado em 1995 chamada Sharps Redivivus. Nesse trabalho o Dr. Wallace precisou encolher a “regra” ainda mais, ante as provas contrárias, para tentar mantê-la viva. Mas, mesmo seu trabalho de doutorado já foi avaliado e a “regra” continua devendo, já que ele mesmo não conseguiu solucionar todos os problemas conhecidos.

Ainda outra questão é oportuna falar se tudo isso fosse ignorado. A partir de Jo. 1.1, não existe reservas em chamar Jesus de “Deus”. A questão será sempre em que sentido, relativamente a posição do Pai, a palavra polissêmica “Deus” é usada em aplicação a Cristo. Sabemos por Jo. 17.3, nas palavras de Jesus mesmo, que não pode ter o mesmo sentido. Como não tem o mesmo sentido quando é aplicada aos juízes, anjos, reis, governantes e até Moisés.

Tudo isso mostra que a escassez de provas sobre uma requerida igualdade entre Jesus e seu Deus é tão grande que o trinitarismo tem que criar suas próprias provas. Se a trindade fosse uma realidade bíblica, ter-se-ia provas cabais e explícitas, a ausência disto leva a esse caminho que Sharp tomou.

Bem, há outros detalhamentos, mas essa exposição, penso, já dá uma visão panorâmica das coisas que envolvem a passagem de II Pe.1.1 e os problemas da suposta regra.

Gn. 19.24 (Dois são Yahweh?)

Como existe uma ausência perceptível nas Escrituras de algum ensino formal sobre a trindade os defensores desse dogma buscam tentar materializar alguma prova a partir de certas passagens bíblicas. Uma delas é Gn. 19.24 que diz: “Então  Yahweh fez chover enxofre e fogo, de Yahweh desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra”. Fazendo uso da leitura que Yahweh fez chover fogo da parte de Yahweh alguns alegam que Yahweh é pelo menos dois, e, no conceito trinitário, um estaria sobre a terra (o Filho pré-encarnado) e o outro no céu (o Pai em sua majestade), mas além disso não ser afirmado em lugar algum desse relato nas Escrituras, feriria frontalmente Dt. 6.4 que afirma que “Yahweh é um”. Mas, se Yahweh é um, como explicar o relato de Gênesis a partir da reinvindicação trinitária?

Como já foi falado antes, diante da ausência de qualquer elemento de ensinamento sobre uma trindade na Bíblia ou mesmo uma pluralidade em Deus, o caminho trinitário tem sido ler alguns versos sob uma ótica não bíblica. Uma ótica que já tem como pressuposto uma pluralidade, no entanto, a Bíblia tem elementos simples que mostram o engando dessa linha de pensamento.

Note Gn. 4.23 “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras”. Embora o relato registre que Lameque tenha dito para suas mulheres ouvirem a voz de Lameque, ao invés de “minha voz” referindo-se a ele, ninguém é movido a entender que haja dois Lameques. Uma leitura de Yahweh como sendo dois ou de dois Yahweh em Gn. 19.24 tem motivação externa, não a partir do texto em si.

Observe também 1Rs 12:21 “Vindo, pois, Roboão a Jerusalém, reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa de Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.” Aqui, mais uma vez, embora se fale de Roboão como aquele que reuniu tropas para restituir o reino a Roboão, ninguém reivindica que haja dois Roboão(s) ou que um mesmo Roboão seja dois. Vide também Gn. 17.23.

Outro exemplo pode ser encontrado em I Rs. 8.1 “Então congregou Salomão os anciãos de Israel, e todos os cabeças das tribos, os chefes dos pais dos filhos de Israel, ao rei Salomão em Jerusalém; para fazerem subir a arca da aliança do Yahweh desde a cidade de Davi, que é Sião.” (LTT 2009). Na ACF consta “diante de si” mas deveria cosntar “ao rei Salomão”, fazendo constar duas vezes o nome do rei como está no original hebraico: 1Rs 8:1 “אָז יַקְהֵל שְׁלֹמֹה אֶת־זִקְנֵי יִשְׂרָאֵל אֶת־כָּל־רָאשֵׁי הַמַּטֹּות נְשִׂיאֵי הָאָבֹות לִבְנֵי יִשְׂרָאֵל אֶל־הַמֶּלֶךְ שְׁלֹמֹה יְרוּשָׁלִָם לְֽהַעֲלֹות אֶת־אֲרֹון בְּרִית־יְהוָה מֵעִיר דָּוִד הִיא צִיֹּֽון׃”

Digno de nota é que no relado de Gênesis 19 há o envolvimento do representante de Yahweh. De qualquer jeito a forma literária, como vimos, não aponta para dois Yahwehs ou que o mesmo Yahweh seja dois, mas se usa uma forma comum nos escritos bíblicos onde ao invés da aparição de um pronome após o uso de um nome, há uma recorrência do nome sem que isso signifique que o mesmo nome se refira a mais de um.

Quem era Jesus segundo Paulo

A despeito de algumas afirmações taxativas de Paulo sobre quem é o Pai e quem é o Filho, como, por exemplo, I Co. 8.6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”, os reconhecendo em distinção naquilo que eles são, alguns trinitarianos evidenciam uns poucos versos onde entendem que Paulo está chamando Jesus de Deus para considerá-lo como sendo o mesmo Deus que o Pai.

Notadamente temos três ou quatro versos que Paulo, supostamente, chamaria Jesus de Deus. Digo três ou quatro porque um deles é uma reconhecida alteração no texto original e, também, digo “supostamente” porque nenhum deles são textos de traduções uniformes, ou seja, o original permite outras compreensões além daquela que fazem os trinitários ao acharem que Jesus é o próprio Deus.

Esses versos são:

Rm 9:5 “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.

I Tm. 3.16 “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.

Fp 2:6 “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,

Tt 2:13 “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo;

– O primeiro deles (Rm. 9.5) se debate a pontuação que afeta a tradução, já que no grego antigo não tinha pontuação, nem capitulação.

Por causa dessa particularidade Robert H. Mounce diz:

esse fato criou algumas dificuldades para os estudiosos contemporâneos, visto que o modo de um versículo ser pontuado pode ter efeito importante sobre a sua interpretação. Um dos exemplos notáveis disso é Romanos 9.5. Se uma pausa maior for feita depois da κατὰ σάρκα (lit. “segundo a carne”), a parte final do versículo seria uma declaração a respeito de Deus Pai (A NEB traz: “Que Deus, supremo sobre todos, seja abençoado para sempre! Amem”). No entanto, em se fazendo uma pausa menor naquela posição, as palavras finais da frase falariam de Cristo. A NVI diz: “[…] de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre!  Améme concluiO modo de a tradução lidar com um versículo ambíguo tal como esse revela as tendências teológicas do tradutor

(Mounce, William D. in Fundamentos do Grego Bíblico [Livro de Gramática] 1º Edição – 2009, pág. 17).

– O segundo deles (Fp. 2.6), é considerado um dos versículos mais discutidos da Bíblia, justamente por causa das possibilidades, tanto de tradução como de entendimento. Ou seja, é um verso que permite mais de uma tradução, ainda que, certamente, só um entendimento sobre ele deve ser o correto. Mas, as questões principais sobre sua compreensão e tradução envolve a palavra “forma” já que Paulo simplesmente poderia dizer “sendo Deus”. Alguns têm pretendido ver na palavra “forma” um indicativo de “natureza” ou “essência” da Deidade, há até léxicos que trazem esse significado para a palavra, ainda que vários outros apresentem apenas “forma” ou “aparência exterior” como seu significado. Vale destacar que o significado de “natureza” ou “essência” não parte de nenhum verso das Escrituras e nem dos usos adotados no tempo do Novo Testamento. A palavra tal qual aparece no original grego em Fp. 2.6 (Mορφή=forma) ocorre também em Mc. 16.12 “E depois manifestou-se noutra forma a dois deles”. É indubitável que Marcos não está fazendo qualquer referência a substância ou essência de alguém, mas a aparência exterior, a forma visível.

Note que Paulo faz questão de dizer “forma de Deus” ao invés de dizer “sendo o próprio Deus”.

A outra questão, nesse versículo, está relacionada à frase seguinte onde até mesmo entre gramáticos trinitários há discussão e que afeta a interpretação podendo levar a dois entendimentos diferentes: Ele não quis roubar a igualdade, o que permite uma tradução tal qual encontramos na Bíblia da CNBB “não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deusou não quis se valer da igualdade, tal qual aparece na ARA “ não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar”? Ambas suavizam o significado da palavra “ἁρπαγμὸν”, cujo verbo que lhe dá origem é usado recorrentemente no Novo Testamento com sentido de roubar, saquear, arrebatar, etc: “Ou, como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa?” (Mt 12:29), ou ainda, Mt 13:19: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração;

– O terceiro deles, I Tm. 3.16 tem a tradução na ARA: “Aquele que se manifestou em carne”, ao passo que a ACF traz “Deus se manifestou em carne”, no entando essa segunda versão surge a partir de uma adulteração de “OΣ” (em grego significa “Quem”, “Aquele”) para “ΘΣ” (Deus). Tal alteração foi tornada pública por um cristão reformado da Basileia chamado Johan J. Wettstein, em 1715. Logo, por causa disso, perderia o diaconato e o emprego. Ele percebeu que a letra considerada “Θ” (theta) na contração do nomina sacra “ΘΣ” (Deus) era na verdade um “O” (ômicron) componente do pronome demonstrativo “OΣ” (aquele), já que o “traço” central que transformou o ômicron em um theta decorreu de um borrão (vazamento) do texto constante do outro lado do pergaminho. Geralmente nos abreviações das palavras Deus (ΘΣ), Senhor (KY), Jesus (IΣ), no texto greto, se colocava um traço sobre as letras para indicar a contração. Wettstein percebeu que a tinta era nitidamente diferente da do restante do texto e concluiu tratar-se, de fato, de uma corrupção do texto. Muitos manuscritos trazem “Deus se manifestou”, mas são reproduções surgidas a partir de um manuscrito corrompido e são relativamente recentes em suas datações. De qualquer forma, dizer que “Deus” precisou ser justificado no Espírito é algo que não podemos, sequer, cogitar e está dito na sequência do verso. Logo, a leitura constante da Almeida Atualizada deve ser considerada a correta por mais de uma razão.

O quarto deles é Tt. 2.13. O debate sobre este verso envolve as possíveis traduções: “Grande Deus e do Salvador Jesus Cristo” ou “Grande Deus e Salvador Jesus Cristo”, esta última condicionada por uma “adição” recente (uns 200 anos), feita por um inglês, Granville Sharp, religioso não acadêmico, à milenar gramática grega, que foi recepcionada como regra, mas é de tal modo precária que até mesmo trinitários questionam a sua eficácia e/ou abrangência.

O fato curioso da leitura “Grande Deus e [ ] salvador Jesus Cristo” de Tt. 2.13 se dá quando comparada a I Ts. 1.12 “a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Os dois versículos seriam, se considerarmos a “regra” utilizável, abrangidos por ela; mas, em um verso se admitiu possível e correta a tradução “Deus e do Senhor Jesus Cristo”, mas não se fez da mesma forma em Tt. 2.13, onde preferiram a tradução “Deus e Salvador Jesus Cristo”. Embora a palavra “Salvador” e “Senhor” sejam da mesma classe gramatical, a razão da colocação da preposição em apenas uma, quando é legitimamente possível nas duas se dá, hoje, pela evocação da Regra de Sharp que, subjetivamente trata essas palavras com classificação gramatical diferente; considerando “Senhor” em Tt. 2.13 como um nome, tratando-a diferente da palavra “Salvador” em I Ts. 1.12. Ou seja, aplicaram a suposta regra a partir de um critério subjetivo. Esse é só um dos problemas com essa regra. Para um maior detalhamento veja AQUI.

Bem, se na comparação Tt. 2.13 e I Ts. 1.12 é possível as duas traduções, um trinitario poderia perguntar: por não deveríamos seguir a que é usualmente feita para Tt. 2.13 também em I Ts. 1.12 e vertermos o verso como “a graça de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo”? A resposta a essa pergunta é simples. Em um texto onde um verso pode ser traduzido de duas formas devemos buscar saber como o autor entende a questão. Como Paulo é o autor das duas frases. Devemos saber se ele costuma tratar Deus e Jesus, ou o Pai e o Filho, como sendo ambos o mesmo Deus.

Lembrando sempre, como se pode ver acima, que embora haja quatro versos usados para dizerem que Paulo chamou Jesus de Deus, apenas três permanecem, mas, ainda assim sob dependências de circunstâncias gramaticais e interpretações passíveis de questionamento.

Nesse ponto é oportuno fazermos essa averiguação de identificação nos escritos de paulinos:

At. 13:23 “Da descendência deste, conforme a promessa, levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel

At. 20.24 “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Rm 1:4 “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

Rm 1:7 “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Rm 2:16 “No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

Rm 3:22 “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.

Rm 5:1 “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

Rm 5:8 “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Rm 5:10 “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

Rm 5:11 “E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

Rm 5:15 “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

Rm 6:10 “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

Rm 6:23 “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.

Rm 7:25 “Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

Rm 8:17 “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

Rm 8:34 “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.

Rm 8:39 “Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

Rm 10:9 “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

Rm 15:30 “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;

Rm 15:5 “Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,

Rm 15:6 “Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Rm 15:7 “Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.

Rm 15:8 “Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais;

Rm 15:16 “Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo.

Rm 15:17 “De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus.

Rm 15:30 “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;

Rm 16:27 “Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

1Co 1:1 “Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes,

1Co 1:2 “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso

1Co 1:3 “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”

1Co 1:4 “Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo.

1Co 1:9 “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.

1Co 1:24 “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

1Co 1:30 “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

1Co 3:23 “E vós de Cristo, e Cristo de Deus.

1Co 4:1 “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.

1Co 6:14 “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder.

1Co 6:11 “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.

1Co 8:6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.”

1Co 11:3 “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.

1Co 12:3 “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

1Co 15:15 “E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.

1Co 15:28 “E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

1Co 15:57 “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.

2Co 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia.

2Co 1:2 “Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.

2Co 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;

2Co 1:19 “Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas nele houve sim.

2Co 1:21 “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus,

2Co 2:14 “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento.

2Co 2:15 “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem.

2Co 3:4 “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus;

2Co 4:4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

2Co 5:18 “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;

2Co 5:19 “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.

2Co 5:20 “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.

2Co 9:13 “Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos;

2Co 10:5 “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;

2Co 11:2 “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.

2Co 11:31 “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

2Co 12:19 “Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação.

2Co 13:14 “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

Gl 1:1 “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos),

Gl 1:3 “Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo,

Gl 2:20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Gl 2:21 “Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.

Gl 3:17 “Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa.

Gl 3:26 “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

Gl 4:6 “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Gl 4:7 “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Gl 4:14 “E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo.

Ef 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus

Ef 1:2 “A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!

Ef 1:3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;

Ef 1:17 “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;

Ef 2:10 “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Ef 2:12 “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

Ef 3:9 “E demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

Ef 3:14 “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

Ef 3:19 “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

Ef 4:6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.

Ef 4:13 “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

Ef 4:32 “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Ef 5:2 “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.

Ef 5:5 “Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

Ef 5:20 “Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;

Ef 6:6 “Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;

Ef 6:23 “Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.

Fp 1:2 “Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo.

Fp 1:8 “Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.

Fp 1:11 “Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.

Fp 2:11 “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Fp 3:3 “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.

Fp 3:14 “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Fp 4:7 “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

Fp 4:19 “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.

Cl 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,

Cl 1:2 “Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Cl 1:3 “Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,

Cl 1:27 “Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;

Cl 2:2 “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

Cl 2:12 “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

Cl 3:1 “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

Cl 3:3 “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Cl 3:17 “E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Cl 4:3 “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;

1Ts 1:1 “Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

1Ts 1:3 “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,

1Ts 2:14 “Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles,

1Ts 2:15 “Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens,

1Ts 3:2 “E enviamos Timóteo, nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé;

1Ts 3:11 “Ora, o mesmo nosso Deus e Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, encaminhe a nossa viagem para vós.

1Ts 3:13 “Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos.

1Ts 4:1 “Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais.

1Ts 4:14 “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.

1Ts 4:16 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.

1Ts 5:9 “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo,

1Ts 5:18 “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

1Ts 5:23 “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

2Ts 1:1 “Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo

2Ts 1:2 “Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.”

2Ts 1:8 “Com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;”

2Ts 1:12 “Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

2Ts 2:16 “E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança,”

2Ts 3:5 “Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo.

1Tm 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa,

1Tm 1:2 “A Timóteo meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor.

1Tm 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

1Tm 5:21 “Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade.

1Tm 6:13 “Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão,

2Tm 1:1 “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus,

2Tm 1:2 “A Timóteo, meu amado filho: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da de Cristo Jesus, Senhor nosso.

2Tm 2:19 “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.

2Tm 4:1 “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,”

Tt 1:1 “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade,

Tt 1:4 “A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.”

Fm 1:3 “Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Acredito ser muito difícil, mas difícil mesmo, que alguém imparcial entenda, naturalmente, diante de uma quantidade tão grande de informação que aponta justamente para o caminho contrário, e, sabendo das questões gramaticais e interpretativas de Rm. 9.5, Fp. 2.6 e Tt. 2.13, que o apóstolo Paulo, nesses três versos, esteja identificando Jesus como sendo o mesmo Deus com o Pai, quando provas não faltam que ele nunca falou de Deus e Jesus, ou o Pai e o Filho, acreditando que fossem o mesmo Deus.

Devemos lembrar, ainda, que Paulo ao apresentar seu Deus aos atenienses, no Aerópago, diante do altar dedicado “Ao Deus Desconhecido”, indica apenas um como sendo esse Deus, e ainda, ao invés de apresentar uma trindade de pessoas da qual Jesus é um de seus integrantes, além de não dizer isso, o Apóstolo acrescenta que Deus “há de julgar o mundo por meio do homem que destinou” (At. 17.31). O mesmo apóstolo diz também em seus escritos “Mas Deus é um” (Gl. 3.20).

As evidências contrárias as pretensões cristoteístas são tão fortes que terminam por denunciar o tamanho da deturpação que muitos, buscando tornar palpável a causa trinitária, fazem das palavras de Paulo em (e a partir de) três versos.


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